Uma profunda reflexão…

 

 

Já que o assunto regressou com o Ano Novo, questionemos, uma vez mais, que prudência e pudor assaltam os discípulos de Lacan quando se trata de abordar o caso Catherine Millot? Porque é que quererem abafar o fato (de discurso) de Lacan ter tido durante vários anos relações sexuais com a sua analisanda?

Resultado de imagem para lacan e catherine millotAs reações aos nossos “posts” são significativas do mal-estar causado. Regra geral os “amigos” da ACF fazem de conta que são cegos, surdos e mudos. Os poucos que ousam comentar dividem-se segundo a posição masculina e a feminina. A perspectiva masculina vai no sentido: TUDO será esquecido; a feminina é que NEM-TUDO pode ser esquecido, mas que se deve sobretudo respeitar, não só o Mestre, como os sujeitos, não entrar na sua vida privada, salvaguardar a sua intimidade, salvar o Amor, fechar finalmente os diferentes orifícios do corpo sobre as fraquezas humanas, demasiado humanas, que toda a gente, aliás, bem conhece. Há ainda os que pensam que falar do tema é apenas uma maneira escandalosa de provocar ou chamar a atenção, em razão, por exemplo, de uma incurável ferida narcisista. Balelas!

Nada nas referidas reações tem a ver com a psicanálise, com o levantamento da censura que pesa sobre a palavra e o pensamento. O primeiro Lacan dizia até que, se a psicanálise funcionasse na base do respeito pela pessoa humana, então não via porque se analisariam as resistências e se desmontariam as defesas das ditas “pessoas”.

Resultado de imagem para lacan e catherine millotDe qualquer modo não se trata de duas pessoas, mas da condição da praxis analítica chamada “abstinência”, ou seja, o dever de se abster de tudo, salvo falar livremente. Sem esta condição não há análise, mas outra coisa.

Freud não deixou de clamar que, jamais, jamais, jamais o analista deve ter sexo com a sua analisanda. Lacan diz o mesmo, por exemplo, no fim da “Lógica do Fantasma”, onde define o gabinete analítico pela preclusão [Werverfung] do ato sexual.

Este post não é, pois, moralista, nem dogmático, mas “clinico”, isto é ético. Ele apenas traduz o espanto que a larga maioria dos analistas (lacanianos) recalque o que se passou, quando a própria Catherine Millot o traz constantemente à baila e a lume. Ela precisa esclarecer isso.

Talvez idealizem demais o Mestre, ou se tenham encontrado, e atrapalhado, numa situação semelhante? Toda a gente conhece destas histórias.

Resultado de imagem para lacan e catherine millotPorque não reconhecer o fato, meditá-lo e tirar conclusões? Bastantes admitem já que Freud inventou a psicanálise sem ser analista, sem nunca ter sido analisado. Porque não admitir também que a análise de Lacan deixou muito a desejar? Este reconhecimento básico não invalida o seu ensino, o que ele foi capaz de inventar a partir dos impasses da própria análise.

Em vez de tecer grandes elucubrações de saber sobre o que devém a culpa, a vergonha a.s.o no final da análise, ou se o destino pós-analitico da pulsão não permitiria fazer do desejo do analista uma (nova) perversão, mais valeria, como faz Millot, questionar, se a introdução do Gozo do corpo na representação significante do sujeito vazio nos ensinamentos de Lacan não o levou a experimentar, no seu “laboratório”, modalidades de gozo outras que as sublimadas e as místicas? E que conseqüências teriam essas experiências para o futuro da coisa freudiana?

Como este “post”  já está demasiado longo fica por aqui…

 

 

 

Foto do perfil de Antena Do Campo Freudiano, A imagem pode conter: 1 pessoa, telefoneArtigo de  Antena Do Campo Freudiano

 

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