OS SONHOS NÃO ENVELHECEM (Artigo de Paulo Monteiro)

Populares saqueiam carga de um caminhão acidentado, com motorista morto dentro

 

 

Resultado de imagem para lixo nas arquibancadasSão vídeos como esse e imagens como essas, que povoam o cotidiano de nossos jornais e inundam as páginas de todas as redes sociais, que dispensam qualquer comentário, mas que exemplificam da forma mais eloqüente e categórica por que motivo “imaginar” que possamos ter no Brasil um modelo tão idealizado e desejado por tantos como é o liberalismo assistencial que é praticado pelos países nórdicos, ou uma democracia nos moldes da supostamente praticada na Suíça, não passa de uma fantasia delirante e megalômana de gente que se recusa a por os pés no chão e a encarar com um mínimo de racionalidade a realidade que nos rodeia.

Sim, porque se sonhar é a matéria prima do Progresso da raça humana e o fermento que sempre revestiu as mais louváveis iniciativas das mentes mais iluminadas e privilegiadas que passaram por este planeta azul, é preciso entender que existe uma fronteira bem delineada a separar o sonho do delírio e a distinguir o que é fantasia daquilo que é a realidade. E que entre ambos existem vários condicionantes poderosos a separá-los, que regem e disciplinam as Leis neste Plano: Espaço, Tempo e Ação, por exemplo!

Resultado de imagem para lixo nos igarapésE, quer saber, pululam aos montões os exemplos que nos ensinam que ignorar tais condicionantes e insistir em ideologias fracassadas e utópicas é de péssimo alvitre para todos, por mais que as intenções sejam as mais humanitárias e sedutoras, na teoria. Repetir exaustivamente tais exemplos a quem se nega terminantemente a querer escutar é exercício pra débeis mentais e surdos crônicos. Quanto a ser surdo, isso daí eu assumo; mesmo assim ainda escuto o necessário e não me nego a enxergar o óbvio.
Quanto ao resto…

 

Com base nesses exemplos que infestam o nosso cotidiano e não requerem legendas adicionais, há que se considerar, em primeiro lugar, que não vivemos num espaço geográfico que tenha como característica ter sido condicionado a respeitar religiosamente os direitos da coletividade, como é o Resultado de imagem para lixo nas praiascaso dos cidadãos que nascem e vivem nos países nórdicos. Bem a propósito, recordo que, nos anos 1960, ainda quando residia e era – como sou até hoje – cidadão português, meus amigos e conhecidos invejavam a disciplina e o condicionamento cívico de nórdicos e alemães, dando o exemplo prosaico de jornais que, na Alemanha e na Holanda eram deixados nas calçadas, em pilhas, para serem comercializados – sem qualquer tipo de vigilância – apenas com um recipiente ao lado para coletar os pagamentos, e, no final do dia – espante-se! – se recolhia normalmente o pagamento correto daquilo que houvera sido vendido. Parece um absurdo e certamente será motivo de galhofa algo assim aqui pelos trópicos, mas, acredite, naquela época isso já era normal no Primeiro Mundo! Fantástico! Surreal não é?! Pois é. Mas é isso mesmo que representa o imaginarmos que estejamos perto de conseguir uma justiça social minimamente parecida com a que foi conquistada pelos nórdicos. É exatamente isso que diferencia o sonho do delírio: a concreta possibilidade de transformar um anseio em realidade!

Veja bem, estávamos num país europeu – no entanto, era um país mediterrânico, e, como todos os demais países do Sul da Europa, sem dúvida num patamar civilizacional um degrau abaixo do que se vivia no Norte do continente, naquela época – e, ademais, isso ocorreu meio século atrás, e já se constatavam diferenças civilizacionais no mesmo espaço continental! Mas, certamente, bem menores do que as que hoje separam os cidadãos do Velho Mundo daqueles do Novo Mundo, sobretudo dos situados abaixo do Trópico de Câncer. E, se não apressarmos e corrigirmos o passo, serão certamente diferenças cada vez mais pronunciadas, a cada ano que se passa. Olha aí o Espaço e o Tempo, caminhando e se alterando inexoravelmente! As Leis Cósmicas não falham jamais. Mas cadê a ação? Pelos exemplos do vídeo e das fotos, com certeza dá para afirmar que a trilha é longuíssima!

Resultado de imagem para exemplo de civilidade alemãNão tenho dados sólidos para aferir e comparar adequadamente a evolução civilizacional atual – os resultados práticos da Ação efetiva – nos diversos países do continente europeu, nem a tal me proponho, mas, pelas parcas informações que possuo, quero crer que ainda existam algumas etapas a serem queimadas e vários padrões s a serem aperfeiçoados, para que se possa reproduzir nas ruas da Baixa de Lisboa, o mesmo exemplo aqui citado dos jornais, como é praticado em Düsseldorf, por exemplo, com idêntico sucesso. Os ciclos de evolução coletiva são inexoravelmente lentos, se tomarmos como medida o espaço de uma única existência nossa. Talvez não por acaso o modelo de socialismo Fabiano puro – os social-democratas europeus – que tentam adotar por lá, patine em quase todos esses países. E, veja bem, refiro-me ao Socialismo e à Democracia na sua essência pura. Não aos projetos globalistas megalômanos de Poder e Dominação, existentes sob tal verniz.

