RETALHOS A GRANEL DE PAULO MONTEIRO, Parte 08: ODE À LAVA JATO

 

Inicialmente, gostaria de salientar que não tenho a menor intenção de bancar o agourento ou sequer o negativista desesperançado no que tange ao futuro da Lava Jato, e, em segundo lugar quero deixar bem claro que não estou pegando uma carona na desesperança trazida pela recente e vergonhosa decisão do Supremo Tribunal Federal que se rendeu de vez a um Congresso repleto de criminosos, para opinar com oportunismo tardio sobre esse assunto, pois faz tempo que venho cantando essa pedra que alertava sobre a possível morte gradual da Lava Jato.

http://www.cultseraridades.com.br/somos-todos-sergio-moro-ode-um-heroi-do-brasil/  

Para falar a verdade, desde que as forças ligadas à Lava Jato, qual touro furioso investindo cegamente contra qualquer luz vermelha no seu caminho, decidiram combater indiscriminadamente a Corrupção no meio Político, aparentemente sem distinguir convenientemente as matizes de vermelho do que iriam enfrentar, e muito particularmente quando optaram por confrontar o Presidente em Exercício, Michel Temer – circunstancialmente foi ele, Temer, mas o resultado seria idêntico se o nome a ocupar o cargo presidencial após o “impeachment” de Dilma Rousseff  fosse qualquer outro, independentemente das culpas que tivesse no cartório ou de qual partido representasse – e as forças por ele capitaneadas, colocando-o na mira da Lei, juntamente com a alta cúpula do PT.

Longe de minhas intenções a de querer vaticinar o fim desta que é a mais brilhante e louvável iniciativa política ocorrida no Brasil ao longo de toda a sua História. Logo eu que sou adepto entusiasta de primeiro minuto do Juiz, Dr. Sérgio Moro e de seus aliados e adepto fervoroso de suas convicções ideológicas? Mas, desde então, muito embora continuasse – e continuarei, até ao fim – apoiando os esforços da Lava Jato em sua luta para tentar erradicar o câncer da Corrupção endêmica que grassa no país, confesso que fui tomado pelo absoluto ceticismo quanto ao êxito final da operação. Por uma razão muito simples que nada tem a ver com a pureza ideológica e o acerto das intenções dos heróicos e românticos Cavaleiros da Távola Redonda da Lava Jato: ficou bastante óbvio que a Força Tarefa ousou um passo imensamente maior do que as pernas, e, pior, inteiramente fora do “timing” que seria correto. E isso quase sempre pode ser fatal!

Entenda bem: não que o atual Presidente não mereça estar sob a mira da Lava Jato, da mesma forma que toda a cúpula do PT e quase a grande maioria dos políticos mais notáveis – entenda bem, mais uma vez: mais notáveis apenas pelo destaque que ocupam nas engrenagens do Poder, algo que, em regra, significa ser diretamente proporcional aos delitos que carregam – do país. Muito menos é minha intenção levantar uma unha de um dedo mínimo que seja para defender ou proteger Michel Temer, pois, embora admire e apóie a linha de atuação de quem quer que seja que adote as atitudes políticas e os preceitos econômicos que julgo mais corretos para o país em que vivo, quando se trata de Ética e Honestidade – ou da ausência delas – não tenho absolutamente nenhum político de estimação.

Só que há mais “nuances” e armadilhas nesse quebra-cabeça político do que poderia supor a mente justiceira e obstinada, mas estritamente jurídica, que rege as decisões das forças ligadas à Lava Jato. E, com todo o respeito – pois ninguém deve ser punido por dizer aquilo que pensa; desde que o faça com todo o respeito e a vênia que nos merece a Lava Jato e/ou quando se trata de algum comentário sobre a atuação sempre heróica e digna desses paladinos da Justiça -, existem várias considerações de ordem estratégica e política que provavelmente foram ignoradas e atropeladas ao longo da atuação do grupo que ficou conhecido como República de Curitiba.

A primeira e mais evidente de todas foi ter deliberadamente atraído contra si a ira e o furor de poderosas forças do Mal (no sentido de que TODAS elas se posicionam contra os interesses da Nação), antagônicas, mas que, unidas por uma ameaça comum, passaram a atuar com um objetivo comum: o de neutralizar ou mesmo destruir a Lava Jato para garantir a própria sobrevivência. Dessa forma, uma delas que já estava praticamente nocauteada e a quem só restava o tiro final de misericórdia, que parecia iminente graças à iniciativa e aos esforços da própria Lava Jato, pôde revitalizar-se e ganhar uma sobrevida que, a manter-se pode revelar-se dramática para o futuro do país, sabendo nós a quem nos referimos e a ameaça que esse senhor representa. Esse cenário ficou bem patente no maquiavélico episódio da “armação” da JBS. A tal delação “esperta”, concatenada e com o objetivo claramente delineado de desviar o foco acusador dos holofotes para outros “artistas”, dividindo e enfraquecendo consideravelmente o poder de fogo da Lava Jato. E não é que conseguiram!

A segunda – e talvez tão importante para explicar os atuais insucessos colhidos pela Lava Jato quanto é a primeira – foi essa recusa obstinada dos cérebros pensantes da Lava Jato em perceber que, de fato, não é a Corrupção o abscesso mais nocivo a ser extirpado do nosso cenário político. Não que a Corrupção que grassa endêmica no país não seja de fato monstruosa. Não entenda errado! Ela o é e muito! Mas, a ênfase exclusiva em demonizar apenas a corrupção mais parece uma tentativa orquestrada, plantada por a quem isso interessa, de inculcar no inconsciente coletivo nacional um artifício ilusionista que crie um único e monstruoso bode expiatório e com isso desvie o foco da verdadeira matriz: o monstro esquerdista que aos poucos nos vem devorando integralmente as entranhas e que gerou todos esses abortos conceituais que vêm se sucedendo com uma freqüência cada vez mais assustadora e que nos infernizam o cotidiano.

Mas, será de fato a Corrupção o único ou até mesmo o mais nocivo dos mostrengos nesse cesto apinhado de estafermos que caracteriza o nosso cenário político? Será ela de fato a raiz dos nossos problemas? Pense bem! A Corrupção é de fato um monstro de proporções colossais, mas, apesar de sempre ter existido no país desde os tempos coloniais, ela só se tornou endêmica com os governos esquerdistas e cresceu exponencialmente com a chegada do lulopetismo ao Poder. Sejamos justos e precisos. Quem é então a raiz, a verdadeira matriz? Quer saber? Até a Corrupção é mais uma cria – provavelmente a mais vistosa, horrenda e acalentada de todas elas – da verdadeira matriz que a engendrou e a todas as suas irmãs diabólicas: o esquerdismo que foi plantado e disseminado neste país. Veja bem, eu falo esquerdismo, não apenas petismo. Amplie a sua visão, porque, honestamente, no quesito esquerdismo não dá para nomear nenhum Partido líder no Poder que seja exceção no Brasil, pois esquerdismo, radical ou moderado, é tudo o que se teve em matéria de governo nesta nação! E mesmo aqueles que não contribuíram em disseminar ativamente tais idéias, no mínimo foram omissos e coniventes com elas.

Ocorre que, infelizmente, no Brasil de hoje – e talvez em todo o mundo ocidental – a opção pelo esquerdismo oculta não apenas uma natural inclinação ideológica que significa a aceitação de vários pontos de vista divergentes, nas quais os pontos de vista de uns devem se agregar e complementar os do outro, como deveria ocorrer numa hipotética e civilizada troca de opiniões, entre seres humanos esclarecidos e bem intencionados. Afinal, ninguém é dono da verdade. No entanto, a grande verdade é que a bandeira do esquerdismo com todas as deturpações a ela agregadas – Humanitarismo, Globalismo, a Onda do Politicamente Correto, etc… -, traz embutida uma proposta totalitarista de Poder e Dominação, que no Brasil atende pelo nome de lulopetismo, na América Latina é conhecida como bolivarianismo e no restante do mundo como Marxismo Comunista. Com todas as conseqüências funestas que tal opção implica.

Se quiser se aprofundar mais sobre esse assunto e o que de fato isso significa leia a vasta literatura já existente sobre o tema, ou aguarde o livro “A Ideologia das Trevas”, um projeto de minha autoria que será editado e publicado, muito em breve, pela Chiado Editora, com sede em Lisboa (Portugal),

E, ao negar-se a distinguir claramente isso, a Lava Jato desperdiçou uma chance de ouro de cortar de uma vez por todas pelo menos a cabeça dessa Hidra amaldiçoada e, pior, criou mais um adversário temível num absoluto despropósito de “timing” e de prudência. Terá sido soberba o que os moveu? Quero crer que não e que isso possa ser mesmo creditado à juventude, ao ímpeto e à natural indignação que os absurdos descalabros cometidos pela “claque” política – como um todo – que se assenhoreou com mãos de ferro do país, causaram na mente ferreamente jurídica dos nossos heróicos paladinos, sejam a chave para entender esse erro de avaliação. Seja como for, nem o ímpeto, nem o impulso justiceiro cego, nem a temeridade podem ser considerados bons conselheiros no campo minado da Política.

E, como era de se prever, os resultados decorrentes de tal erro de avaliação, têm sido devastadores, nos últimos meses, para os interesses da Lava Jato. Particularmente quando se relembra a atuação vil e ignominiosa da maioria dos membros do STF, todos eles nomeados diretamente pelos Políticos, de ambas as facções, que estão na mira de fogo da Lava Jato. Tais insucessos culminaram recentemente com a recente e criminosa votação dos “senhores togados” – que podem ser chamados de tudo menos de Juízes – que atualmente ocupam o Supremo Tribunal Federal do Brasil, que parece querer jogar uma pá de cal nas pretensões da Lava Jato. Após essa decisão, aqueles que tinham direito a serem julgados apenas pelo Supremo, agora têm o direito de serem punidos apenas por eles mesmos. Acredite se quiser: é surreal, mas é Brasil! Com isso, a Presidente do Supremo, Ministra Carmen Lúcia, consolidou de vez o Foro Privilegiado como o Foro da Impunidade, e, numa só tacada, além de promover a impunidade eterna dos políticos corruptos, acertou uma martelada que pode ser letal à Lava Jato. Na cara de pau e com aquela falinha mansa cheia de frases de efeito que se usa para amaciar bife antes de ir para a frigideira. Já adivinhou quem é o bife dessa história? Pois é! Nós, o povo brasileiro, e, por tabela, a Lava Jato que nos representa.

Posto isso, com tal cenário sombrio a acenar-nos neste momento, acreditar que as Eleições de 2018 poderão alterar substancialmente esse panorama desolador é também um convite ao escapismo, pois sabemos que ainda não surgiu no horizonte um nome que nos inspire uma promessa de renovação equilibrada e sem radicalismos ou a certeza de que esse ranço pestilento da politicagem atual ficará apenas como uma lembrança e uma lição de aprendizado do nosso passado. Ademais, ninguém neste país ignora a carga descomunal de pessoas desinformadas ou inconseqüentes que fatalmente votarão nesses mesmos nomes já sobejamente ligados aos vícios que a Lava Jato tenta combater. E que parecem imunes a qualquer apelo no sentido de uma conscientização cívica minimamente sensata.

Imaginar que o Exército Brasileiro, como ocorreu em 1964, poderá intervir e salvar-nos dessa “alhada” infernal parece-nos, no momento, algo muito pouco provável. Primeiro, porque o cenário político atual é infinitamente mais grave, complexo, e desalentador do que o de 1964; segundo, porque, ao que consta, a infiltração maléfica atingiu alguns cérebros das nossas Forças Armadas e o próprio Exército Brasileiro não apresenta mais a unidade e coesão que tinha em 64 e terceiro, porque, convenhamos, qual o louco que ousaria voltar a mexer num vespeiro desses, sabendo que a paga poderá ser somente a ingratidão e a incompreensão quase geral, como ocorreu no passado?  Gato escaldado de água fria tem medo, amigo!

Por outro lado, confiar à Bondade da Espiritualidade os destinos da nossa Nação depois de jogar para o Cosmos uma responsabilidade que é apenas nossa, pois advém inteiramente de nossas escolhas equivocadas – e, volto a repetir, a omissão é também uma escolha – me parece mais a atitude da avestruz que enterra a cabeça na areia para se alienar do anunciado terremoto – escala dez – que se anuncia como conseqüência geológica natural de permanecer habitando em região sísmica de altíssimo risco, justo na região onde as placas tectônicas se juntam e permanecem em ativa e arriscadíssima movimentação.

Dito isso, o que nos resta então? Será intenção declarada do presente artigo, tentar conduzir todos ao niilismo e ao pessimismo generalizado, ao prever a possível morte da Lava Jato – de fato até aqui a única esperança real de começarmos a construir o país evoluído e de Primeiro Mundo em todos os aspectos que todos sonhamos – colocando em sua lápide um Epitáfio digno e condizente, mas assim mesmo um Epitáfio?

Se assim lhe parece, pode acreditar que não foi essa verdadeiramente a intenção deste artigo. Porque, em meu entender, alimentar esperança e ser otimista é uma coisa, ignorar a realidade nua e crua dos fatos que apontam claramente para o desastre é outra completamente diferente. Destarte, a pretensão deste artigo é apenas a de alertar as pessoas para o cenário sem idealizações nem escapismos que atravessamos, para que com a força e a determinação que só a clara expressão de uma vontade popular coletiva, férrea, disciplinada e expressiva possui, se consiga dar um novo alento à Lava Jato e se altere esse panorama sombrio que nos rodeia. E isso não se consegue escamoteando a verdade ou a realidade dos fatos, pois convites ao irrealismo e à utopia são tudo o que nos têm servido nossos governantes nos últimos anos e justamente o que a nação não necessita mais.

Entenda bem: as forças que enfrentamos são malignas e poderosas e não abrirão mão facilmente de seus objetivos e dos privilégios nos quais estão encasteladas. Por isso, se permanecermos na alienação, na incredulidade e na omissão, resta-nos mesmo acreditar em milagres.

No entanto, quem sabe, afinal aqui é o Brasil e dizem que Deus é brasileiro. Pode ser então, que milagres sejam mesmo como as bruxas: a gente nunca quer acreditar que elas existam, “pero que las hay, las hay”!

 

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