A Natureza da Natureza

 

 

Resultado de imagem para a natureza da naturezaSeria um equívoco conceitualizar a natureza romanticamente. Moradores de cidades modernas e ricas, cercados por concreto escaldante, imaginam a natureza como algo puro e paradisíaco, como uma paisagem impressionista francesa. Os ativistas ambientais, ainda mais idealistas em seus pontos de vista, vislumbram a natureza de modo harmonicamente equilibrado e perfeito, sem as perturbações e depredações da humanidade. Infelizmente, a Natureza também é feita de elefantíase e verme-da-guiné, mosquito-prego e malárias, secas que causam inanição, AIDS e Peste Negra. Não fantasiamos sobre a beleza desses aspectos da Natureza, embora sejam tão reais quanto os seus equivalentes edênicos. É pela existência de tais coisas, é claro, que tentamos modificar nosso entorno, protegendo nossos filhos, construindo cidades e sistemas de transportes, e produzindo alimentos e energia. Se a Mãe Natureza não fosse tão determinada em nos destruir, seria mais fácil existirmos em simples harmonia com seus ditames.

Resultado de imagem para a natureza da naturezaE isso nos leva a um outro conceito equivocado: que a Natureza é algo estritamente segregado de nossas construções culturais que emergiram dentro dela. A Ordem que se insere no caos e na ordem do Ser é cada vez mais “natural” conforme perdura por mais tempo. Isso porque, “natureza” é aquilo que seleciona, e quanto mais tempo uma hierarquia tem existido, mais tempo teve para ser selecionada – e para moldar a vida. Não importa se a característica é física, biológica, social ou cultural. Tudo o que importa, sob uma perspectiva darwinista é a permanência – e a hierarquia de dominância, embora possa parecer social ou cultural, está presente há cerca de meio bilhão de anos. É permanente. É real. A hierarquia de dominância não é o capitalismo. Tampouco é o comunismo. Não é o complexo militar industrial. Não é o patriarcado – aquele artefato cultural descartável, maleável e arbitrário. Muito menos uma  criação humana; não em um sentido mais profundo. Pelo contrário, é um aspecto quase eterno do ambiente e muito daquilo cuja culpa colocamos nessas manifestações efêmeras é uma conseqüência de sua existência imutável. Nós (o nós soberano, presente desde o princípio da vida) temos vivido em uma hierarquia de dominância há muito, muito tempo. Estávamos lutando por posições antes mesmo de termos pele, mãos, pulmões ou ossos. Não há quase nada mais natural do que a cultura. As hierarquias de dominância são mais velhas do que as árvores.

A parte do nosso cérebro que registra nossa posição na hierarquia de dominância é, portanto, excepcionalmente antiga e fundamental. É um sistema mestre de controle ajustando nossas percepções, valores, emoções, pensamentos e ações. Ela afeta poderosamente cada aspecto do nosso Ser, tanto consciente quanto inconsciente.

 

Jordan Peterson em “12 Regras para a Vida (Um Antídoto para o Caos)”

 

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