O APAGAR DAS LUZES

 

Há uma fotografia famosa das Coreias que demonstra, na maneira mais dramática possível, a diferença entre uma economia socialista e outra capitalista. Feita à noite, por satélite, ela mostra as estradas e as cidades da Coreia do Sul tomadas de luz, que cessa de forma abrupta ao chegar à fronteira com a Coreia do Norte, coberta pela escuridão, exceto por um brilho tênue nos recintos oficiais da elite de Pyongyang (capital da Coreia do Norte)

 

 

A escuridão também está se abatendo sobre a Venezuela. Apesar de ser uma das grandes produtoras de energia do mundo, a Venezuela não consegue suprir as necessidades dos seus cidadãos. Muitos são os motivos para isso: subinvestimento crônico nas petroleiras estatais é uma delas; subinvestimento crônico nas companhias elétricas estatais é outra. O governo Chavez, incapaz de ignorar os sucessivos blecautes que, junto com a escassez de alimentos, fizeram com que muitos venezuelanos se voltassem contra ele, recorreu a algo típico dos socialistas: um plano de cinco anos. Em 2010, primeiro ano do plano, a Venezuela deveria acrescentar 5.900 megawatts de energia. O resultado alcançado foi pouco acima de 20% dessa marca.

Por que um país que produz grande parcela do petróleo mundial seria incapaz de abastecer suas próprias cidades e indústrias? Um dos motivos é que, nos últimos anos, a Venezuela resistiu à construção de usinas elétricas à base de petróleo, dando preferência às hidrelétricas, o que torna a geração de energia suscetível às mudanças climáticas. Chavez, obviamente, quer usar o petróleo do país o mínimo possível; tendo seus controles cambiais e outras regulamentações atrapalhado completamente os mercados de importação e exportação, além da economia se encontrar em frangalhos devido à sua agenda socialista, o petróleo venezuelano vendido nos mercados internacionais representa a principal fonte de moeda forte – em sua maioria, dólares dos malditos ianques – de que precisa para sustentar suas próprias operações, pagar os salários e benefícios dos apparatchiks, financiar suas aventuras no estrangeiro (como o apoio aos terroristas das FARCs na Colômbia) e pagar a Fidel Castro pelo aluguel de seus espiões. Dessa maneira, os venezuelanos não apenas sentem falta daquilo que devem importar, mas também da única coisa que deveriam ter em abundância: energia.

A escuridão que recai sobre a Venezuela é a mesma que pode ser vista à noite na Coreia do Norte. Familiar e previsível. Nós a vimos tomar um país após o outro. E a vemos prestes a tomar o nosso.

 

Kevin D. Williamson em “O livro politicamente incorreto da Esquerda e do Socialismo”

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