A 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades Afetivas

(Ambrose Akinmusire  –  “A blooming bloodfruit in a hoodie”)

 

Como e por que sentimos afinidade com algumas coisas e não com outras? O que essas afinidades nos dizem sobre nós mesmos e sobre o mundo? Quando nos deparamos com algo desconhecido, como começamos a criar uma relação com isso? Nossa atenção consciente pode nos ajudar a ativar a arte, o mundo, nós mesmos e os outros?

 

 

Essas questões são centrais para a 33ª Bienal de São Paulo. Inspirada no conceito de afinidades de eletivas de Goethe, e na ideia de forma afetiva de Mario Pedrosa, esta edição da Bienal pretende apresentar uma ampla variedade de visões e propostas artísticas, e também navegar por modos diversos de compreender o mundo. A arte oferece uma oportunidade privilegiada de usar nossa atenção de forma consciente, como modo de conhecer a nós mesmos e aos outros.

 

 

Em exposição no Pavilhão do Ibirapuera, em São Paulo, até ao dia 09 de dezembro deste ano, a 33ª Bienal de São Paulo, denominada Afinidades Afetivas, busca um modelo alternativo ao uso de temáticas, privilegiando o olhar dos artistas sobre seus próprios contextos criativos. A mostra reúne, no Pavilhão da Bienal, doze projetos individuais e sete mostras coletivas organizadas por artistas-curadores.

Resultado de imagem para antonio ballester morenoEste ano, sete artistas de todo o mundo foram convidados para assumir a função dupla de não só apresentar obras próprias na Bienal, mas também realizar a curadoria de algumas mostras dentro do evento. A lista conta com o uruguaio Alejandro Cesarco, o espanhol Antonio Ballester Moreno, a argentina Claudia Fontes, a sueca Karin Mamma Andersson, os brasileiros Sofia Borges e Waltercio Caldas e a norte-americana, radicada na Nigéria, Wura-Natasha Ogunji.

Mesmo sem tal intenção declarada. Alguns dos artistas-curadores deixaram o magnífico Pavilhão do evento, no Parque do Ibirapuera, no centro das atenções. Antonio Ballester Moreno, Claudia Fontes e Wura-Natasha Ogunji decidiram montar suas mostras em diálogo com o parque e com o prédio, clássico modernista projetado por Oscar Niemeyer, que, desde 1957 passou a receber a Bienal e hoje é tombado pelo Patrimônio Histórico. Segundo Antonio Ballester Moreno, por exemplo, a exposição busca contextualizar a relação entre biologia e cultura. “Somos criadores do nosso próprio mundo, nas palavras dele. Para ele, somos todos diferentes. Cada um vê o mundo de uma forma diferente.

Resultado de imagem para sofia borgesJá os consagrados artistas brasileiros, Sofia BorgesWaltercio Caldas, escolheram obras do escultor Tunga, falecido em 2016, para suas mostras especiais no evento. Ocupando o espaço expositivo de primeiro andar, o núcleo de Sofia faz um percurso quase labiríntico, entre paredes de concreto e de tecidos, e utiliza várias esculturas de Tunga, além de outros artistas contemporâneos e seus próprios trabalhos. O núcleo de Waltercio Caldas, no terceiro andar, além de uma homenagem a Tunga, com uma obra do escultor, faz um tributo imprevisto também a Antonio Dias, morto em Agosto deste ano. Caldas explica também que os artistas têm fases e momentos diferentes em suas carreiras. Um bom exemplo disso é dado pelo Resultado de imagem para waltercio caldasescritor francês Victor Hugo, autor do clássico Os Miseráveis. Numa tentativa de produzir capas para os seus livros, ele deixou uma série de ilustrações que são mostradas na exposição.

Essa Bienal homenageia também o trabalho de três artistas que têm em comum o fato de terem desenvolvido um forte trabalho nos anos 1990 e de terem nos deixado precocemente: o gualtemalteco Aníbal López, o paraguaio Feliciano Centurión e a brasileira Lúcia Nogueira. Tal homenagem se justifica em parte pelo fato de que, por terem morrido tão jovens, podem correr o risco de ter sua obra esquecida pela História da Arte.

Como acompanho o trabalho desenvolvido em diversas Bienais há longos anos, posso garantir que esta Edição é, sem sombra de dúvida, uma das mais espetaculares e instigantes que me foi dado presenciar e que, só ela merece um deslocamento à cidade de São Paulo e, particularmente, ao Pavilhão do Ibirapuera.

Cada vez que nos movemos, move-se também nosso mundo. O que nos rodeia a cada momento é parte de um universo particular que se move conosco. O ambiente faz o mundo

Cortesía de la Fundação Bienal de São Paulo(Antonio Ballester Moreno)

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