SOMBRA E LUZ (Parte I)

 

 

“Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.”

(William Shakespeare, em “Hamlet”)

 

O artigo de autoria da Psicóloga Patrícia Gebrim, que me foi enviado recentemente por uma amiga, remeteu-me imediatamente à frase do genial bardo inglês que abre esta série de artigos, frase essa que foi posteriormente adaptada por várias escolas espiritualistas – nomeadamente o Kardecismo. Tal artigo abriu-me vasta trilha de divagações que pretendo aprofundar numa série de artigos e vídeos, todos eles encimados pelo mesmo título: Sombra e Luz.

Como acertadamente enfatiza o artigo: “Estamos vivendo um momento desafiador no mundo. A sombra veio à tona. O escondido está sendo revelado, e isso não se refere apenas à situação político-econômico-social, mas a cada um de nós.

As cartas estão na mesa e as sombras estão de fato presentes de forma cada vez mais clara e ameaçadora. Resta-nos percebê-las, ou tentar iluminá-las com um pouco mais de claridade para tentar ajudar quem ainda não as percebeu, pois de fato elas estão aí perfeitamente visíveis para quem estiver com a mente e o coração abertos para enxergá-las.

Por isso, que uma coisa fique bem clara, de antemão: este e os demais artigos que pretendo escrever destinam-se a primordialmente a quem está aberto para respeitar as escolhas alheias, mas queira enxergar, se necessário um pouco além de suas próprias concepções, e tentar se aprofundar nas reflexões a que os tempos que vivemos necessariamente nos conduzem. E queiram expandir a sua visão. Aqueles que de caras não desejam enxergar por não lhes convir, têm tal direito garantido pela Lei Universal do Livre Arbítrio de assim proceder. E sigam seu próprio caminho.

Cada um tem seu próprio tempo e escolhe sua própria trilha.

Por que a cada um de nós, como explica divinamente bem o artigo, resta-nos aceitar o do outro, sem julgamentos e seguir o nosso próprio caminho. O que é dos outros, é dos outros. “Só podemos limpar a sujeira que enxergamos”. Só podemos “ser a Luz que somos. Não importa a sombra que nos rodeie”. Essa Sombra não nos pertence e não temos controle algum sobre ela. A não ser que por um inútil e condenável exercício de egolatria ou de autopromoção, tentemos combatê-la à força, o que certamente revelará considerável miopia e pouca inteligência emocional, pois a prática contumaz de tal atitude só nos tem provado a inutilidade, quando não a terrível nocividade de tal atitude, que está plantada na raiz da maioria dos conflitos, tantas vezes devastadores e sangrentos, que dividem a Humanidade, caso você queira ampliar exponencialmente a sua visão e transpuser tal comportamento de confrontação para o coletivo.

Entenda: expor sempre que necessário essa Sombra, de acordo com os preceitos da fraternidade e da civilidade é um direito e um dever de todos nós. Mas, existe um limite e um posicionamento correto para isso. A obstinação radical, a ofensa pessoal e a confrontação beligerante significam usar as mesmas armas e igualar-se no mesmo plano equivocado e pouco evoluído. “Apenas aprofundam esse véu de separatividade e cegam a todos nós”. Faça uma escolha correta e a seu favor, portanto.

Estamos aqui para manifestar nossa Luz. Uma única vela acesa rompe a escuridão”.

E várias velas acesas certamente farão uma procissão de Luz, que gradualmente irá iluminar os caminhos da Humanidade.

No entanto, deixarei para quem possui muito mais competência, empenho e prática do que eu, nessa trilha da evolução e do aperfeiçoamento individual, as implicações pessoais mencionadas na última parte da frase e tentarei me concentrar ao longo de vários artigos nos aspectos mais gerais e coletivos, assim como nos desdobramentos múltiplos e fascinantes a que a frase nos conduz.

Deixando bem claro que esse “oculto” – que pode bem ser descrito como “obscuridade”, ou “semi-obscuridade”, ou “penumbra”, dependendo da perspectiva mais ou menos distanciada (ou despreparada) com que tem sido encarado por grande parte da Humanidade – sempre esteve mais visível e acessível para uma minoria mais esclarecida, por mérito de suas próprias escolhas pessoais, quero salientar a necessidade premente de aproximar esse “oculto” do nosso cotidiano,

Tal necessidade ocorre não apenas pelas exigências da própria Trilha Evolutiva Coletiva que a cada momento – minuto, dia, anos ou séculos, dependendo de nossas escolhas – mais joga Luz em aspectos que permaneciam nas Sombras, mas porque os tempos que vivemos assim o sinalizam e determinam.

Controlar a velocidade desse avanço certamente vai do nosso Livre Arbítrio pessoal e/ou coletivo. Sempre estará em nossas mãos apressar ou retardar tal evolução. Mas, diga-se enfaticamente que percorrer essa trilha de evolução é algo inexorável perante a Realidade Atemporal Cósmica e uma exigência das imutáveis Leis de Harmonia Cósmica que transcendem a nossa vontade e as nossas escolhas. E força alguma poderá a Isso se opor. Apenas tentar retardar.

Posto isso, é em função da inevitável, embora lenta evolução coletiva da Humanidade, que os tempos de transição que atravessamos e para os quais fomos alertados desde tempos imemoriais pelas antigas Escolas de Mistérios demonstram claramente a proximidade cada vez maior entre o nosso mundo visível e o Invisível. Aquela névoa de distanciamento e a relativa separatividade entre esses mundos, aquela modorra de lenta mutabilidade, essas percepções a que fomos acostumados outrora e que condenavam os estudiosos do “oculto” e do esoterismo como seres algo exóticos, lunáticos e alienados deste mundo prático, estão cada vez mais se dissipando e em uma velocidade que poderíamos classificar como quântica e absolutamente fenomenal. E precisamos começar a nos acostumar com essa proximidade e decodificar os sinais que estabelecem a comunicação correta entre esses mundos. As polaridades são as mesmíssimas que existem no nosso Plano terrestre: Positiva e Negativa, e as sintonias, em baixo como em cima, também são as mesmas e dependem todas das escolhas que fizermos e das ações que praticarmos.

Contudo, os órgãos e instrumentos de intercâmbio de que nós espíritos encarnados vivenciando uma experiência material dispomos para tentar trafegar por esse mundo invisível dificilmente serão os nossos limitados 05 Sentidos. Esse é o salto no escuro, com a ausência plena dos Sentidos Físicos, que todos nós precisaremos efetuar algum dia. Não existe rede de segurança nessa hora. Nem Inteligência, nem Racionalidade, nem Sapiência, nem Esperteza, sequer Sensibilidade. É apenas você e sua coragem. Ou a sua Fé, se preferir assim.

E o tempo urge, pois os eventos se precipitam e com ou sem a sua compreensão, com ou sem a sua aprovação, com ou sem o seu conhecimento, a interpenetração entre ambos os mundos, que sempre aconteceu, está cada vez mais visível e atuante. E você dificilmente conseguirá ter uma visão clara de tudo o que está acontecendo no mundo material ao seu redor – ou no mínimo, sua visão se restringirá à estreiteza do que você se permite abarcar – por mais inteligente, informado e preparado que seja, por mais que se aprofunde no estudo e esteja focado na observação das ocorrências, por mais que se informe, estude e destrince as complexas teias que compõem o mundo moderno, por mais que aprimore sua sensibilidade e seus sentidos físicos – se, no final, continuar a imaginar que exista uma separatividade absoluta entre o visível e o invisível. Algo que só existe na sua percepção limitada. E, dessa forma, dificilmente poderá ter uma concepção clara e perfeitamente esclarecida da realidade bem mais ampla e abrangente que vivemos neste mundo físico que nos rodeia e dos eventos que nele estão ocorrendo e nos afetam a todos.

Sem essa chave, sem tal compreensão, sempre haverá algo por explicar, uma imensa lacuna por completar e sempre faltará um elo que possa cimentar solidamente qualquer tese filosófica ou sociológica, por mais brilhante que seja, ou que a visão exclusivamente materialista queira criar.

Lembre-se: “Esta é a última tentativa da Sombra de nos afastar de nós mesmos. Temos um Poder imenso e tudo pode se transformar se formos sábios e corajosos para fazer a única coisa que nos cabe.

Não se deixe iludir pelo que vê à sua volta. Respire. Faça o seu melhor. Vibre a Luz que você é.

E confie!”

Seja sempre a Dualidade – matéria e espírito – que você é!

Almas são como velas: acendem-se umas nas outras

 

*** Não é Novela, mas Continua no próximo Capítulo

 

 

 

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