DISCO DO MÊS DE MARÇO 2020

“I am not a dog on a chain”  –  Morrissey

 

 

Em seu 13° álbum solo, Steven Patrick Morrissey mais conhecido por Morrissey, o lendário vocalista dos Smiths, uma das bandas seminais dos anos 80, faz jus a sua fama de ícone do rock, entregando seu melhor trabalho em anos.

O cantor que abraçou o veganismo, desde a década de 80, já divulgava o seu ativismo ao direito dos animais no disco antológico, ”Meat Is Murder”, ainda com os Smiths. Fã ardoroso do poeta e escritor, Oscar Wilde, Morrissey declarou-se bissexual em sua autobiografia autorizada, alguns anos após ter cultivado a fama de celibatário.

Esse novo trabalho, anunciado de forma pomposa pelo próprio autor, como sendo “o melhor de mim… bom demais pra ser verdade… verdadeiro demais para ser considerado bom…”, tem onze canções gravadas no Studio La Fabrique, em Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França, e produzidas por Joe Chiccarelli, habitual colaborador de Morrissey.

O que é fantástico em “Moz”, apelido carinhoso como os fãs tratam Morrissey, é que, da mesma forma que os maiores ícones do pop/rock, como o saudoso David Bowie, esse britânico de Manchester consegue repaginar-se a cada novo trabalho, jamais caindo na repetição que seu estrelato poderia prever. Mas, nesse trabalho ele abraça a modernidade absoluta, sem perder suas características básicas que o fizeram tão querido pelo seu público fiel e devoto.

De fato, desde que iniciou carreira solo, em 1988, após a dissolução dos Smiths, quando lançou “Viva Hate” e pouco depois os clássicos “Your Arsenal” (1992) e “Vauxhall and I” (1994) e, finalmente, o ótimo “You are the Quarry” de 2004, ele não tinha tido mais nenhum lançamento à altura de seu passado mitológico.

“I am not a dog on a chain” veio exatamente para nos compensar dessa lacuna. E o faz com todos os méritos.

Após a balada, “Love is on its way out”, que parece tirada do repertório de Lana Del Rey (e isso não é demérito algum…longe disso) , a primeira faixa a ser destacada é a boa “Bobby, Don’t You Think They Know?”, que tem nos vocais a classuda Thelma Houston, conhecida mundialmente pelo sucesso disco “Don’t Leave Me This Way”, que ajuda a imprimir um timbre de R&B na composição do bardo de Manchester. E o disco vai mantendo o pique lá em cima com ótimas composições se sucedendo, como a faixa título, que remete a um de seus grandes sucessos solo, “Vicar in a Tutu”, com a tipicamente “Morrissey” denominada “Whay kind of people live in these houses?” e com a surpreendente e inovadora “Knockabout World”, talvez uma das melhores do disco.

Após isso, o disco perde um pouco o pique, mas nada que comprometa o resultado final, que desde já qualifica este disco como um dos grandes lançamentos do ano.

 

MENÇÃO  ESPECIAL

 

“Traditional Techniques”  –  Stephen Malkmus

 

 

Provavelmente o fabuloso disco do ex-integrante do Pavement, um dos grupos fundamentais dos anos 90, mereceria ter ganho o título de melhor disco do mês, e, já pode ser considerado, sem sombra de dúvida, como um dos melhores lançamentos do ano. Com todos os méritos. Contudo, o Cults optou por homenagear a carreira e a figura do ex-vocalista dos Smiths, premiando o lançamento também excepcional do disco de Morrissey. Fica o registro!

 

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