ALEKSANDR SOLZHENITSYN

 

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Alexander Issaiévich Soljenítsin ( 1918 —  2008) foi um romancista, dramaturgo e historiador russo cujas obras construíram e celebrizaram a imagem que o mundo tem a respeito aos gulags, sistema prisional baseado em trabalhos forçados existente na antiga União Soviética. Recebeu o Nobel de Literatura de 1970. A sua postura crítica sobre o que considerava o esmagamento da liberdade individual pelo Estado onipresente e totalitário implicou a expulsão do autor do país natal e a retirada da respectiva nacionalidade em 1974.

Era na juventude um marxista-leninista convicto. Mas se mostrou nacionalista e monarquista; queria restaurar a Mãe Rússia em todo o seu esplendor mítico, considerava a democracia uma péssima forma de governo; admirava Franco Pinochet e só em Putin julgou ter encontrado um chefe à altura para governar a Rússia

Soljenítsin estudou matemática na Universidade Estatal de Rostov, ao mesmo tempo cursando por correspondência o Instituto de Filosofia, Literatura e História de Moscovo. Durante a Segunda Guerra Mundial participou de acções importantes como comandante de uma companhia de artilharia do Exército Soviético, obtendo a patente de capitão e sendo condecorado em duas ocasiões.

Algumas semanas antes do fim do conflito, já havendo alcançado território alemão na Prússia Oriental, foi preso por agentes da NKVD por fazer alusões críticas a Stalin em correspondência a um amigo. Ele foi acusado de propaganda anti-soviética sob o artigo 58 parágrafo 10 do Código Penal soviético, e de fundar uma organização hostil sob o parágrafo 11.

Foi condenado a oito anos num campo de trabalhos forçados, a serem seguidos por exílio interno em perpetuidade. Esta era a pena normal para a maioria dos crimes previstos no artigo 58 na época.

A primeira parte da pena de Soljenítsin foi cumprida em vários campos de trabalhos forçados; a “fase intermediária”, como ele viria a referir-se a esta época, passou-a em uma sharashka, um instituto de pesquisas onde os cientistas e outros colaboradores eram prisioneiros. Dessas experiências surgiria o livro “O Primeiro Círculo”, publicado no exterior em 1968. Em 1950 foi enviado a um “campo especial” para prisioneiros políticos em Ekibastuz, Cazaquistão onde trabalharia como pedreiro, mineiro e metalúrgico. Esta época inspiraria o livro Um Dia na Vida de Ivan Denisovich. Neste campo retiraram-lhe um tumor, mas seu cancro não chegou a ser diagnosticado.

A partir de março de 1953 iniciou a pena de exílio perpétuo em Kol-Terek no sul do Cazaquistão. O seu cancro, ainda não detectado, continuou a espalhar-se, e no fim do ano Soljenítsin encontrava-se próximo à morte. Porém, em 1954 finalmente recebeu tratamento adequado em Tashkent, Uzbequistão, e curou-se. Estes eventos formaram a base de O Pavilhão dos Cancerosos. Foi durante esta década de prisão e exílio que Solzhenitsyn abandonou o marxismo e desenvolveu as posições filosóficas e religiosas de sua vida posterior, gradualmente se tornando um cristão, como resultado de sua experiência na prisão e nos campos. Este por sua vez é semelhante ao que aconteceu a Fyodor Dostoyevsky durante seus anos na Sibéria e sua busca por fé.

Durante os seus anos de exílio, e após sua libertação e retorno à Rússia Europeia, Soljenítsin, enquanto lecionava em escolas secundárias durante o dia, passava as noites escrevendo em segredo. Mais tarde, na breve autobiografia que escreveria ao receber o Nobel de Literatura, relataria que “durante todos os anos até 1961, eu não estava apenas convencido que sequer uma linha por mim escrita jamais seria publicada durante a minha vida, mas também raramente ousava permitir que os meus íntimos lessem o que eu havia escrito por medo de que o fato se tornasse conhecido”.

