O BOM MOCISMO NA ECONOMIA

 

 

Imagine que, após uma noite mal dormida e repleta de pesadelos, você acorda “mau”. Mau com “u” mesmo: uma pessoa ruim, um canalha, ou, como se dizia nas novelas, um cara frio, mesquinho e sem escrúpulos. Diante do espelho do banheiro, você promete a si próprio:

“A partir de hoje, lutarei para prejudicar os trabalhadores. Espalharei a miséria e a corrupção. Aproximarei o Brasil do Apocalipse!”

A mensagem central deste artigo é que, se você tomasse essa estranha decisão, apoiaria diversas leis e medidas econômicas que o Governo já pratica, e que têm como apoiadores justamente políticos provavelmente bem intencionados e ativistas politicamente corretos. O bom mocinho é o maior vilão da Economia brasileira.

Exemplos do estrago causado pelos heróis do mundo melhor estão por todo o lado. As Leis Trabalhistas sabotam os trabalhadores; as medidas de proteção à indústria nascente transformaram a indústria nacional num adulto mimado; as regras de proteção aos sindicatos tornaram os sindicatos irrelevantes; as leis de proteção a espécies em extinção deixam os animais ainda mais vulneráveis.

A receita testada e comprovada para enriquecer os cidadãos é apostar na especialização e no livre comércio entre os povos. Mas quem dificulta os livre comércio são em geral pessoas que acreditam estar do lado dos pobres. Vai entender!

Na verdade, o salário-mínimo, as leis trabalhistas, a ideia de que o Estado precisa intervir nas relações voluntárias dos cidadãos, nada disso ajuda brasileiros. O que torna a nossa vida melhor é o LUCRO e a vontade de botar bilhões no bolso, oferecendo coisas que interessem ou ajudem as pessoas.

É hora de jogar tomates na Economia Politicamente Correta!

No século XVIII, um professor de lógica e filosofia moral da Universidade de Glasglow dedicou a sua vida a tentar descobrir o que movia as pessoas a buscar melhorias em sua vida e na dos outros. Ele tinha que o homem tinha uma propensão natural a sentimentos morais e ao amor pelo próximo, mas achava que uma força maior levava as pessoas a se preocuparem com problemas alheios.

O nome desse filósofo escocês era Adam Smith e as conclusões a que ele chegou acabaram criando a economia moderna.

A resposta de Adam Smith cabe numa pequena palavra: LUCRO!. Mais do que por benevolência ou por amor ao próximo, as pessoas cooperam entre si porque podem obter recompensas e vantagens com isso. E assim ele descobriu o modo pelo a prosperidade emerge numa Nação. Simples assim!

Naquela época, as pessoas acreditavam que interesses próprios (egoístas) apontavam numa direção e interesses altruístas na direção oposta. Adam Smith mostrou que o Lucro operava uma mágica. Buscando realizar os próprios interesses, as pessoas eram levadas por uma mão invisível a servir o interesse público. Com essa sacada, ele virou do avesso uma ideia que, por séculos, foi uma verdade incontestável. O lucro, por muito tempo visto como pecado, tentação que fomentava conflito e ato de imoralidade, transformou-se num fator a unir os indivíduos e a levar harmonia e prosperidade a um país. Egoístas se comportavam, por causa do Lucro, como altruístas.

Enquanto você lê este artigo, uma impressionante força-tarefa de distribuição de alimentos acontece no Brasil. Ela envolve milhares de caminhões e vagões de trens, que vão distribuir produtos de subsistência por pontos de coleta em todos os estados brasileiros. Alguns participantes dessa mega-operação vão percorrer mais de 2 mil quilômetros para levar alimentos a comunidades isoladas. Participam dessa operação mais de 1 milhão de pessoas, que, só no dia de hoje, vão distribuir 120 mil toneladas de alimentos. E o que sustenta toda essa movimentação é o LUCRO!

Essa força-tarefa de distribuição de comida é uma das maiores já vistas no mundo, mas não haverá nenhuma notícia sobre ela nos jornais. O que até dá para entender, pois afinal ela não é nenhuma novidade. Ela acontece todos os dias e há um bom tempo. É simplesmente o abastecimento cotidiano de alimentos a mercados, padarias, açougues e restaurantes do país. Nenhuma obra de caridade há história do mundo combateu a fome com tanta eficácia quanto a vontade de lucrar.

Mas, ainda hoje, a ideia de Adam Smith incomoda. Muita gente ainda pensa como inquisidores medievais a enxergar o lucro como uma perversão.  E, no entanto, não há nada de errado em querer lucrar o máximo possível com um negócio. O fato de um indivíduo ter ganhado um bom dinheiro com um negócio honesto é a prova de que ele resolveu problemas, atendeu a necessidades, realizou desejos, enfim, melhorou a vida de muita gente ao mesmo tempo. O LUCRO é belo; o lucro, como diziam os pórticos de Pompeia no século I, é alegria!

 

Resultado de imagem para leandro narloch   LEANDRO  NARLOCH  (Em “Guia Politicamente Incorreto da Economia”)

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