SEM FANTASIA (Poesia de Paulo Monteiro)

 

 

 

A tristeza a excruciar-me o semblante

Perpassa fugidia sob o véu diáfano

De uma nuvem a ocultar-se no céu

A disfarçar-se com o clarão do dia

Em devaneio consentido a crer-se Pierrot

Histrião frustrado de teatros vazios

 

A tristeza que leva a dor um passo adiante

Carrega na garupa  meu sorriso amargo

Qual mula sem cabeça de destino incerto

Barco funéreo sem moeda e sem Caronte

A transportar um polichinelo onírico

Pelo seco leito de um  burlesco Estige

 

 

A tristeza a assolar-me de rompante

Depaupera-me a resistência à exaustão

A forcejar como tenazes, inabalável

Descola o rímel, a viola, a fantasia de tule

Gruda no plasma, prolifera no hálito

E só desgarra quando do sonho não ouso lembrar

 

 

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