SOMBRA E LUZ (Parte 3)

 

 

“Devemos, então, redescobrir os valores da nossa cultura – ocultos de nós por nossa própria ignorância, escondidos no empoeirado tesouro do passado -, resgatá-los e integrá-los em nossa própria vida. Isso é o que dá o significado total e necessário à existência”

(Jordan B. Peterson em “12 Regras para a vida (Um antídoto para o Caos)”

 

É diferente manter a Ordem num planeta que era habitado por cerca de um bilhão de pessoas, que viviam relativamente isoladas, ou com esparsos, complicados e lentíssimos meios de contato entre os ocupantes de seus diversos espaços geográficos, como acontecia nos primórdios do século XIX, e manter essa mesma Ordem num planeta que hoje conta com mais de sete bilhões de pessoas – e se prevê que irá dobrar o século com cerca de dez bilhões de pessoas – globalizado pela Revolução Tecnológica e, sobretudo, a das Comunicações, algo que tornou a conexão entre esse imenso contingente de pessoas infinitamente mais próxima. Praticamente ao alcance de um clique da internet ou de um contato físico que dificilmente ultrapassará um dia de vôo aéreo (se não computarmos o tempo das escalas).

Para tentar manter a Ordem nesse mundo, agora globalizado e tornado mais “próximo” para pessoas de culturas, raças e tradições inteiramente diversas – mas, ainda assim não tão “próximo” que autorize a quebra de determinados preceitos preventivos que fujam ao bom senso ou que transgridam as necessárias regras de Ordem, de civilidade e de segurança pessoal que devem existir em cada coletividade -, tentou se criar padrões genéricos que disciplinassem as relações e o convívio entre toda essa diversidade. A esse conjunto de padrões deu-se o nome de Ideologias, quase todas elas nomeadas por um sufixo terminado em “ismo”: Socialismo, Capitalismo, Marxismo/Comunismo, Globalismo, Relativismo, Fascismo, Nazismo, Reducionismo, Fundamentalismo, Anarquismo, etc.

E, por isso, vamos denominá-las como Ideologias “istas”, porque são todas elas simplistas, reducionistas, totalitaristas e extremistas. E, por tal motivo, todas elas, ao longo da História da Humanidade, sempre foram usadas como disfarces com palavras sedutoras e melífluas – os falsos profetas mencionados pelas Escrituras e que estão aí agindo, cada vez mais atuantes, tentando fazer o Mal se passar por Bem, como previram as Escrituras – para atingir seus reais objetivos, perversos e espúrios.

Centenas de milhões de pessoas foram mortas em nome de algumas dessas Ideologias “istas”! Mas, um estudo comprovado nos diz que a partir de um determinado número de avaliação, o cérebro humano passa a perder a noção de proporções. É como se perdêssemos a capacidade de avaliar na prática os efeitos de um evento que causou seis mil vítimas, como o terremoto de 1995, em Kobe no Japão – sem dúvida uma catástrofe terrível – e outro que causou seis milhões, como o Holocausto, por exemplo. Contudo, para aquelas cinco milhões e novecentos e noventa e quatro mil pessoas a mais (veja bem e eu enfatizo graficamente: 5.994.000, para que o nosso cérebro consiga elaborar e avaliar com mais precisão a extensão dessa diferença), vitimadas pela Besta Nazista, com certeza a comparação entre esses dois números foi realmente vital. Fez toda a diferença. Faça agora esse mesmo exercício para comparar a diferença existente entre os seis milhões de vítimas do Holocausto e as estimados cem milhões de vítimas em nome da Ideologia Marxista. Teremos um número redondinho de noventa e quatro milhões de pessoas – 94.000.000 – que foram dizimadas por esse Horror.

No entanto, talvez por não conseguirem aprender com o permanente fracasso de todos esses “istas”, talvez por não conseguirem avaliar corretamente a amplitude e o horror dos números que invariavelmente vêm na esteira de tais fracassos, talvez por não conseguirem divisar uma alternativa, ou prefiram subjugar-se às soluções simplistas servidas de bandeja pelos “istas” (pensar dá trabalho) muitas pessoas ainda continuam a se deixar seduzir pela lábia deles, esquecendo que todos, sem exceção, têm a pretensão de querer substituir o conhecimento em sua integridade e tentam impor a qualquer custo o radicalismo, o totalitarismo e a sua forma exclusiva de encarar a verdade e a realidade. E pior, esquecendo que quase todas essas  doutrinas “istas” são usadas como camuflagem por pessoas inescrupulosas e ávidas de Poder, unicamente para revestir seus projetos pessoais de ganância. E nós, que apoiamos tais “istas”, apenas ingenuamente damos suporte e munição a essas pessoas.

