Jóhann Jóhannsson (1969 – 2018)

 

Morreu na última sexta-feira, 09 de fevereiro, em seu apartamento em Berlim, o compositor e músico islandês Jóhann Jóhannsson  (o último nome é apenas um patronímico islandês), de causas ainda desconhecidas e com a idade precoce de 48 anos, deixando uma filha, três irmãs e seus pais. Compôs para teatro, dança, televisão e filmes. Ainda não se sabe a causa da sua morte.

 

 

Nascido em Reykjavík, na Islândia, Jóhansson iniciou sua carreira como um guitarrista de rock, em 1988, numa banda de proto-shoegaze, a Daisy Puppy Farm, que misturava a sonoridade do Joy Division e do Jesus & The Mary Chain e colaborou, como guitarrista com bandas underground islandesas como o HAM e o Olympia.

Em 2002, ele iniciou carreira solo, lançando “Englabörn”, uma suíte instrumental, neo-clássica baseada na peça teatral homônima. Jóhann compôs “Englabörn” gravando instrumentos de cordas e processando-os através de filtros digitais, que lhe permitiram desconstruir a música e reagrupá-la; o álbum continha elementos sacros, minimalismo, Satie, Purcell e os sons exóticos de Moondog misturados aos sons eletrônicos experimentais de Mille Plateaux e da gravadora Mego.

Em 2008, ele compôs “Fordlandia”, uma peça baseada no utópico plano de Henry Ford de implantar uma fazenda de plantação de borracha no nordeste do Brasil.

Quase todas as composições de Jóhannsson continham referências profundas e complexas a temas como perda, frustração e desencanto existencial; mesmo em suas participações nas bandas de início de carreira, é possível perceber traços sombrios perpassando a aparente excitação roqueira.

Em 2016, Jóhannsson assinou um contrato com a Deutsche Grammophon que visava o lançamento do seu album Orphée. Alguns dos seus trabalhos na indústria cinematográfica, que o tornaram conhecido mundialmente, incluiram a banda sonora para os filmes de Denis VilleneuvePrisoners e Arrival e para o oscarizado filme de James MarshA Teoria de Tudo, pela qual Jóhannsson recebeu indicações para o Oscar e ao Grammy e ganhou o Globo de Ouro e compôs, também, as trilhas para os filmes “Terra de Ninguém” e “Os Suspeitos”.

O compositor também foi nomeado ao Oscar de 2015 pelo filme “Sicario” e ao Globo de Ouro, ao BAFTA e ao Grammy por seu trabalho em “A Chegada”, de 2016.

No ano passado, ele trabalhou como consultor musical com Darren Aronofsky em “Mãe!”, estrelado por Jennifer Lawrence.

Jóhann Jóhannsson  estava cotado para apresentação na edição 2018 do Primavera Sound, em Barcelona. Com sua morte precoce, perdemos um dos mais talentosos e revolucionários músicos atuais. Suas composições vanguardistas e de elegíacas e sombrias belezas ficarão para sempre registradas como um marco no universo musical atual.

 

 

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