A FARSA REFORMISTA

 

 

Sim. A Moral e os Costumes são de fato uma construção que depende da Cultura, do local e da época que se vive, exatamente como afirma o Relativismo que os Esquerdistas tanto pregam. Contudo, se você for ocidental e, sobretudo, do sexo feminino, agradeça por ter nascido – ou ter merecido renascer, como muitos preferem – no hemisfério ocidental e sob a liderança libertária e democrática das civilizações européias e dos Estados Unidos. Agradeça por ter Liberdade e o direito à Democracia preservados e lute para preservar tais Direitos. Não espere valorizá-los depois que lhe forem retirados. Se duvida, veja o que acontece no Mundo Árabe, por exemplo:

 

“Mais de 200 pessoas foram executadas na Arábia Saudita desde o início do ano passado. É um acontecimento rotineiro nesse reino governado com mão de ferro pela mesma família há mais de oitenta anos. Mas a última execução tem um traço novo. O Ministério Público Saudita pediu a decapitação de Israa Ghomgham, uma jovem de 29 anos da cidade de Qatif. Se efetivamente condenada, ela será a primeira mulher a enfrentar a pena capital por protestar pacificamente no país.

Em dezembro de 2015, Israa foi presa com o marido em sua casa depois de participar de sucessivas manifestações a favor da minoria xiita e de publicar vídeos nas redes sociais: “Mesmo se ela for perdoada, este é um sinal claro de que o príncipe Mohammed Bin Salman (MbS), ao mesmo tempo que se diz reformista, continua chefiando um governo que decide quanto cada um poderá ter de liberdade”, diz o historiador americano Wayne Bowen, da Universidade Central da Flórida.

Resultado de imagem para a farsa reformista vejaEm Abril, MbS autorizou a abertura dos primeiros cinemas em 35 anos. Em junho, permitiu que as mulheres dirijam. Mas a iminência da morte da jovem saudita contrasta com a imagem de liberal e tolerante (sic) que o regente tem divulgado pelo mundo. Todas as suas concessões são limitadas e seguem razões que nada têm a ver com direitos humanos ou igualdade de gêneros. “O príncipe sabe que precisa diversificar a economia e que não pode fazer isso sem as mulheres. Além disso, ele não quer que seu país pareça parado no tempo (sic), para que possa, assim, atrair investidores estrangeiros”, diz o libanês , Bernanrd Haykel, da Universidade Princeton. Mas em momento algum se cogitou mudar o sistema de tutela em que as mulheres precisam da permissão de um homem para estudar, trabalhar ou viajar para o exterior.

Ainda que essas reformas sejam de enorme valia para as sauditas, elas estão longe de rivalizar em importância com as outras preocupações do príncipe. Da vertente sunita do islamismo, ele teme a ascensão regional do do Irã, de maioria xiita. Além de Israa, quatro homens que estavam com ela nos protestos, todos xiitas, encontram-se no corredor da morte. Estima-se que 15% dos sauditas sejam xiitas. “A monarquia suspeita que eles estejam sendo influenciados pelo Irã e tenham afinidades políticas entre si”, diz a alemã Jennifer Eggert, especialista em Oriente Médio da Universidade de Warwick, Inglaterra.

A exemplo do que ocorre em outras ditaduras, qualquer grupo que se assemelhe a uma organização civil é cortado pela raiz. Foi o que aconteceu com algumas feministas que ganharam visibilidade nacional e internacional com o anúncio de reformas. Desde maio, treze feministas foram presas, acusadas de serem uma ameaça à segurança nacional. Elas protestaram de maneira pacífica, postaram fotos nas redes sociais e prestaram solidariedade publicamente a outras mulheres já presas. “Qualquer pessoa que tente criticar o príncipe é reprimida e deita”, diz a jordaniana Hiba Zayadin, da Human Rights Watch. Nove dessas mulheres permanecem atrás das grades. Se depender do príncipe, elas por lá continuarão.

No começo de agosto, a desproporção da repressão levou a Chrystia Freeland, ministra de Relações Exteriores do Canadá, a pedir a libertação dessas pessoas nas redes sociais. Como resposta, MbS expulsou diplomatas e estudantes canadenses da Arábia Saudita. Ele também cancelou todos os vôos para Toronto, congelou novos acordos comerciais e anunciou que todos os cidadãos sauditas em tratamento médico no Canadá serão transferidos para outros países.

As mulheres sauditas podem comemorar a autorização de dirigir e ir ao cinema, mas para ter liberdade e democracia ainda falta muito.

 

Thais Navarro para a Revista VEJA , Ed. 2598  – ano 51 # 36

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