CONSTELAÇÕES FAMILIARES

 

 

A vida de muita gente é marcada por situações que se repetem, cutucando aquele mesmo ponto dolorido. Vira e mexe caímos na mesma cilada, como se uma força desconhecida disparasse dentro de nós a tecla repeat. Do ponto de vista da Psicologia, caímos no mesmo buraco porque agimos em função de complexos inconscientes. “A memória de vivências que trouxeram grande sofrimento para a pessoa, que no momento não tinha condições de lidar com aquilo, é aparentemente apagada da consciência, mas fica no arquivo inconsciente”, explica a psicoterapeuta paulista Cristiane Marino. Sempre que algum evento externo tiver a menor semelhança com aquela determinada memória, esse conteúdo transborda, como para lembrar que continua vivo e atuante.

Resultado de imagem para constelações familiaresA tendência é continuar assim, até cair a ficha de que é preciso interromper esse ciclo vicioso. E a melhor maneira de desatar esses enroscos é iluminando as partes nebulosas de nós mesmos, através de algum trabalho terapêutico.

Sob a perspectiva das constelações familiares ( nome derivado do inglês constelate, no sentido de posicionar certos elementos numa dada configuração que torne a questão mais clara aos olhos de todos), os nós ocultos que governam as nossas vidas, sedimentando padrões negativos, são chamados de emaranhamentos. E podem ser desfeitos, um a um.

 

 

Resultado de imagem para constelações familiaresSegundo o criador do método, o ex-padre e terapeuta alemão Bert Hellinger, que completa 90 anos em dezembro, esses emaranhamentos acontecem quando transgredimos três leis fundamentais dos relacionamentos humanos, bagunçando a ordem do amor. São elas: precedência – sempre respeitar quem chegou primeiro ( pais são maiores que filhos, inclusive quando os progenitores se tornam idosos. Nesse caso, os filhos permanecem menores, mas, ao mesmo tempo, precisam atender às necessidades dos pais com zelo e humildade); pertencimento – todos devem se sentir parte do sistema ( ao invés de evitar o convívio com algum parente,porque destoam de nosso estilo de vida, é importante que incluí-los); equilíbrio entre dar e receber ( num casal,por exemplo, ambos devem nutrir a relação com cuidados e valorização recíprocos).

Encontrar obstruções desse tipo no histórico familiar e trazê-las à consciência, reposicionando algumas atitudes, é o objetivo do método terapêutico.

Resultado de imagem para constelações familiaresPara que o conteúdo inconsciente se revele, no entanto, é preciso que uma teia de relacionamentos fique explícita. Na terapia das constelações familiares funciona assim: um facilitador – em geral terapeuta – conduz a história de um cliente dentro de workshops onde se realizam várias constelações ( mecanismo que joga luz naquelas situações mais emaranhadas da vida de cada um). Depois de contar o que a trouxe ali e de responder perguntas preliminares sobre seu contexto familiar, a pessoa escolhe entre as pessoas no grupo aquele que irá representá-la, bem como seus entes queridos. E passa a observar a encenação ( a técnica diferencia-se do psicodrama porque os manifestantes não se manifestam livremente, apenas quando indagados pelo facilitador. Além disso, a compreensão do pano de fundo das dinâmicas familiares baseia-se exclusivamente nas três leis do amor).

Os representantes respondem como se fossem os personagens em questão a perguntas simples do facilitador.. E são convidados a dizer, de vem em quando, como estão se sentindo – se desejam rir,chorar, fazer algum movimento, se sentem dor em alguma parte do corpo, etc…. O surpreendente é que, na maioria das vezes, falas, sentimentos e gestos ali externados por pessoas completamente desconhecidas do constelantecoincidem com o jeito de ser dos entes a quem se referem. A posição dos representantes no espaço, bem como seus sentimentos e impulsos, dão pistas preciosas.

De acordo com a teoria de Hellinger, o que acontece com um membro da família inevitavelmente afeta os demais, porque todos integram a mesma rede. A dificuldade de um se reflete no outro, assim como potenciais e virtudes. Por exemplo, uma pessoa fica estagnada, em solidariedade a um parente que padeceu da mesma forma no passado. Isso ocorre porque temos tendência a fazer pactos inconscientes com nossos antepassados, mesmo os mais distantes, identificando-nos com suas dores e tentando de alguma forma expiá-las. Por isso, muitos repetem comportamentos destrutivos. Também são recorrentes tentativas de compensações motivadas pela culpa por alguma falta que acreditamos ter cometido. É o caso de um filho que se sente responsável pela tristeza da mãe e que se cobra soluções que estão muito além do seu alcance. Em ambos os casos, o problema de fundo é uma percepção distorcida da realidade. Uma vez identificado o nó, é hora de desconfundir as coisas, desmisturá-las. E de repactuar consigo mesmo algumas atitudes.

 

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Extraído  de  um  Artigo  de  Raphaela de Campos Mello, publicado na revista “Bons Fluidos”   de  Novembro, 2015

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