Quanto ao Nazismo, o Supremacismo, o Anarquismo e o Fundamentalismo, não há necessidade de nos estendermos, pois todos sabem sobejamente os males causados por essas Ideologias extremistas. Elas continuam por aí tentando espalhar o Caos, mas o próprio fato de as identificarmos com clareza já traz embutido o antídoto para o Caos que carregam.

Vamos deter-nos com mais profundidade sobre aquilo que provoca a polarização e o embate de ideias no mundo moderno e o conseqüente Caos: o conflito entre Capitalismo – correntemente associado aos “direitistas” – e as Doutrinas vulgarmente denominadas como “esquerdistas”. A saber-se: o Socialismo, o Marxismo e todas as demais doutrinas “istas” pregadas pelas correntes “esquerdistas”.

Comecemos pelo Capitalismo, a opção adotada pelas sociedades ocidentais; uma solução extremista e nociva, sem dúvida, sobretudo quando não consegue conter a ambição humana nos limites que a separam e diferenciam da ganância pura, mas que, apesar disso, promove a distribuição de alguns benefícios advindos da abundância. Sim, porque, por mais que tentem maliciosamente provar o contrário, sempre haverá algum ganho para todos na abundância,  mas, certamente, pouco haverá para ser repartido, a não ser fome, miséria e desgraça, sob o domínio da escassez para grande parte das coletividades sujeitas às regras esquerdistas. E foi essa abundância trazida pelo capitalismo – mal grado seus muitos defeitos – que, inquestionavelmente, conduziu todas as nações que o adotaram a um estágio de muito maior prosperidade, com todas as benesses daí resultantes; essa é uma constatação óbvia e inegável: pouquíssimas pessoas, realmente isentas, ousarão discordar disso. Basta viajar e comparar – algo não tão impossível no mundo globalizado e tornado próximo dos tempos modernos – para constatar essa verdade. Além disso, convenhamos, sempre é melhor ser infeliz com algum bem estar financeiro do que sê-lo na miséria e na desgraça. Para não prolongar uma discussão que não é o verdadeiro motivo deste artigo, resta acrescentar que não é da fonte capitalista que partem as ideias que visam a instalar o Caos, na atualidade. E é exatamente esse o foco destes artigos: mostrar aonde se originam essas sementes de discórdia.

Posto isso, passemos a analisar os “istas” associados ao “esquerdismo”: Socialismo e Marxismo/Comunismo, tudo na mesma panela, porque um leva inevitavelmente ao outro – dito por eles próprios – e imaginar que haja profundas diferenças entre ambos é mais um sofisma criado para ajudar a perpetuar a Mentira. Não que condenar explicitamente alguns preceitos básicos do esquerdismo signifique necessariamente em fazer a apologia da corrente contrária. Não é essa a intenção. Não que se pretenda, da mesma forma, incorrer no erro de apresentar uma visão maniqueísta do mundo. Sabemos perfeitamente que todos os fenômenos existentes no mundo físico são revestidos pelas várias gradações de Sombra e Luz e sabemos também que todos os seres humanos carregam dentro de si as sementes do Bem e do Mal. Significa apenas identificar a origem e a natureza de todas as distorções que lançaram deliberadamente o Mundo na confusão, na inversão absoluta de valores e no conseqüente Caos, à Luz dos princípios imutáveis do Bem e da Ordem. Significa tentar identificar quem está conscientemente lançando mão de tais sementes da desordem e de explicar as razões pelas quais elas estão sendo deliberadamente disseminadas, pois a origem de tais distorções tem uma autoria perfeitamente visível e determinada. E calar-se perante a gravidade dessas movimentações caóticas e maléficas não é uma opção.

“Quando você tem algo a dizer, o segredo é uma mentira – e a tirania alimenta-se de mentiras”. (Jordan Peterson)

Posto isso, comecemos pelo Relativismo, regra de cabeceira de todos os “esquerdistas”, pela qual eles afirmam que a Moralidade é relativa, um mero “julgamento de valor” pessoal. “Relativo significa que não há certo ou errado absolutos e que a moralidade e as regras a ela associadas são apenas uma questão de opinião ou casualidade pessoal, “relativo” a uma estrutura específica, como a etnicidade, a criação ou a cultura e o momento histórico nos quais cada um nasce. De acordo com esse argumento (agora uma doutrina) a história ensina que religiões, tribos, nações e grupos étnicos tendem a discordar sobre questões fundamentais – e sempre discordaram.

Hoje, a esquerda pós-modernista alega que a Moralidade de cada grupo não é nada além da tentativa de exercer poder sobre outro. Portanto, o mais decente a ser feito, uma vez que se torna evidente que os valores morais que você sua sociedade defendem são arbitrários, é demonstrar tolerância com as pessoas que pensam de modo diferente e que vêm de contextos distintos” (Jordan Peterson)

Nada errado com a premissa e a essência de tal ideia. A História nos prova a cada momento que boa parte dos conceitos ligados à Moralidade são de fato relativos, exatamente como afirmam os “esquerdistas” e como prega o Relativismo. Nada errado, com a tolerância pelas diferenças, sejam elas quais forem. É sempre louvável, não apenas a tolerância, mas até a defesa de minorias secularmente oprimidas. Nada errado quando se contesta a rigidez de determinados conceitos e procedimentos, tornados obsoletos e anacrônicos e se luta para substituí-los por outros mais arejados e condizentes com a evolução dos costumes. Afinal, a evolução, como o próprio nome indica, é contrária à estática. Contudo, essa é apenas a isca, a premissa inicial, sedutora, mas traiçoeira, com a qual essas Ideologias tentam aliciar as massas. Esse é o disfarce com que a Mentira tanta passar-se por Verdade.

Tudo errado com as conclusões a que elas chegam. Tudo errado quando se tem a pretensão de transformar isso em Doutrina ou em nome de uma Ideologia, se pretende deturpar conceitos sempre justos, corretos e imutáveis, erigidos pela Ética do respeito e do Amor ao próximo (um Amor que deve, necessariamente, começar por si próprio, que é o mais próximo) e/ou os princípios solidamente estabelecidos pelo conhecimento científico. E, ao fingir adotar a tolerância como dogma, caem tais “doutrinadores” na contradição do autoritarismo ideológico. Tudo errado quando incentivados por tais ideologias se tenta “empacotar” as nuanças sutis e a extrema complexidade da existência em caixinhas, como pregam as bandeiras do Reducionismo e do Globalismo. Tudo errado quando se tenta impor com autoritarismo esse “pacote” em nome daquilo que a conveniência de alguns acha “justo e correto”.  Os caminhos das verdades nunca são os mais curtos, nem têm atalhos movediços e traiçoeiros. E jamais são impostos: sempre são colocados sob o tirocínio do Livre Arbítrio de cada um. Tudo errado, finalmente, quando em nome de tal crença ideológica se invertem valores sedimentados pelos ensinamentos de grandes homens: filósofos, sábios, pensadores, humanistas, ou simplesmente espíritos iluminados e evoluídos que nos legaram conhecimentos alicerçados por princípios imutáveis da Harmonia. Não se joga pelo ralo impunemente a grandeza desse Patrimônio!

Doutrinas Relativistas, Reducionistas e Globalistas, em suma, são todas simplistas e extremistas. Todas elas apelam para sofismas ardilosos e traiçoeiros. Sofismas são argumentos ardilosos e enganadores, que parecem fazer sentido, mas estão errados. Suas conclusões são erradas. E certamente são essas ideias por eles defendidas, todas elas sustentadas por sofismas, que estão tentando lançar o mundo no Caos, nem que para tal os que as defendem precisem aliar-se a fundamentalistas, terroristas, extremistas e demais forças de similar sintonia, pois, na verdade, o Caos não tem bandeira específica: apenas se utiliza daquelas que circunstancialmente melhor sirvam a seus objetivos. Qual a intenção? Pense, reflita. Chama a atenção que todas essas doutrinas deturpadoras sejam acobertadas e incentivadas exclusivamente por uma corrente ideológica, o “esquerdismo”. Por que motivo? Pense. Reflita. Chama a atenção que tais ideias tenham como alvo exclusivo e tentem minar os alicerces nos quais se sustentam as nações mais progressistas da civilização ocidental. Por que motivo? Pense, reflita. Chama ainda mais a atenção que todos os seus adeptos utilizem literalmente quaisquer táticas, vis e baixas, para tentar destruir todos os que a eles queiram opor-se e tentem com qualquer tipo de desonestidade intelectual calar a voz dos que tentam repor a Ordem e a Verdade, para impedir que seus objetivos sórdidos sejam revelados. Por que motivo? Pense, reflita!