Posto isso, voltemos então ao Brasil, o país cujo patamar civilizacional está vários degraus abaixo de qualquer padrão europeu e, caso não seja revertida corretamente a direção, se inclina para descer ainda mais ladeira abaixo: o que dizer de sonhar com padrões utópicos como esses? Quantas etapas precisaremos ainda queimar, até podermos descobrir que o que ingenuamente imaginamos ser sonho não é apenas um delírio?

Resultado de imagem para gato que dá o bote e esconde as unhasPois, por enquanto a realidade, como muito acertadamente comprovam os vídeos e imagens que ilustram este texto, nos diz que vivemos no país do individualismo exacerbado e, para piorar, do culto ao oportunismo. Aqui é o país que tem como guru a frase: “Sabido é o gato, que dá o bote – se dá bem – e esconde as unhas”! Fiados em tal exemplo edificante, existem hoje milhares – quiçá milhões – de gatos afiando as unhas, só esperando a chance de dar o bote pra se dar bem. E, de quebra, posar de S. Sebastião flechado e amarrado ao poste. Todos eles acreditando que são os únicos gatos espertos do pedaço. Já pensou quantos gatos irão sobrar ilesos depois de todas essas unhadas, depois de tanta flechada? E, olha só, esse gato não é o vizinho, não é o próximo, não são os políticos: sou euzinho mesmo.

Você, cidadão probo, educado, ordeiro e civilizado, que certamente é e se vê a anos-luz de praticar atos como esse, poderá eventualmente se perguntar: “e eu com isso”? Ocorre que, assim como os figurantes anônimos dessas imagens deprimentes, que, com uma margem de erro mínima, representam o nível educacional e civilizacional da imensa maioria do povo brasileiro, você também é brasileiro, e, como tal, co-responsável pelo que se passa no espaço comum que compartilhamos – esse país-continente chamado Brasil – quer seja por suas escolhas, seus atos, sua participação ou pela sua omissão.  Estamos todos conectados. Não há como fugir a isso. Nada pessoal, portanto, mas as imagens e os vídeos aqui reproduzidos não são pessoais: representam um coletivo impessoal.

De forma que, por enquanto, o que temos pra hoje, é que há centenas, quiçá milhares de atitudes mentais que precisam ser modificadas, mudanças estruturais que precisam ser feitas, aprendizados que precisam ser consolidados, transformações que precisam ser iniciadas individualmente por cada um de nós, etapas que precisam ser vencidas, antes de  responsabilizar alguém  – seja ele o vizinho ou a classe política, ou o “outro”, de maneira geral -, ou de entrarmos no desvairo coletivo de pleitear o que está ainda a anos-luz do nosso alcance. E, por tabela, do nosso merecimento. Afinal, não se iluda: uma coisa depende sempre da outra! Olha aí a Ação! Ação-Reação, aliás, para ser mais preciso!

Resultado de imagem para foto de militante petistaPois é! Para ter tal merecimento, todas as chaves estão inteiramente conosco e dependerão inteiramente de nossas escolhas e de nossas ações efetivas. Imaginar que haverá um Salvador da Pátria ou um Estado sapiente, justo e protetor que irá fazer o que é atribuição de todos nós, nunca resolveu, como não irá resolver jamais. Como não vai resolver adotar o modelito “glamourizado” de intelectual de “prêt-à-porter”, ou colocar o boné de pelego populista e revoltado que quer transformar o mundo, posar com barbicha de revolucionário “guevarista” e sair doutrinando teorias falaciosas e nocivas, que só alimentam seu ego, mas, na real só trazem mesmo é fome e desgraça a todos. Parafraseando o genial Paulo Gustavo, um dos genuínos comediantes extraordinários atuais: r.i.d.í.c.u.l.o.!

Como, da mesma forma, não vai resolver “satanizar” a classe política e fingir que eles são alienígenas e não brasileiros, como nós. Chega de apontar o “outro”! Apontar defeitos e irregularidades é democraticamente saudável e lícito. Daí à insistência exaustiva, naquilo que se caracteriza como “satanizar”, vai um salto imenso que se transforma meramente num artifício cansativo e egóico de autopromoção. Que, além do mais, a nada irá nos levar se tudo não começar por nós próprios!

Transformações que precisam ser iniciadas individualmente por cada um de nós.  Podemos iniciá-las lentamente, mas sempre e um passo após o outro, a cada dia. Não importa até que sejam passos tatibitatis. Não importa que nossos líderes e governantes não apenas não colaborem nesse processo, como até se esmerem em dar exemplos vergonhosos em todos os quesitos. O que importa é iniciar e andar em frente, e, aos poucos, ir formando uma corrente poderosa que, após algum tempo, força negativa alguma poderá quebrar! E que será o verdadeiro escudo que nos protegerá e inibirá qualquer negatividade, venha ela com que máscara vier: da Corrupção, da Ganância, da Hipocrisia, do Banditismo puro, da Politicagem espúria, da Desonestidade, do Atraso, da Miséria, da Ignorância ou da Inverdade!

Sim, o que importa é iniciar. Afinal, temos a Eternidade para aprender e, consola-nos saber, como bem afirma Milton Nascimento, que “os sonhos não envelhecem”. Contudo, nós sim: todos nós, brancos, negros, amarelos, homens ou mulheres, todos envelhecemos. E todos nós, indistintamente, merecemos ser felizes aqui e agora. Ou, pelo menos, deveríamos merecer uma trilha menos dolorosa e sofrida em nosso caminhar.
Mas, isso só depende de nós!

 

 

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