Disco do Mês de Outubro 2017

 

É tempo de dinossauros!

Este mês é dedicado às Lendas do Rock! Com o lançamento de 03 discos soberbos de cantores e grupos legendários do Rock, decidimos colocar os três no panteão de melhores do mês.

Sem ter a menor intenção de ser saudosista, julgo que, de vez em quando, algumas lendas estabelecidas voltam a apresentar trabalhos amadurecidos e que merecem ombrear com os melhores trabalhos deles em sua fase áurea.

Product DetailsROBERT  PLANT  –  “Carry  Fire”

 

 

O lendário vocalista do Led Zeppelin chega a seu 11° álbum de estúdio mantendo a classe de sempre. É um disco que equilibra as várias influências constantes nos trabalhos de Plant e é esse equilíbrio que transforma Carry Fire num dos trabalhos mais ricos de Plant nos últimos anos, bem puxado para o folk, recheado de percussões e ritmos africanos e por vezes até efeitos eletrônicos. Novamente na companhia dos Sensational Space Shifters, Plant discute sobre a mortalidade em várias composições, compreendendo que apesar dos limites do corpo a mente nunca para.

A energética “New World” abusa das guitarras e é um dos pontos altos do álbum, onde ele canta com vigor sem se comprometer com nenhuma tentativa de emular a si mesmo, e é exatamente por isso que a faixa funciona. A faixa tem o espírito do Led Zeppelin e descreve um mundo fantástico de aventuras, mas do ponto de vista de um senhor experiente que sabe que, apesar de já ter vivido de tudo, sempre está aberto a descobrir o que vem por aí. E “Carry Fire” tem tudo a ver com essa proposta.

Não é novidade para ninguém o misticismo presente na obra de Plant, e ele continua em grande escala aqui. Talvez a diferença seja a intensidade com que ele mescla o velho com o novo ou como as paisagens sonoras se expandem e ficam mais dramáticas. Seja como for, é notável a percepção de como a banda se preocupa mais com o atmosfera do que com as notas e a execução em si.

É Robert Plant em sua constante jornada de (re)descobertas, celebrando o presente e respeitando o passado. Que bom que ainda existem ícones preocupados em manterem-se relevantes.

 

Product DetailsTHE  CHURCH  –  “Man Woman Life Death Infinity”

 

 

O longevo e prolífico grupo australiano liderado por Steve Kilbey retorna com mais um trabalho – o 26° da carreira – com uma nova formação na qual apenas Kilbey se mantém, carregando a tocha com o espírito sonhador e aquela atmosfera onírica que sempre caracterizou o som do The Church e que continua presente em dez ótimas canções. Destaques para “Submarine”, a excelente “For King Knife” com seus ótimos riffs de guitarra, “Before the Deluge”, “I don’t know how i don’t know” e “Something out there is wrong”. É sempre maravilhoso ter o The Church de volta e com a competência de sempre. A boa música não tem idade.

 

Product DetailsDAVID  CROSBY   –  “Sky Trails”

 

 

 

 

E é exatamente por não ter idade, que, após alguns discos sofríveis o lendário compositor, hoje com 76 anos, ex-integrante dos Byrds e do Crosby, Stills & Nash, dois dos grupos seminais do Rock, nas décadas de 1960/1970, retorna com um disco que recupera toda a inspiração e o talento desse grande expoente da música popular. Secundado por um grupo de apoio jazzístico, David Crosby desfila dez de suas mais inspiradas canções dos últimos anos, com arranjos e harmonias que remetem a Steely Dan, como na faixa de abertura, “She’s got to be somewhere” e em “Curved Air” ou em baladas folk com tintas jazzísticas como em “Before tomorrow falls on Love” e na belíssima “Here it’s almost sunset”. “Capitol” e “Somebody Home” nos fazem voltar no tempo e imaginar que estamos novamente na presença de um daqueles discos sensacionais do C, S, N & Y. Vai ver que estamos mesmo! Um disco extremamente sonhador e elegante que fará os mais saudosistas reviverem os bons tempos de Crosby, Stills, Nash & Young.

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