A solidão de Psiquê preocupava e entristecia seus pais, que gostariam de vê-la bem casada, como suas irmãs. Então, foram consultar um oráculo de Apolo a fim de solicitar-lhe orientação e ajuda.

Mas Eros já havia também procurado Apolo e fizera-o aliado de sua conquista amorosa. Assim, para auxiliar o companheiro do Olimpo, o deus da luminosidade ordenou oracularmente aos pais da princesa que a vestissem em trajes nupciais e a conduzissem ao alto de determinada colina; lá, uma serpente alada e medonha, mais forte do que os próprios deuses. Iria torna-la sua mulher.

A revelação do oráculo era terrível. À bela Psiquê parecia estar reservado um destino pavoroso. Embora desesperados, o rei e a rainha nada mais podiam fazer senão cumprir o que fora determinado. E como se lhe preparassem os funerais, entre lamentos e prantos, vestiram a filha para as bodas e levaram-na para a colina.

Deixada sozinha, a formosa princesa aguarda corajosamente que se cumpra seu triste destino. Exausta pela prolongada e tensa espera, adormece. E até ela chega a suave brisa de Zéfiro, que a arrebata, transportando-a adormecida a uma planície coberta de flores. Perto, correm as águas claras de um regato. Mais adiante, ergue-se magnífico castelo.

Ao despertar, encantada com o deslumbrante cenário, Psiquê ouve uma voz que a convida a entrar no castelo, banhar-se e depois jantar. Atravessando corredores e salas, a ninguém encontra. E, no entanto, sente-se como se estivesse sendo observada.

Durante o jantar, doce música a envolve – mas continua sem ver ninguém. Está aparentemente só no esplêndido palácio. No íntimo, porém, pressente que, ao cair da noite, chegará o esposo que fora prometido, a  temível serpente alada.

Realmente, ao anoitecer, dela se aproxima Eros, protegido pela escuridão. Psiquê não pode ver-lhe o rosto; nenhum temor, porém, a aflige mais: o medo é banido pelas palavras apaixonadas e pelas ardentes carícias do deus.