Sim, quando as forças do Caos estão soltas e desenfreadas, como acontece em todo o Mundo ocidental, atualmente, o desafio pode ser imenso para todos nós, No entanto, lembre-se que nem todos os “istas” são necessariamente do Mal. Existem os “istas” do Bem – olha aí Sombra e Luz, inclusive nos sufixos – para contrabalançar: os Humanistas, os Liberalistas e os Espiritualistas, por exemplo.

Os Humanistas pretendem resgatar e empunhar cada vez mais alto a flâmula da Beleza, da Sabedoria e do Conhecimento (a boa Literatura, a boa Música, a Filosofia, a Psicologia, as Belas Artes, os Conhecimentos Técnicos e Científicos em contínua evolução, etc.) que nos foram deixados pelos expoentes mais privilegiados da nossa ancestralidade, para que mais e mais pessoas se sintam atraídas por suas mensagens elevadas e trilhem esse caminho com maestria e competência. E, com isso, possam expandir cada vez mais tal Patrimônio, para que gerações futuras possam ter menos sofrimento, menos dificuldade do que as que a nós atualmente se apresentam, para trilhar os caminhos da Verdade, da Felicidade e do Bem e fiquem cada vez mais imunizadas contra os apelos e tentações da Inverdade e do Caos.

Os Liberalistas (ou neoliberais, pois na verdade as ideias dessa corrente estão sendo permanentemente aperfeiçoadas, a cada momento) são uma corrente filosófica, que busca dar soluções para as questões do bem estar material e social, e para tal se baseia na livre iniciativa individual como principal âncora para atingir tal finalidade, rejeitando a interferência estatal excessiva, que julga invariavelmente corruptora, opressora e totalitarista. Não são propriamente uma Escola Econômica estabelecida, mas sim uma série de Princípios a serem aplicados na Economia. E isso os torna mais livres e flexíveis e menos dogmáticos na aplicabilidade prática de seus enunciados. Com mais liberdade para escolher sabiamente os ingredientes técnicos, justos e corretos – inclusive socialmente – que poderão levar de fato um Bem Estar material mais efetivo à maioria das pessoas.  Por isso, não os confunda com os capitalistas, apenas uma das escolas econômicas derivadas da aplicação das normas Liberais, mas certamente não a única, nem a mais perfeita e definitiva.

Finalmente, os Espiritualistas! Denominação comum às várias doutrinas filosóficas e/ou religiosas que têm como fundamento básico a afirmação da existência do Espírito (ou Alma, como algumas correntes pretendem) como elemento primordial da realidade. Apesar de haver diferenças essenciais entre as várias correntes filosóficas e/ou religiosas, todas elas, sem exceção, têm algo em comum: procuram conduzir a Humanidade aos trilhos do Bem e da Ordem. Afinal, a casa do Pai tem várias moradas, como rezam as Escrituras. Escolha aquela que mais sintoniza com suas crenças, sejam elas quais forem, e pratique a intenção da Fé.

Portanto, com a ajuda de todos esses “istas” do Bem, tente sair da inércia e da lavagem cerebral unilateral e exclusiva à qual, nós que vivemos na metade ocidental do planeta fomos deliberadamente expostos nos últimos anos pelas correntes esquerdistas e procure apoiar-se e aprofundar-se nos ensinamentos seculares, continuamente deixados à nossa disposição por esses benfeitores. Leia Thomas Mann, Osho, Goethe, Schopenhauer, Krishnamurti, Viktor Frankl, HesseGibran, Pessoa, Dostoievski, Freud, Jung, Buda, etc… e, se tiver possibilidade, não deixe de conhecer o que fala e escreve esse fabuloso escritor, Humanista e Psicólogo canadense da atualidade, chamado Jordan B. Peterson, que acaba de ter lançado no Brasil seu livro basilar, “12 Regras para a Vida(Um Antídoto para o Caos)” – que serviu de base e inspiração para este artigo e para o próximo que encerrará esta série de artigos que têm como tema os conceitos de Sombra e Luz – e dispõe de vários vídeos profundamente educativos no Youtube.

(https://www.youtube.com/watch?v=EUw6WF8Er6w )

Mas, sobretudo, releia as palavras de Cristo – o maior de todos os Humanistas, o mais iluminado de todos os Espiritualistas – e não perca nunca de vista os Princípios por Ele enunciados, que são apontados na Segunda Parte destes artigos. Verá o quão mais fácil se tornará distinguir o que é Sombra daquilo que de fato é Luz. Verá que nenhum argumento, nenhuma mentira, nenhuma doutrina ou ideologia falaciosa poderá subsistir, quando exposta à Harmonia das Leis Cósmicas da Luz. E essa é Eterna e Imutável!

 

 

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