PONTA DE CAIS (Poesia de Paulo Monteiro)

 

 

 

 

Há sempre uma ponta de cais em mim

Desejos no horizonte, um sol nascente

E vestígios de improváveis naufrágios

Que a brisa em suaves sussurros traz

Há sempre um barco em cada poente

A ancorar segredos que o mar embala

E tramas oníricas que a fumaça escoa

Pelas chaminés de um navio a singrar

Há sempre uma gaivota a planar no ar

Molhes de cordas e um cachorro vadio

A eternidade do que foi e no mar será

Aprisionada a desvãos de luz no cais

Há sempre esse pedaço de terra a mais

A comer qualquer ínfimo espaço ao mar

E o mar… o mar! Imenso oceano de sal

Que avaro só ousa legar-nos os sargaços

Há sempre um lar nas esquinas do cais

Uma estátua ao léu e um marujo grogue

A balbuciar promessas de voltar ao mar

Perdidas na garrafa de rum vazia a boiar

Há sempre um adeus em cada porto

Um ir e um voltar, o começo e o fim

E aonde os dois irão fundir-se em um

Na ponta nua de um cais qualquer

 

 

*** Esta poesia ganhou o Primeiro Lugar na categoria Poesias de não-residentes

no Concurso Literário de Barueri 2017

 

 

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *