QUEM É VOCÊ?

 

 

Quem é você? Você acha que sabe, mas talvez não saiba. Você não é, por exemplo, nem seu próprio mestre, nem seu próprio escravo. Você não consegue dizer facilmente a si mesmo o que fazer e forçar a sua própria obediência (mais do que consegue dizer facilmente ao seu marido, esposa, filho ou filha, o que fazer e forçar que obedeçam). Você tem interesse em algumas coisas, e não em outras. Você consegue moldar esse interesse, mas há limites. Algumas atividades sempre o engajarão, e outras simplesmente não.

Resultado de imagem para quem é você?Você tem uma natureza. Você pode fazer o papel do tirano, mas certamente se rebelará. Quão energicamente você consegue forçar a si mesmo a trabalhar e a manter seu desejo de trabalhar? Quanto você consegue sacrificar ao seu parceiro antes que a generosidade se transforme em ressentimento? O que você ama, de verdade? O que você quer, genuinamente? Antes de poder articular seus próprios padrões de valor, você deve ver a si mesmo como um estranho – e, então, deve conhecer a si mesmo. O que você considera valoroso ou prazeroso? Quanto lazer, prazer e recompensa você requer para que se sinta mais do que uma besta de carga? Como deve tratar a si mesmo de modo que não mande tudo às favas? Você poderia se sacrificar na sua labuta diária e descontar a frustração chutando o seu cão ao chegar a casa. Poderia assistir aos dias preciosos passarem. Ou você poderia aprender como instigar a si mesmo a se engajar em uma atividade sustentável e produtiva. Você pergunta a si mesmo o que quer? Você negocia justamente consigo mesmo? Ou você é um tirano, tendo a si mesmo como escravo?

Quando você deixa de gostar dos seus pais, conjugue ou dos seus filhos, e por quê? O que pode ser feito a respeito disso? O que você precisa e quer de seus amigos e de seus parceiros de negócios? Isso não é uma mera questão do que você deveria querer. Não estou falando do que as outras pessoas exigem de você, ou de seus deveres com elas. Estou falando de você determinar a natureza de sua obrigação moral com você mesmo. Deveria pode fazer parte da equação, porque você está inserido em uma rede social de obrigações. Deveria é sua responsabilidade, e você deveria cumpri-la. Mas isso não quer dizer que você deva assumir o papel de um cãozinho de colo, obediente e inofensivo. É assim que um ditador deseja que seus escravos sejam.

Resultado de imagem para quem é você?Ouse ser perigoso. Ouse ser verdadeiro. Ouse articular a si mesmo e expressar (ou pelo menos estar ciente) o que realmente justificaria a sua vida. Se você permitisse, por exemplo, que seus desejos obscuros e inconfessáveis por seu parceiro se manifestassem – se estivesse ao menos disposto a considerá-los -, pode ser que descobrisse que eles não são tão obscuros assim à luz do dia. Pode ser que você descubra que estava apenas temeroso e, assim, fingindo ser moral. Pode ser que você descubra que conseguir o que realmente deseja o impediria de ser tentado e se desviar. Você está tão certo assim de que o seu parceiro ficaria infeliz se mais de você viesse à superfície? A mulher fatal e o anti-herói são sexualmente atraentes por uma razão…

Como você precisa que as pessoas falem com você? O que precisa obter das pessoas? O que está tolerando ou fingindo gostar entre seus deveres e obrigações? Consulte seu ressentimento. É uma emoção reveladora, apesar de sua patologia. É parte de uma tríade do mal: arrogância, falsidade e ressentimento. Nada causa mais danos do que essa Trindade do submundo. Mas o ressentimento sempre significa uma entres duas coisas. Ou a pessoa ressentida é imatura, e nesse caso deveria calar a boca, parar de se lamentar e seguir em frente, ou há uma tirania em progresso – e nesse caso a pessoa subjugada tem uma obrigação moral de não se calar. Por quê? Porque a conseqüência do silêncio é pior. Claro, é mais fácil no momento ficar quieto e evitar o conflito. Mas, no longo prazo, isso é mortal. Quando você tem algo a dizer, o segredo é uma mentira – e a tirania alimenta-se de mentiras. Quando você deveria rechaçar a opressão a despeito do perigo? Quando você começa a nutrir fantasias secretas de vingança; quando a sua vida está sendo envenenada e a sua imaginação se inunda de desejo de devorar e destruir.

 

Resultado de imagem para jordan peterson   Jordan B. Peterson

em “12 Regras para a Vida (Um antídoto para o Caos)”

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