DISCO DO MÊS DE JANEIRO 2018

TY  SEGALL  –  “Freedom’s Goblin”

 

 

Nostalgia tem hora e vez. Sobretudo em Artes e, muito particularmente, na Música. A mim sempre me pareceu mais o cômodo refúgio de cidadãos da melhor idade que, ou pela nostalgia típica dos que recorrem às melhores lembranças de anos já vividos, ou por puro comodismo, preguiça e por se recusarem a acompanhar a evolução da música e de novos talentos, rotulam tudo o que é lançado, quando muito – e, nesse caso, esse é o maior elogio que eles se permitem fazer – como cópia esmaecida e piorada de coisas que já foram feitas no passado. Tenha dó!

Isso pode ser verdade absoluta no Brasil, e é! Mas por motivos específicos e está longe de ser uma verdade na normalidade do cenário internacional. De fato, desde que a mentalidade “esquerdista” assumiu o comando absoluto da vida brasileira e ditou as regras nas várias formas de expressão cultural, estendendo devastadoramente seus pontos de vista “igualitários” a todo o campo de atividades culturais do país e impondo o culto à vulgaridade das massas, com a anuência da mídia especializada e o apoio macaqueado da classe artística e das assim ditas “elites” nacionais, que o que se verificou no país nos últimos anos no cenário da música foi uma queda absolutamente vertical de qualidade artística e uma maciça nivelação por muito baixo, que condenou os artistas com méritos efetivos a aderirem a esse padrão ou a procurarem vender seu produto em mercados mais receptivos, como necessário recurso de sobrevivência.

Se isso é verdadeiro no cenário brasuca, está longe de ter se verificado no americano, por exemplo. Se a Billboard e o grosso da programação das TVs americanas e congêneres ainda é recheada de exemplos dessa nivelação por baixo – como, aliás, sempre foi por lá e como se verificava também no Brasil de uns 20 anos atrás, quando havia espaço para todos os tipos e qualidades de manifestações culturais, e, inclusive, dos assim nomeados na época, como “bregas– não é verdade que exista estagnação musical e que não se produza mais música de qualidade ou que não se revelem periodicamente artistas excepcionais por lá, particularmente no domínio do Rock, um dos segmentos da música popular americana.

Como é o caso, por exemplo – há vários outros, mas ficaria exaustivo nomeá-los – do jovem californiano (30 anos), Ty Segall. Artista prolífico, cantor, compositor, multi-instrumentalista e produtor musical, ele iniciou a carreira em 2008 e, após vários lançamentos (mantendo a invejável marca de um lançamento por ano, sempre com qualidade inegável), ele chega a este álbum que, ainda por cima, é duplo (está bom assim?), recém lançado, no qual ele faz um apanhado com imenso talento de todas as suas virtudes musicais. A crítica especializada americana já rotulou “Freedom’s Goblin” como uma espécie de White Album de TY Segall, tantas são as referências musicais nele contidas, que vão do hardcore explícito de “Meaning”, ao flerte com a “disco music” de “Despoiler of Cadaver”,  à levada com tintas de T. Rex de “My lady´s on fire” e ao “grunge” épico de “Alta”. Sobra espaço até para homenagear seu pet, na faixa de abertura, “Fanny Dog”, o ídolo, George Harrison em “Cry Cry Cry” e uma ode a sua mulher, Denée, na divertida “cover” do grupo Hot Chocolate, “Every 1’s a Winner”, antes de finalizar em grande estilo, à la Crazy Horse (Neil Young), na longa e empolgante “And, goodnight”.

Embora não seja um disco de fácil audição para ouvidos pouco acostumados com os rumos tomados pela música americana de qualidade feita atualmente, é sem dúvida, um lançamento de muito peso no alvorecer do ano.

 

 

Resultado de imagem para ty segall

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *