BARDO THÖDOL (A CIÊNCIA TIBETANA DA MORTE)

 

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O Bardo Thödol é uma obra que fala da concepção budista-tibetana sobre o post mortem. Foi escrito no século VII, compilado por mestres budistas. Seu conteúdo, porém, muito mais antigo, reúne crenças tibetanas sobre o que acontece depois da morte do corpo físico humano.

É um texto tido como sagrado para oTibete, cuja intenção nele contida é a de guiar a consciência de uma pessoa através de experiências a serem vividas por ela após sua Morte – intervalo este, segundo o budismo tântrico mahayana, compreendido entre a morte e o próximo renascimento. Além disso, o texto contém capítulos que abordam os sinais da morte e os rituais a serem realizados para o funeral do corpo. Seu conteúdo é fundamental para os processos de iniciação das escolas budistas tibetanas.

Também chamado de O Livro dos Mortos Tibetano, a expressão “Bardo Thödol” é mais apropriadamente traduzida como “A Libertação Pelo Entendimento na Vida após a Morte”. “Bardo” é uma palavra composta: BAR significa “Entre” ― DO, significa “Dois”.

Lama Samdup (1868-1923), que traduziu o texto para o inglês, definiu “Bardo” como “estado incerto” (intermediário), referindo-se à situação intermediária da Mônada ou espírito humano entre a vida biológica, orgânica, que chegou ao fim e o período que transcorre até o próximo renascimento. Os tibetanos e budistas são, portanto, reencarnacionistas, ou seja, acreditam na reencarnação.

A “Libertação” mencionada no Bardo Thödol relaciona-se ao fim do ciclo de reencarnações produzidas pelo carma, pelos sentimentos de culpa, pelo apego à vida. É a libertação da “roda samsárica” [ou sangsárica] que obriga o espírito a renascer em uma das seis categorias de mundos inferiores, a saber:

 

  1. mundo dos Devas (anjos na visão cristã);
    2. mundo dos Asuras (semideuses e heróis, apaixonados, sujeitos a paixões);
    3. mundo dos Humanos;
    4. mundo dos Brutos, seres inanimados e/ou imobilizados;
    5. mundo dos Pretas ou dos infelizes;
    6. mundo Rakshasas, dominados pelo ódio.

 

O Bardo Thödol é um livro de instruções que objetiva fornecer as informações necessárias para que o espírito obtenha a Libertação alcançando o “estado de Buda”, de Iluminado, habitando “Terras Búdicas”, livre da reencarnação inevitável, porém ainda capaz de voltar a viver em um dos cinco mundos de seres animados (a exceção é o mundo dos Brutos), por vontade própria, se desejar auxiliar os encarnados em seu processo de evolução.

De certa forma, o Bardo Thödol é a ciência que permite ao espírito transcender a lei do carma pelo entendimento do fenômeno da vida em sua TOTALIDADE CONTÍNUA. Um entendimento que permite superar a forte cadeia que prende o SER humano [em todas as suas manifestações] a uma existência de sofrimento: a cadeia formada pelo binômio DESEJO-CULPA.

 

OS SINTOMAS DA MORTE

Diz a sabedoria popular que “a única certeza da vida é a morte”. Com efeito, todo ser humano, às vezes na mais tenra idade, fica sabendo que, inevitavelmente, em um momento qualquer do futuro “a hora chega”, a morte virá. Tal como existem várias formas de viver, também existem várias formas de morrer.

A morte “natural”, conseqüência de doenças que provocam a falência funcional do corpo físico e as mortes “provocadas”, por assassinato, suicídio ou acidentes.

Em qualquer desses casos, morrer pode ser um acontecimento súbito (rápido, de um instante para outro) ou lento. A morte lenta envolve a experiência da agonia, processo gradual durante o qual o princípio vital (Jiva) vai, aos poucos, abandonando o organismo.

O conhecimento do Bardo Thödol é aplicável a qualquer caso, porém, no caso de morte lenta, cuja agonia pode durar horas ou dias, o livro fornece instruções que permitem ao moribundo e/ou aos circundantes reconhecer os sintomas de que se aproxima o momento do último suspiro.

São estas, em geral, as três primeiras evidências da chegada morte:

1ª) Sensação física de descompressão (“a terra se desfazendo em água”);

2ª) Sensação de frio, com a impressão de que o corpo está imerso em água, a qual se transforma gradualmente num calor febril (“a água se desfazendo em ar”);

3ª) Sensação de explosão dos átomos do corpo (“o fogo se desfazendo em ar”).

Cada sintoma corresponde a determinada alteração do corpo, exterior e visível: ausência de controle dos músculos do rosto; perda de audição; perda da visão; respiração espasmódica, antes da perda final da consciência. [SAMDUP, 2003 – p 65]

 

 

Para se aprofundar mais sobre o Bardo Thödol leia o resto do artigo BARDO  THÖDOL

 

Artigo extraído do Estudo do Livro dos Mortos Tibetano, o Bardo Thödol
edição em português de Lama Kazi Dawa Samdup

Por Lygia Cabus

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