NICK CAVE & THE BAD SEEDS – Tour do Show “Skeleton Tree” no Espaço das Américas em S. Paulo

 

 

Depois de 29 anos sem tocar no Brasil, o cantor e compositor australiano Nick Cave se apresentou neste domingo (14 de outubro) no Espaço das Américas, em São Paulo, com sua banda The Bad Seeds (Literalmente “As sementes ruins”), finalizando a etapa do Tour do show “Skeleton Tree” pela América Latina (Shows, na Cidade do México, Santiago do Chile, Motevidéu e Buenos Aires, também).

A banda entrou no palco com 15 minutos de atraso devido à longa e demorada fila que se formou na entrada do Espaço das Américas, com “Jesus Alone” e “Magneto”, duas faixas do seu disco mais recente, “Skeleton Tree” (2016). Logo na sequência, mandou a épica “Higgs Boson Blues”, com quase dez minutos de duração. O som da casa, que soava mal equalizado, foi devidamente ajustado e a partir da faixa seguinte, “Do You Love Me?” durante a execução da qual Cave se sentou ao lado de Warren Ellis no piano, e os Bad Seeds puderam brilhar.

A banda, que começou em 1983 como um quinteto de pós-punk liderado pelo guitarrista Mick Harvey, hoje, um septeto, mais parece uma orquestra sob o arco do multi-instrumentista Warren Ellis (ex-Dirty Three), que se mostrou um selvagem com o violino, com a guitarra ou ao piano. Um espetáculo à parte. A banda operou em um crescendo constante, evoluindo de transições caóticas e propositalmente dissonantes a resoluções sublimes, como na violenta virada instrumental em “Jubilee Street”. “Uma canção sobre as coisas que não se deve fazer”, disse Nick Cave.

A caráter, todo vestido de negro, durante toda a apresentação, o ex-vocalista da banda Birthday Party (1976-1983) cantou junto à plateia, com as mãos para o alto ou segurando as mãos do público, como se fosse um guru espiritual, ou um pastor congregando seu fiel exército de acólitos. Isso ficou mais notório ainda na introdução da pungente balada “Into my Arms”, que o australiano dedicou ao país, como uma prece pelo Brasil e teve o auge na emocionante “Girl in Amber”, também de “Skeleton Tree”,  no qual ele exorciza a perda de seu filho, Arthur, que despencou de um penhasco, em Sussex, na Inglaterra, após consumir LSD.

E a purgação se consolidou por completo com a frenética “Mercy Seat”, talvez uma de suas músicas mais conhecidas. Então apresentou “Jack the Ripper” (“uma canção que eu compus em uma pequena casa na Vila Madalena”, revelou) e encerrou com a estrelar “Rings of Saturn”, somando quase duas horas e meia de apresentação. Era perceptível que o músico estava emocionado por voltar a se apresentar no país depois de tanto tempo.

Com status de rock star e com a casa, com capacidade para 8.000 pessoas, quase lotada, pôde exorcizar qualquer sombra de falta de reconhecimento que possa ter sido deixada pelos dois pequenos clubes em que tocou em 1989 e pelos anos de ostracismo na capital paulista. Nick Cave se mostrou um gigante e, diante de tamanha catarse proporcionada pela apresentação histórica, deixa o país definitivamente consagrado, além de deixar na memória dos privilegiados presentes um dos shows de rock mais fabulosos já vistos no Brasil.

 

Artigo parcialmente tirado da resenha de Carlos Messias para o UOL

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