PAIS OU AMIGOS? (PARTE 2)

 

 

Meu filho era particularmente genioso quando criança. Quando minha filha era pequena, eu conseguia paralisá-la apenas com um olhar bravo. Esse tipo de intervenção não sutiã efeito no meu filho. Ele conseguia dominar a minha esposa (que não é moleza) na mesa do jantar, aos nove meses. Ele lutava com ela pelo controle da colher. “Legal”, pensávamos. Não queríamos ter que dar comida em sua boca um minuto além do necessário. Mas aquele monstrinho não comia mais do que três ou quatro colheradas. Daí, ele começava a brincar. Ficava mexendo na comida no seu prato. Ficava derrubando pedaços no chão e olhando enquanto a comida caía do alto da sua cadeirinha. Sem problemas. Ele estava explorando. Mas ainda assim não comia o suficiente. Em conseqüência disso, não dormai o suficiente. E assim, seu choro da meia-noite acordava os seus pais. E eles estava ficando muito mal-humorados. Ele estava deixando a mãe frustrada e ela descontava em mim. Esse não era um bom caminho.

Resultado de imagem para pais ou filhos?Após alguns dias dessa desordem, resolvi tomar a colher de volta. E me preparei para a guerra. Reservei tempo suficiente. Um adulto paciente consegue derrotar uma criança de dois anos, por mais difícil que possa parecer. Como diz o ditado: “Velhice e artimanha sempre vencem juventude e talento.” Isso porque, em parte, o tempo é infinito, quando você tem dois anos. Meia hora para mim era o mesmo que uma semana para o meu filho. Mesmo assim, eu estava confiante da vitória. Ele era teimoso e terrível. Mas eu podia ser pior. Sentamos cara a cara, a tigela na frente dele. Era “Matar ou Morrer”. Ele sabia disso e eu também. Ele pegou a colher. Eu a tirei dele e saboreei uma deliciosa colherada de mingau. Eu a movi deliberadamente em direção de sua boca. Ele me olhou da mesma maneira que um monstrinho encara sua presa. Fechou os lábios firmemente, refutando qualquer entrada. Fiquei insistindo ao redor de sua boca com a colher, enquanto ele movia a cabeça em círculos.

Resultado de imagem para pais ou filhos?Só que eu tinha outros truques escondidos na manga. Comecei a cutucá-lo com a minha outra mão que estava livre, de forma calculada para incomodá-lo. Ele não se mexeu. Fiz de novo. E de novo. E de novo. Nada demais – mas também não ao ponto de ser ignorado. Dez ou mais cutucadas depois, ele abriu a boca planejando emitir um som de revolta. Rá! Erro dele. Habilmente inseri a colher. Ele tentou corajosamente forçar a colher invasora para fora com a língua. Mas eu sabia como lidar com isso também. Simplesmente coloquei meu dedo indicador horizontalmente sobre seus lábios. Saiu um pouco de comida. Mas ele engoliu um pouco também. Uma a zero para o Papai. Dei-lhe um tapinha na cabeça e disse que ele era um bom menino. E disse com intenção. Quando alguém faz algo que você está tentando que faça, recompense-o. Nada de mau humor, após a vitória. Uma hora depois tudo se acabou. Houve revolta. Houve um pouco de choro. Minha esposa teve que sair do cômodo. O estresse foi demais. Mas a comida foi para dentro da criança. Meu filho caiu exausto no meu peito. Tiramos uma soneca juntos. E ele gostou mais de mim após acordar do que antes de ser disciplinado.

Pais modernos morrem de medo de duas palavras geralmente usadas juntas: disciplinar e punir. Elas evocam imagens de prisões, soldados e coturnos. No entanto, a distância entre disciplinador e tirano, ou punição e tortura, é de fato facilmente atravessada. Disciplina e punição devem ser tratadas com cuidado. O medo não é de surpreender. Mas ambas podem ser necessárias. Elas podem ser aplicadas consciente ou inconscientemente, bem ou mal, mas não há como escapar do seu uso.

 

Resultado de imagem para jordan peterson  Jordan B. Peterson em “12 Regras para a Vida (Um antídoto para o Caos)”

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