O BANDIDO DA LUZ VERMELHA (Filme de 1968 de Rogério Sganzerla)

 

Esta recordação sensacional me foi trazida pelo mano Eder Machado, cinéfilo, roqueiro, empresário autônomo, intelectual e DJ nas horas vagas. A Esquerda Populista Brasileira produziu um pesadelo social e econômico a que chamam de país e atende pelo nome de Brasil, à imagem e semelhança do filme de Sganzerla, de 1968.

É a vida, a realidade imitando a ficção. Sensacional radiografia de um país. Grato pelo oportunismo dessa memória Eder.

 

“Sem miséria não existe folclore e sem folclore, o que vamos mostrar pros turistas? “Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha, avacalha e se esculhamba”.

(“O Bandido da Luz Vermelha”)

 

Resultado de imagem para o bandido da luz vermelha”Com O Bandido da luz vermelha, Sganzerla quebra a imagem do marginal bonzinho, ocultando premeditada, literária e demagogicamente a problemática social. nada disso. O enfoque é antes existencial (sob um aspecto anárquico) do que qualquer outra coisa. O bandido do filme é tão-somente isto: um bandido. Safado, sem-vergonha, gosta de roubar e – mais ainda – de matar. São coisas simples. E deixa o barco correr. Não há sentimentalismos nem dramas de consciência. Um verdadeiro selvagem urbano. Simpático e asqueroso; agressivo e desapiedado. Um homem dos nossos tempos. E que tempos são esses? O bandido circula em bairro marginal de São Paulo, nos seus cabarés infectos de 3ª categoria, nos seus cinemas onde populam os homossexuais, nas suas noites de prostitutas convictas e satisfeitas (que jeito?), nos seus bilhares desocupados, nas suas ruas de miséria impudica, nas suas favelas nauseabundas onde as crianças brincam no lixo, parecendo grotescas figuras de ficção científica, nas suas viaturas policiais histéricas e impotentes, no submundo da politicalha, onde a corrupção e o crime são a tônica. Tudo coisa do nosso tempo. E que tempos são esses? O Bandido não esclarece. Constata. O Bandido não critica. Exibe sem cerimônia. O Bandido é um filme grosso. Com a existência de um marginal ou de um policial fanático (não é à toa que os dois personagens acabam mortos, lado a lado). Como a absurda verdade do subdesenvolvimento, da miséria, do crime passional, da falta de dinheiro em casa pra comprar o leite das crianças. O Bandido mergulha de cabeça no lixo e na podridão do nosso mundo. Esse mundo existe. Que mundo é esse?”

 

Carlos Frederico, O Dia, 25 de maio de 1969

 

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