ARQUIPÉLAGO GULAG

 

 

Arquipélago Gulag BRA ou Arquipélago de Gulag POR) é uma obra de Aleksandr Solzhenytsin. É provavelmente a mais forte e a certamente a mais influente obra sobre como funcionavam os gulags (campos de concentração e de trabalho forçado na antiga União Soviética) nos tempos de Josef Stalin.

O livro de cerca de 600 páginas é uma narrativa sobre fatos que foram presenciados pelo autor, prisioneiro durante onze anos, em Kolima, num dos campos do arquipélago, e por duzentas e trinta e sete pessoas, que confiaram as suas cartas e relatos ao autor.

 

Kolima era a maior e a mais célebre ilha, o pólo de ferocidade desse assombroso Arquipélago de GULAG, desgarrado pela geografia num arquipélago, mas psicologicamente ligado ao continente, a esse quase invisível, quase intangível país habitado pelo povo zek.

 

“GULag” é um acrônimo em russo para o termo: “Direção Principal (ou Administração) dos Campos de Trabalho Corretivo” (“Glavnoye Upravleniye Ispravitelno-trudovykh Lagerey”), um nome burocrático para este sistema de campos de concentração.

O título original em russo do livro era “Arkhipelag GULag”. A palavra arquipélago relaciona-se ao sistema de campos de trabalho forçado espalhados por toda a União Soviética como uma vasta corrente de ilhas, conhecidas apenas por quem fosse destinado a visitá-las.

Escrito clandestinamente de 1958 a 1967, o manuscrito de “O Arquipélago Gulag” foi descoberto pelo KGB em 1973, na sequência da prisão de Elizabeth Voronskaïa, uma colaboradora de Sozhenítsin que o datilografava. Na sequência disso, Sozhenítsin, que tinha sido galardoado com o Prémio Nobel em 1970, decide publicar o livro no exterior. Uma primeira edição em russo é publicada em Paris ainda em 1973 e depois finalmente a edição francesa, no verão de 1974. Sozhenítsin fora, entretanto, preso, acusado de traição, despojado da nacionalidade soviética e enviado para o exílio, onde esteve por vinte anos, até ao seu regresso à Rússia em 1994. Para realizar este extraordinário livro, Solzhenítsin foi ajudado pelo testemunho de 227 sobreviventes dos campos do Gulag. Eis pois uma obra excepcional, um livro de combate contra o totalitarismo de face estalinista, um livro que ainda hoje nos queima as mãos. Não esqueçamos as palavras de Sozhenítsin:

«Devemos condenar publicamente a ideia de que homens possam exercer tal violência sobre outros homens. Calando o mal, fechando-o dentro do nosso corpo para que não saia para o exterior, afinal semeamo-lo.»

 

A  ESSÊNCIA  DO  MAL

 

 

O que exatamente aconteceu no século XX, afinal? Como pôde ser possível dezenas de milhares morrerem sacrificadas por novos dogmas e ideologias? Como foi que descobrimos algo pior, muito pior, do que a aristocracia e as crenças religiosas corruptas – coisas que o comunismo e o fascismo tentaram suplantar e, pior, investindo-se de racionalidade?

Aleksandr Solzhenytsin escreveu, de maneira definitiva e profunda, sobre os horrores do século XX, sobre as dezenas de milhões de pessoas que tiveram seus empregos, famílias, identidades e vidas arrancadas de si. Em seu livro, “Arquipélago Gulag”, na segunda parte do segundo volume, ele discutiu os Julgamentos de Nuremberg, considerado o evento mais significativo do século XX. Qual foi a conclusão desses Julgamentos? Há algumas ações tão intrinsecamente terríveis que podem ir contra a natureza do Ser humano. Isso é verdade tanto do ponto de vista essencial quanto do intercultural – através do tempo e do espaço. Essas são más ações. Não há desculpa que justifique tomar parte delas. Desumanizar um companheiro humano, reduzi-lo ao status de parasita, torturar e abater sem nenhuma consideração pela inocência ou culpa individual, transformar a dor em uma forma de arte: isso é errado.

Do que não consigo duvidar? Da realidade do sofrimento. Não há argumentos contra isso. Os niilistas não podem diminuir seu valor com o ceticismo. Os totalitaristas não a podem banir. Os cínicos não podem fugir de sua realidade. O sofrimento é real, e infringi-lo engenhosamente no outro, apenas pelo próprio sofrimento, é errado. Isso se tornou a pedra fundamental da minha crença.

Ao buscar nos recantos mais baixos já alcançados pelo pensamento e ação humanos, ao entender minha própria capacidade de agir como um guarda da prisão nazista, um administrador do arquipélago gulag, ou um torturador de crianças, compreendi o que significa “levar os pecados do mundo em si mesmo”.   

 

Resultado de imagem para jordan petersonJordan B. Peterson em “12 Regras para a Vida (Um antídoto para o Caos)”

 

p.s.: Este livro – e as tenebrosas revelações nele existentes e sua divulgação por todo o mundo -, “Arquipélago Gulag“, foi diretamente responsável pela dissolução da antiga União Soviética, em 26 de Dezembro de 1991.

 

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