A EXPERIÊNCIA INDIANA: SOCIALISMOS TEÓRICOS E SOCIALISMOS EM PRÁTICA

Resultado de imagem para kevin d williamsonEste artigo é uma colagem na íntegra de textos compilados do livro “O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo” do americano, Kevin D. Williamson, professor em Nova Iorque no King’s College, vice-diretor da National Review, comentador de Política e Economia na rádio e na TV e crítico teatral, nas horas vagas, para a revista The New Criterion

Em meu entender é uma das mais esclarecedoras matérias sobre o Socialismo na teoria e o resultado de suas aplicações práticas.

 

 

A EXPERIÊNCIA INDIANA: SOCIALISMOS TEÓRICOS E SOCIALISMOS EM PRÁTICA

 

Resultado de imagem para gandhi e nehru“A índia desafia qualquer generalidade. Seu povo é bastante diverso. Sua história é uma baderna e a política caótica. A confusão desconcertante de suas cidades e povoados contêm praticamente todos os aspectos da existência humana, com o sublime e o tenebroso nunca muito distantes. Uma das grandes ironias é que a Índia já foi no passado, sinônimo de riqueza e extravagância, Avaliando sua lamentável situação antes das reformas inspiradas por Gandhi e sedimentadas por Jawaharlal Nehru, os indianos constataram que mongóis, portugueses e britânicos não tinham ido à Índia por este ser um país pobre, mas sim porque eram ricos.

Grandiosamente ricos, na verdade, sendo responsáveis por mais de 1/5 de toda a produção mundial no início do século XVIII. Nessa época, eram uma das maiores potências manufatureiras, com suas indústrias têxteis de dar inveja ao mundo. O país tinha um sistema sofisticado de bancos e finanças. Além disso, embora a repressão política e a exploração da era colonial não devam ser subestimadas, a Índia emergiu como nação independente com os benefícios do sistema britânico e padrões de legislação e administração pública a seu lado – e foi a falta de tais instituições prolíficas, como documentou Hernando de Soto em The Mystery of Capital (O Mistério do Capital), que destinou tantas outras nações à pobreza e ao fracasso. Então, por que é que a Índia empobreceu?

Resultado de imagem para hayekEnquanto os marrxistas e os críticos pós-colonialistas atribuem o empobrecimento indiano às predatórias forças coloniais britânicas, existe pouco fundamento para sustentar tal alegação. Como destacou o economista indiano, Gurcharan Das, a evidência econômica sugere que as operações coloniais da Grã Bretanha constituíram de fato um ganho econômico bruto para a Índia. O problema, como teriam previsto Hayek e Mises, era o planejamento econômico central. Os planos qüinqüenais indianos eram tão defeituosos quanto os planos soviéticos – em que se inspiraram – que se tornaram alvo de desdém e ridicularização nos anos da Guerra Fria, tanto no mundo livre quanto do outro lado da Cortina de Ferro.

                                                                                                                                                                           HAYEK

Resultado de imagem para a índia de gandhiE tudo começou pela inspiração das idéias de Gandhi. Mahatma Gandhi, um portentoso gigante moral, como a maioria dos socialistas, era no fundo um pensador moral, e não econômico. Diferentemente dos socialistas ocidentais, era bastante franco ao admitir que preferia ver indianos pobres sob o seu sistema a indianos ricos sob outro regime. O pensamento de Gandhi que pregava um sistema de povoados autossuficientes mas interligados, ficou conhecido como gram swaraje carrega consigo a marca única da imaginação moral e estética de Gandhi. Carrega também a marca de sua ingenuidade, que era voluntária e o levou a a refutar o comércio, os investimentos e a tecnologia, criando uma cultura moral e política que deixou seu povo sujeito ao empobrecimento e a uma extrema vulnerabilidade diante de vicissitudes econômicas normais que outras culturas econômicas mais sofisticadas conseguem lidar com relativa facilidade. Era especialmente hostil a investimentos em indústria e tecnologia, cainda na falácia da criação de empregos que unem o valor do trabalho ao valor dos bens produzidos pelos empregados, algo parecido com a fracassada teoria do valor-trabalho de Marx, ao interpretar equivocadamente o problema da valorização do trabalho. Ele não conseguia entender que na realização de um trabalho não há um valor inerente e que o valor do trabalho vinha do valor das coisas produzidas por esse trabalho. A preocupação de Gandhi com os pobres ao nosso redor era tão admirável quanto a de Madre Teresa. Diferentemente dela, entretanto, Gandhi teve participação na criação de um sistema desastroso de política e economia que foi especialmente devastador para os pobres.

Resultado de imagem para swadeshiA filosofia de autossuficiência de Gandhi, chamada swadeshi, evita o comércio de bens e de capital e, dessa forma, rejeita idéias econômicas fundamentais, como a divisão do trabalho e a vantagem comparativa. Como de hábito, Gandhi não deu muita atenção às conseqüências econômicas práticas de sua filosofia, concentrando-se apenas nos aspectos morais.

Resultado de imagem para ganhos do comércioNo entanto o pensamento econômico clássico – exatamente ao contrário do que pregava Gandhi – defende que, se somos bons em cultivar arroz e nossos vizinhos são bons em pescar, devemos nos especializar no cultivo de arroz enquanto eles se especializam na pesca e ambos os lados fazem comércio, resultando em mais arroz e mais peixe para todos. Ao fazer com que grupos diversos se especializem na área em que se destacam, a produtividade geral da economia aumenta e todos desfrutam um padrão mais elevado de vida. Os economistas clássicos chamam isso de “Ganhos do Comércio”. Mas Gandhi não queria nem saber: rejeitou tal conceito por motivos morais. Em vez de ajudar seu povo a prosperar, encorajou a que todos adotassem exatamente o mesmo modo de economia de subsistência. E de empobrecimento.

Certa vez, ao ser contestado por um crítico marxista militante, que lhe disse que seu espiritualismo não tinha qualquer valor econômico, por não ter nenhum sentido na linguagem da Economia, Gandhi respondeu que Economia alguma possuía valor se não tivesse um sentido moral de acordo com o espírito humano. Alguém poderia ter perguntado a ele: “De que vale sua preocupação pelos pobres, se sua filosofia os mantém em condição de pobreza? Ou, na verdade, se os deixa ainda piores do que estavam antes?”

Numa palestra de 1973 sobre a economia gandhiana, E. F. Schumacher expandiu as idéias de Gandhi, afirmando que o modelo de desenvolvimento econômico da época deixava os pobres numa situação irremediável, abandonados diante de um déficit malthusiano de recursos.

Resultado de imagem para o socialismo fabianoPor seu lado, o herdeiro político e espiritual imediato de Gandhi, Jawaharlal Nehru, voltou-se para o socialismo administrativo que esteve em voga durante seus tempos de estudante em Cambridge. Enquanto as idéias de Gandhi eram etéreas e filosóficas, formando um emaranhado nebuloso de ideais e ideologias, preconceito e superstição, as idéias de Nehru partiam de um socialismo democrático direto da Sociedade Fabiana inglesa, e  ele decisiu juntar uma base inócua do marxismo às bases morais estipuladas por Gandhi. Enquanto Gandhi falava sobre a “força da alma” e sobre o poder moral, Nehru começaria a construir um estado industrializado de aço e concreto, decretando “planos de cinco anos”, ao estilo soviético, que fracassaram exatamente como Mises e Hayek teriam previsto, e que colocaram a Índia no caminho da servidão, na medida em que a burocratização do planejamento centralizado foi acompanhada pela inevitável centralização do Poder.

Resultado de imagem para indira gandhiUma geração depois de adotar o socialismo democrático, a Índia recorreria à autocracia, e a filha de Nehru, Indira Gandhi (absolutamente nada a ver com o Mahatma – Nota do Autor), tomou posse como ditadora. Econômica e politicamente o Socialismo se tornaria um desastre para a república emergente, que levaria quase cinqüenta anos para se recuperar.

A literatura que documenta as idéias por trás do socialismo constitui uma excelente leitura – filosófica, bastante moral e séria. Ao ler as palavras de Mohandas K. Gandhi, desejaríamos de todo o coração que a essência humana de sua visão pudesse ter sido implementada sem a pauperização das próprias pessoas que sua swadeshi pretendia favorecer. Gandhi era um gigante moral, assim como Marx, a seu próprio modo, também o era: ambos tinham seus planos para transformar radicalmente o mundo, melhorando a vida dos pobres. O problema, como acertadamente apontaram os economistas austríacos, Hayek e Mises, não está bem no conteúdo do plano, e não necessariamente na carga moral dos homens que o desenvolveram, mas com o plano em si.

Resultado de imagem para cowperthwaitePor isso é que, diferentemente da Índia, Hong Kong teve muita sorte ao ter seus negócios moldados por dois homens, que não eram gigantes morais como Gandhi, por exemplo, mas entendiam bem o seguinte trecho crucial de sabedoria: “No longo prazo”, escreveu Sir John James Cowperwhaite, secretário de Finanças de Hong Kong, de 1961 a 1971, “o conjunto de decisões de homens de negócios isolados, mesmo que freqüentemente equivocadas, é menos suscetível de causar danos do que as decisões centralizadas de um governo, e certamente tais danos podem ser combatidos com maior rapidez”

E Hong Kong  essa idéia é conhecida como “não intervencionismo positivo” e forma o alicerce do sucesso econômico praticamente sem precedentes da cidade-estado. A opinião de Cowperwhaite foi ecoada por seu sucessor , Sir Charles Philip Haddon-Cave, cuja visão estava alinhada à de Hayek:

“O não intervencionismo considera a idéia de que a tentativa do governo de planejar a alocação de recursos ao setor privado (como prega a cartilha Socialista – Nota do Autor) e frustrar as operações das forças de mercado é algo normalmente infrutífero e prejudicial ao índice de crescimento de uma economia, em especial o de uma economia aberta”

Esse é o tipo de discernimento que não contém a carga moral satisfatória da visão de Gandhi ou as declarações românticas dos socialistas que, ao longo da história, afirmaram trabalhar em nome dos pobres e explorados.

Os Estados Unidos, por inúmeras razões culturais, sempre se mostraram relutantes quanto a ideologias políticas altamente romantizadas, preferindo seguir seu modelo anglo-protestante de liberalismo clássico, não muito distante do “não intervencionismo positivo” de Cowperwhaite e Haddon-Cave, Mas o país não está completamente imunizado, é claro – fenômenos como a Ku Klux Klan, o movimento de milícias, a contracultura dos anos 1960, os Panteras Negras e as comunidades utópicas que surgiram pelo território americano no século XIX são expressões políticas altamente romantizadas, assim como o foram outros desenvolvimentos mais comuns, como o “Camelot” de Kennedy, o “New Deal” de Roosevelt, a “Grande Sociedade” de Lyndon Johnson, e a facção contemporânea de direita, anticomércio e antiglobalização, associada a Pat Buchanan e à revista  American Conservative.”

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