Este artigo é uma homenagem calorosa à raça negra, sua contribuição artística e cultural à Humanidade e também uma homenagem todos os seres espirituais que neste momento cumprem sua trajetória de múltiplas reincarnações sob o manto da raça negra.

Sendo uma homenagem à raça negra, não deixa de ser, também, uma homenagem a toda a Humanidade, pois, de acordo com evidências antropológicas e segundo o relato de alguns escritos esotéricos, é a raça negra o tronco de onde se originaram as demais raças.

 

“Outside Child” –  Alison Russell

 

De acordo com as palavras da mulher negra, Canadense e descendente de escoceses e granadinos, Alison Russell, seu disco de estreia “é sobre resiliência, sobrevivência, transcendência, o poder redentor da arte, a conexão com a comunidade e a família que se escolhe”

E “Outside Child” (Criança de fora) é exatamente isso, um brado poderoso e retumbante que Alison Russell transmite em R&B onde se percebe sempre as raízes negras palpitantes, mesmo que revestidas por uma embalagem de outra cultura, em arranjos da melhor qualidade, com músicas de profunda tristeza, narrando a trajetória sofrida de uma mulher, uma musicista excelente, poetisa de mão cheia, escritora e herdeira da tradição de mulher negra e homossexual, desde o início na nativa Montreal, – também tema da comovente música bilíngue (em inglês e em francês) que abre o disco “Oh my Montreal can I dream of you tonight?” (Oh minha Montreal, posso sonhar contigo hoje à noite?), um hino de amor à cidade canadense –  seus primeiros trabalhos com uma banda local até à atual colaboração, já em Chicago e Nashville, onde hoje reside, com gente do porte de Rhiannon Giddens, Layla McCalla e Amythist Kiah. “I am a woman” (Eu sou uma mulher) brada ela na dramática “All of the Women”.

“Yeah i’m a midnight rider, stone bonafide nightflyer, I’m an angel of the morning too, the promise that the dawn will bring you”  brada a poetisa maior na maravilhosa “Nightflyer”, outro dos maiores destaques que confirmam esse talento extraordinário. Já quase no final do disco, temos a vibrante e maravilhosa “All of the Women” para deixar todos os ouvintes de alma lavada.

No final, o disco transcende a função de reclamação radical de uma infância traumática e a perda de um lar para se transformar num libelo, a luz de uma lanterna a iluminar os caminhos de sobreviventes de todas as tribos, a décima primeira hora que traz o poder transformador da arte pura, e particularmente da boa música. “Outside Child” extrai água pura dos escaninhos escuros oriundos de um passado violento. Deslumbrante.

 

 

Veja este vídeo, abrindo o controle que possibilita a leitura original da letra desta música

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