Publicou ainda nos EUA uma obra sobre um gigantesco tabu que é a proeminência dos judeus russos no Partido Comunista e na polícia secreta soviética, sendo tachado como antissemita e desmoralizado no seu exílio.

Soljenítsin retornou à Rússia em 27 de maio de 1994, depois de vinte anos de exílio e morreu em Moscovo em 3 de agosto de 2008, segundo o seu filho, em consequência de uma insuficiência cardíaca aguda.

Está sepultado no Donskoi Monastery Cemetery, Moscou, na Rússia.

Sobre o ateísmo, durante seu discurso de recepção do Prêmio Templeton para o Progresso da Religião, em maio de 1983, Soljenítsin declarou: “Mais de meio século atrás, quando eu ainda era uma criança, lembro-me de ouvir um número de pessoas mais velhas oferecerem a seguinte explicação para os grandes desastres que se abateram sobre a Rússia: ‘Os homens se esqueceram de Deus; é por isso que tudo isso aconteceu’. Desde então, tenho passado quase 50 anos estudando a história de nossa revolução. Durante esse processo, li centenas de livros, colecionei centenas de testemunhos pessoais e contribuí com oito volumes de minha própria lavra no esforço de transpor o entulho deixado por aquele levante. Mas se hoje me pedissem para formular da maneira mais concisa possível a causa principal da perniciosa revolução que deu cabo de mais de 60 milhões de compatriotas, não poderia fazê-lo de modo mais preciso do que repetir: ‘Os homens se esqueceram de Deus; é por isso que tudo isso aconteceu'”.

 

PENSAMENTOS   DE  SOLZHENITSYN

 

Hoje em dia não pensamos muito no amor de um homem por um animal; rimos de pessoas que são apegadas a gatos. Mas se pararmos de amar aos animais, não estaremos na iminência de pararmos de amar os humanos, também?

Alexander Solzhenitsyn

 

Justiça é consciência, não uma consciência pessoal mas a consciência de toda a humanidade. Aqueles que reconhecem claramente a voz de suas próprias consciências normalmente reconhecem também a voz da justiça.

Alexander Solzhenitsyn

 

Tão logo a falsidade seja desmascarada, a violência nua terá que aparecer em toda sua hediondez – e a violência, derrotada, desaparecerá.

Alexander Solzhenitsyn

 

Se ao menos houvesse gente ruim por aí, insidiosamente fazendo o mal e fosse necessário apenas separá-las do resto de nós e destruí-las.
Mas a linha que divide o bem do mal passa pelo meio do coração de cada ser humano. E quem está disposto a destruir um pedaço de seu próprio coração?

Alexander Solzhenitsyn

2 respostas

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] Aleksandr Solzhenhytsin tinha todos os motivos para questionar a estrutura da existência quando foi aprisionado em um campo de trabalho soviético em meados do terrível século XX. Ele havia servido como soldado nas linhas de frente russas, despreparadas para a invasão nazista. Ele foi preso, surrado e lançado na prisão pelo próprio povo que ele houver defendido. Depois, foi atingido pelo câncer. Ele poderia ter se tornado ressentido e amargurado. Sua vida foi tornada miserável tanto por Stalin, quanto por Hitler, dois dos piores tiranos da História. Ele viveu em condições brutais. Vastos períodos preciosos do seu tempo foram roubados dele e desperdiçados. Ele testemunhou o sofrimento e a morte degradante e sem sentido de amigos e conhecidos. Então, contraiu uma doença extremamente séria. Solzhenytsin tinha motivos para amaldiçoar Deus. Nem Jó sofreu tanto assim. […]

  2. […] de fora, ela apareceria imediatamente do lado de dentro, novamente. Como o grande escritor russo Aleksandr Solzhenitsyn enfatizava, a linha divisória entre bem e mal passa pelo coração de cada ser […]

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