O comunismo tem algo que ver com Putin?

 

 

Um artigo muito interessante e extremamente esclarecedor para quem queira se iniciar realmente nas intrincadas teias da geopolítica internacional, o artigo assinado pelo jornalista Pedro Tadeu para o Diário de Notícias, em Portugal, no qual o articulista esmiúça questões bastante esclarecedoras sobre a hipótese de Vladimir Putin ser ou não comunista.

Pedro Tadeu, acertadamente situa o grande líder russo atual na categoria de “líder de direita conservadora”, nunca um revolucionário ao serviço dos interesses do proletariado e dos trabalhadores. Putin serviu a ideia de unir o país em torno do orgulho patriótico, místico e historicista, dos czares à URSS, com a religião a solidificar o conceito.

A esta ideia de unidade, Putin juntou a prática de formar uma elite de magnatas capitalistas, politicamente controlados, numa economia liberal, de impostos relativamente baixos, ajudada pela exploração de vastos recursos naturais, muitos deles nas mãos do Estado. Dessa forma ele se eternizou no Kremlin.

De fato, o foco de Putin nunca foi a defesa do Comunismo. Muito longe disso, aliás, pois, melhor do que ninguém, ele sabe muito bem os horrores que o Comunismo trouxe a seu povo, mas, com certeza, não desconhece o potencial destrutivo que a disseminação de ideias marxistas pode causar no seio de nações adversárias. Sim, como bem afirma o artigo, Putin é bem mais inteligente do que a média dos líderes das potências ocidentais e, não por acaso, ex-agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos, soviético e russo, KGB e FSB, respectivamente, um currículo que por si fala de seu preparo e empenho na matéria.

Por isso, mesmo sendo conservador e até um tímido adepto do liberalismo, nem por um minuto imagine que isso signifique que a Rússia de Putin não apóie ou não esteja por trás de todo e qualquer movimento revolucionário que eventualmente ostente a ideologia comunista para seduzir e manipular as massas, mas apenas como disfarce e trampolim para alcançar o Poder e confrontar a influência das nações ocidentais lideradas pelos Estados Unidos. Sim, ela está, mas, justiça seja feita: a recíproca sempre foi verdadeira – nunca houve inocentes nesse círculo vicioso infernal – e na era Donald Trump, a resposta do bloco ocidental tem sido aberta e imediata. A confrontação entre os dois blocos antagonistas, sob o olhar sempre atento do enigma chinês, parece estar mais quente do que nunca. Mais sutil e complexa, talvez até mais disfarçada, mas nem por isso menos ameaçadora.

Como conseqüência, duas décadas de conspiração, apoio, financiamento e armamento concedido a terroristas, a fanáticos, a protofascistas, a ditadores, a oligarcas, a fundamentalistas, a traficantes, sempre em nome da defesa dos direitos humanos, numa competição entre os maiores países da Otan e a Rússia (a China tem-se afastado deste campeonato bélico), resultaram em milhões de mortos e de refugiados. E, antes que alguém queira apontar o dedo acusador exclusivamente sobre a alegada truculência de Donald Trump, relembre-se que tal política de confrontação subterrânea foi ferozmente encampada pelo governo democrata politicamente correto de Barack Obama. Bom mocismos de fachada e discursos sedutores à parte, “of course”…

Extremamente centralizador, na verdade, o atual “czar” de todas as Rússias encarna como nenhum outro o nacionalismo russo e ressuscita o velho sonho imperialista da Rússia czarista de estender o domínio e a influência russa por todo o continente europeu e oferecer uma permanente oposição à influência ocidental e á liderança americana. E é nesse contexto que devem ser consideradas as divergências surgidas com as principais lideranças ocidentais. Apenas por casualidade e conveniência, como uma contraposição à tipologia liberal/capitalista que caracteriza as nações do bloco ocidental, e é nessa “carona” oportunista que costuma embarcar a posição do peão de xadrez (ou de bispo, ou de cavalo, ou da rainha, do que você quiser denominar) russo no tabuleiro de geopolítica internacional. Jamais porque deseje ser porta-voz do marxismo. Isso seria uma afronta à sua inteligência.

Pode-se ser a favor ou contra Vladimir Putin, dependendo de qual bloco se pretenda defender, mas não há como negar que o Presidente russo, além de um patriota e feroz defensor de seus interesses nacionalistas, é um adversário temível e um Político hábil e extremamente inteligente.

 

 

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