Canção no Exílio (Poesia de Gonçalves Dias)

  Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.   Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.   Em…

MEIA LÁGRIMA (Poesia de Conceição Evaristo)

    Não, a água não me escorre entre os dedos, tenho as mãos em concha e no côncavo de minhas palmas meia gota me basta. Das lágrimas em meus olhos secos, basta o meio tom do soluço para dizer o pranto inteiro. Sei…

O MUNDO DO SERTÃO (Poesia de Ariano Suassuna)

  Diante de mim, as malhas amarelas do mundo, Onça castanha e destemida. No campo rubro, a Asma azul da vida à cruz do Azul, o Mal se desmantela. Mas a Prata sem sol destas moedas perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas; e a Marca…

A Rua dos Cataventos (Poesia de Mário Quintana)

    Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha.   Hoje, dos meu cadáveres eu sou O mais desnudo, o que não…

SEM FANTASIA (Poesia de Paulo Monteiro)

      A tristeza a excruciar-me o semblante Perpassa fugidia sob o véu diáfano De uma nuvem a ocultar-se no céu A disfarçar-se com o clarão do dia Em devaneio consentido a crer-se Pierrot Histrião frustrado…

SONETO DE SEPARAÇÃO - De Vinicius de Moraes

    De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E…

PONTA DE CAIS (Poesia de Paulo Monteiro)

        Há sempre uma ponta de cais em mim Desejos no horizonte, um sol nascente E vestígios de improváveis naufrágios Que a brisa em suaves sussurros traz Há sempre um barco em cada poente A ancorar…

Gargalhada - Poesia de Guimarães Rosa

      Quando me disseste que não mais me amavas, e que ias partir, dura, precisa, bela e inabalável, com a impassibilidade de um executor, dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias… Mas olhei-te bem nos olhos, belos…

Poesia de Florbela Espanca: "FANATISMO"

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver. Não és sequer razão do meu viver Pois que tu és já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida… Passo no mundo, meu Amor, a ler No misterioso livro…

Poesia de Anna Akhmatova: "O CANTO DO ÚLTIMO ENCONTRO"

Nascida em Odessa no ano de 1889, Anna Akhmatova destacou-se como uma das maiores poetas russas do século passado. Suas poesias expõem as dificuldades que obteve para escrever no período stalinista, bem como na tentativa de consagrar-se…