Strindberg e a dimensão do homem

 

Resultado de imagem para August StrindbergAugust Strindberg, conhecido escritor e dramaturgo sueco (1849/1912), que após conquistar fama e estabilidade financeira, mergulhou em uma aventura existencial, lutando contra o seu anjo particular; experiência que o levou à miséria material e ostracismo social. Rompeu seu casamento, bem como outros laços sociais para dedicar-se, quase anonimamente, à alquimia e às pesquisas no campo espiritual. Esta trajetória esta relatada em dois livros escritos mais ao final de sua vida: “O Inferno” (que apresenta no prefácio a peça ‘Coram Populo! De creatione et Setentia Vera Mundi’) e Sozinho (Ensam em sueco).

 

 

Devo confessar que a leitura de “O Inferno” para mim foi uma iluminação. Transformou minha ótica, minha percepção, minha relação, com a matéria, com meu entorno (pessoas e coisas). Strindberg desceu ou entrou nas profundezas dos seus próprios porões fazendo um relato visceral das imagens, sombras e luzes projetadas em sua imensa caverna. A partir de minha leitura de “O Inferno” um caminho se abriu contaminando minhas fontes e certezas. O sentido da arte, seus tentáculos, sua força de entorpecimento, de iluminação ou mesmo de morte, passaram a gerar marcas indeléveis em meu espírito, absolutamente destruidoras.

Resultado de imagem para August StrindbergStrindberg atinge mortalmente as nossas certezas mais estáveis e sólidas com sua alquimia material e espiritual. O homem torna-se mínimo diante de uma natureza implacável e inexorável. Seu texto nos arrasta ao anonimato, à diluição do ego, diante dos elementos e forças irresistíveis que nos dominam e subjugam. Não se trata obviamente da subjugação religiosa ou a partir do poder humano, mas do deixar-se tragar por um fluxo universal que destrói nossa coesão. Sua leitura Solve e Coagula nosso ser em ritmos que revelam, através de finas frestas, as luzes mais leves e as sombras mais terríveis.

Hoje compartilho aqui sua pintura “A cidade” que expressa de forma inequívoca sua visão sufocadora e opressiva do espiritual sobre o espírito, da matéria sobre as coisas, da humanidade sobre o homem. Um homem esmagado por movimentos titânicos, entre o nascimento e a morte.

 

Texto inteiramente tirado do blog  : Onor Filomeno

A cidade_Fotor

Pintura: A cidade de August Strindberg

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