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A RENÚNCIA DE SÉRGIO MORO – Artigo de Nicolas Carvalho de Oliveira

Este texto fantástico reproduz à perfeição o meu pensamento sobre o assunto e me foi enviado graças à amabilidade de  Foto do perfil de Eder Machado, Nenhuma descrição de foto disponível. Eder Machado

 

 

“Felizmente escrevi o suficiente sobre Sérgio Moro para agora não aparentar incorrer em oportunismo.

No início de 2019, comentei que a escolha de Moro para Ministro da Justiça seria positiva mais pelo fato dele transferir pro governo a sua popularidade. Referente às suas qualificações em si, pontuei que faltava a mais importante: ser conservador. Pelo mesmo defeito, isto é, pela mesma falta de conservadorismo, comentei no mesmo ano que não via com bons olhos a nomeação de Moro para o STF.

Sobre isso não lembro de ter feito nenhuma postagem pública, mas debati longamente com amigos que um dos maiores perigos do nosso futuro seria um Sérgio Moro como sucessor do Bolsonaro, pois assemelhar-se-ia a algo como você participar de todos os divertidos preparativos para uma festa de aniversário, e chegando no dia você ser barrado na entrada. Moro presidente formaria uma equipe de centro-direitistas e centro-esquerdistas. Nós, conservadores, ficaríamos de fora. Seria ”a estranha morte do conservadorismo brasileiro” (fazendo alusão ao famoso livro The Strange Death of Liberal England, quando a Inglaterra se tornou cada vez mais socialista após a Primeira Guerra). Quase um suicídio.

É claro que a falta de qualificação ideológica não anula o fato de Sérgio Moro ter sido um herói. Mas não obstante seus grandes feitos, agora ele cometeu um grande erro. Política é fardo e calvário. Disso os conservadores ideológicos sabem muito bem, até porque empreendem uma guerra soturna e deprimente para restaurar valores e instituições que provavelmente nunca mais reinarão. A deserção de Moro pode implicar em fortalecimento justamente daqueles que mais o detestam; daqueles que gostariam de vê-lo morto ou aprisionado, e agora o utilizarão como instrumento para fazer voltar ao poder aqueles que Moro prendeu.

Não diria que Moro foi fraco. Mais precisamente, é ingênuo. Abraham Weintraub e Ernesto Araújo são dois ministros que reconhecem que são meros instrumentos de algo muito maior. Não do Bolsonaro, mas de um ideal abstrato, de uma civilização morta que desejam ressuscitar. Tudo que eles fazem, eles sabem que reflete esse idealismo, essa visão de mundo.

Quanto às críticas ao que supostamente o movimento bolsonarista está se tornando, este deve ser um dos assuntos que mais debati por aqui. Quaisquer defeitos são meros efeitos colaterais do êxito por ele ter conquistado o coração das massas. Democracia universal é emoção. A razão não existe quando estamos tratando do homem-massa. A direita, na sua atual forma populista, finalmente aprendeu isso e começou a vencer o establishment e a esquerda. Estamos apenas jogando o jogo que vocês nos obrigaram a jogar. Eu particularmente sou a favor de um sistema político bem mais restritivo, com um contrapeso aristocrático, e restrições para votar e se candidatar, não muito diferente do que prega o pensamento conservador clássico de Cícero, Dr. Johnson e, pasmem, até F.A. Hayek. Foram os idiotas que criaram essa brincadeira republicana de democracia universal, e não têm sequer a honestidade de admitir os seus graves defeitos (basicamente, aquele já vaticinado por Aristóteles: o povo é irracional e movido pelo coração).

Durante todo esse atordoamento após a deserção de Moro, lembrei-me da segunda das três regras da política segundo o historiador conservador Robert Conquest, o primeiro especialista não-comunista em União Soviética e o primeiro a escrever sobre a Gulag: ”Toda organização que não é explicitamente de direita, cedo ou tarde torna-se de esquerda”. Não é que Moro seja de esquerda. Porém, a sua renuncia é mera consequência de primeiro ter renunciado ao título de direitista e conservador.

 

Nicolas Carvalho de Oliveira

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