Gargalhada - Poesia de Guimarães Rosa

      Quando me disseste que não mais me amavas, e que ias partir, dura, precisa, bela e inabalável, com a impassibilidade de um executor, dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias… Mas olhei-te bem nos olhos, belos…

Poesia de Florbela Espanca: "FANATISMO"

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver. Não és sequer razão do meu viver Pois que tu és já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida… Passo no mundo, meu Amor, a ler No misterioso livro…

Poesia de Anna Akhmatova: "O CANTO DO ÚLTIMO ENCONTRO"

Nascida em Odessa no ano de 1889, Anna Akhmatova destacou-se como uma das maiores poetas russas do século passado. Suas poesias expõem as dificuldades que obteve para escrever no período stalinista, bem como na tentativa de consagrar-se…

"Spleen" de Charles Baudelaire

É com imenso orgulho e profunda reverência que tenho o privilégio de postar e apresentar em meu site essa que, em meu entender, é a mais bela e dilacerante poesia jamais feita: “Speen” de Charles Baudelaire. Emoldurada pela interpretação…

Poesia de Paulo Monteiro: "A CONCHA DE LIZA (ECOS NO DIVÃ)"

Há dias em que me sinto estranhamente distante de mim A suspirar por vivências abstrusas que nem ouso sonhar A desejar ser qualquer um, ou alguém diferente de mim Dado às neuroses e a amores espúrios que sequer mereci Ser…

Poesia de William Buttler Yeats: "VELEJANDO PARA BIZÂNCIO"

Aquela não é terra para velhos. Gente jovem, de braços dados, pássaros nas ramas — gerações de mortais — cantando alegremente, salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas, peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente tudo…

Poesia de Cecília Meireles: "E V E L Y N"

Cecília Meireles * 17/11/1901 - Rio de Janeiro + 19/11/1964 - Rio de Janeiro Talvez a mais lírica de todos os poetas da língua portuguesa, ela própria dá as pistas para compreendermos a profundidade e a melancólica emotividade de…

Poema de Ferreira Gullar: "EXTRAVIO"

    Onde começo, onde acabo, se o que está fora está dentro como num círculo cuja periferia é o centro? Estou disperso nas coisas, nas pessoas, nas gavetas: de repente encontro ali partes de mim: risos, vértebras. Estou…
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Poesia de Carlos Drummond de Andrade: "A MÁQUINA DO MUNDO"

E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente…

"Quando vier a Primavera' - Fernando Pessoa

Quando vier a Primavera,  Se eu já estiver morto,  As flores florirão da mesma maneira  E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.  A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme  Ao pensar…