PAIS OU AMIGOS? (Parte 1)

 

 

Imagine uma criancinha batendo repetidamente no rosto da mãe. Porque ela faria isso? É uma pergunta tola. A resposta é óbvia: para dominar a sua mãe. Para ver se pode se safar dessa. A violência, afinal, não é um mistério. A paz, sim, é um mistério. A violência é o padrão. É fácil. A paz é que é difícil: aprendida, inculcada, conquistada. As pessoas geralmente fazem as perguntas psicológicas básicas invertidas. Por que as pessoas usam drogas? Não é um mistério. Por que não as usam o tempo todo é que é um mistério. Por que as pessoas sofrem com ansiedade? Não é um mistério. Como as pessoas conseguem ficar calmas? Eis o mistério. Somos quebráveis e mortais. Um milhão de coisas pode dar errado de um milhão de formas diferentes. Deveríamos tremer na base a cada segundo. Mas não fazemos isso. O mesmo pode ser dito sobre a depressão, a preguiça e a criminalidade.

Resultado de imagem para pais ou amigos?Se posso machucar e dominar você, então posso fazer exatamente o que quiser e quando quiser, mesmo quando você estiver por perto. Posso atormentá-lo para satisfazer a minha curiosidade. Posso desviar a atenção sobre você, posso dominá-lo. Posso roubar seu brinquedo. As crianças batem, primeiro porque a agressão é inata, embora seja mais dominante em alguns indivíduos do que em outros, e segundo porque a agressão estimula o desejo. É tolice presumir que tal comportamento precisa ser aprendido. Uma serpente não precisa ser ensinada a dar o bote. Está em sua natureza. As crianças de dois anos, estatisticamente falando, são as mais violentas. Elas chutam, batem mordem e roubam as propriedades dos outros. Fazem isso para explorar, expressar revolta e frustração e satisfazer seus desejos impulsivos. Ainda mais relevante para o nosso propósito, elas fazem isso para descobrir os limites reais do comportamento permitido. De que outra maneira conseguiriam descobrir o que é aceitável? Crianças são como pessoas cegas procurando uma parede. Precisam ir adiante e testar para ver onde, de fato, estão os limites. E tais limites raramente estão onde alguém – os pais – disse que estariam.

Uma correção consistente de uma atitude assim indica os limites da agressão aceitável para a criança. Sua ausência apenas aumenta a curiosidade e, então, a criança vai bater, morder e chutar, se for agressiva e dominante, até que algo indique um limite. Até quando posso bater na mamãe? Até que ela se oponha. Com isso em mente, quanto antes houver correção, melhor. Isto é, se o resultado final desejado pela mãe for não apanhar. A correção também ajuda a criança a aprender que bater nos outros é uma estratégia social inadequada. Sem essa correção, a criança não passará pelo processo penoso de organizar e regular seus impulsos para que possam coexistir sem conflitos com a sua psique e com o mundo social mais amplo. Não é tão simples assim organizar uma mente.

 

Resultado de imagem para jordan petersonJordan B. Peterson em “12 Regras para a Vida (Um antídoto para o Caos)”

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