DISCO DO MÊS DE MAIO 2018

 

“Tranquility Base Hotel & Casino”  –  Arctic  Monkeys

 

 

O Arctic Monkeys é uma excelente banda britânica – e não poderia ser diferente né Luisito? – formada em 2002 e liderada pela figura carismática do vocalista e guitarrista Alex Turner.

Já lançaram seis álbuns de imenso sucesso de público e crítica e o primeiro trabalho deles, lançado em 2006, “Whatever people say I AM, that’s why I am not” é o disco de estréia que mais vendeu nas paradas de sucesso britânicas.

O grupo venceu sete prêmios Brit Awards – incluindo a categoria “Melhor Grupo Britânico” e três de “Melhor Álbum Britânico” – e foram também nomeados para três Grammy Awards. Eles ainda venceram um Mercury Prize em 2006 com seu disco de estreia. A banda já foi “headliner” de vários festivais pelo mundo, incluindo o de Glastonbury, em 2007 e 2013.

Seu sexto e recente lançamento, “Tranquility Base Hotel & Casino”, é o projeto mais ambicioso do grupo e certamente uma verdadeira obra de arte, inovadora e audaciosa, desde o projeto da capa à campanha de lançamento, que na verdade nem existiu: nem singles de trabalho, nem vídeos no youtube, nenhum teaser que tivesse trechos efetivos de música, nada. E, no entanto, o disco é um sucesso. Um espanto, de fato.

Tranquility Base é um trabalho completamente diferente de qualquer coisa que o Arctic Monkeys já fez em sua carreira. Ele se assemelha com álbuns do The Last Shadow Puppets, banda paralela de Alex Turner, mas até em relação a eles as diferenças são gritantes.

Segundo o próprio autor da obra, tudo começou quando ele ganhou um piano, e isso fica bem evidente durante as 11 canções que são construídas ao redor do instrumento, com pouquíssimas guitarras e linhas de baixo não apenas contundentes como bem altas na mixagem final.

“Star Treatment”, a famigerada faixa de abertura que fala sobre como Alex queria ser um dos The Strokes, é incrivelmente fiel ao conceito do álbum, e cria o clima de lounge e piano bar que você provavelmente encontraria assim que pisasse no Hotel e Cassino de nome Tranquility Base.

Turner disse que foi influenciado por ficção científica e Stanley Kubrick para esse álbum, e não é muito difícil imaginar que qualquer uma das canções desse disco poderiam facilmente estar em uma(s) cena(s) do clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço.

O disco todo segue essa temática de apresentar Alex Turner ponderando sobre os mais diversos aspectos da sua vida ao piano, enquanto os outros músicos parecem estar ao seu redor em uma jam, acompanhando as aventuras descritas nas canções e ajudando a criar o clima com uma cozinha afiada e, é bom ressaltar mais uma vez, pouquíssimas guitarras em evidência. Aqui, baixo, bateria e piano formam o belíssimo pano de fundo costurado nos anos 70 para a voz de Alex Turner, inconfundível, que se destaca.

É difícil separar músicas específicas de Tranquility Base Hotel & Casino, e enquanto “Four Stars Out Of Five” provavelmente seria a única com alguma chance de se tornar single, outras carregam elementos que as identificam, como a faixa título que tem a linha de baixo à frente de todo o resto, “Science Fiction” que lembra canções de filmes clássicos de terror e “Batphone”, que tem um quê das fases mais experimentais de bandas como The Beatles e é um apanhado das várias influências citadas por Alex Turner na tal lista que tinha Lô Borges.

É injusto também dizer que uma obra de arte é boa ou ruim, bela ou feia, incrível ou desastrosa, já que boa parte da experiência de uma delas está nos olhos, e nesse caso, nos ouvidos de quem a recebe. Posso lhe garantir que, pelo menos nos meus, este é um dos grandes lançamentos de 2018 e provavelmente um dos mais surpreendentes e auspiciosos da década.

 

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