O que posso fazer?

A pessoa está sempre procurando incessantemente, indo de um livro para outro, de uma filosofia para outra, de um professor para outro. E o que estamos realmente procurando não é clareza, não é a compreensão do estado real da mente, mas antes buscamos formas e meios de fugir de nós mesmos. As religiões de diferentes formas mundo afora têm oferecido esta fuga, e ficamos satisfeitos em tentar encontrar um refúgio conveniente, agradável, satisfatório. Quando se observa tudo isto – a população crescente, a completa insensibilidade dos seres humanos, a completa desconsideração com o sentimento dos outros, a vida dos outros, a completa negligência da estrutura social – fica se imaginando se a ordem pode surgir deste caos. Não ordem política – a política não pode gerar ordem. Mas nós precisamos de ordem. Pois existe grande desordem, externa e internamente, da qual a pessoa está cônscia vagamente, especulativamente, casualmente. A pessoa sente que o problema é muito imenso. A população está explodindo tão rápido que a pessoa se pergunta, “O que eu posso fazer como um ser humano vivendo nesta miséria caótica, violência e estupidez? O que posso fazer?” Certamente você deve ter feito essa pergunta a si mesmo, se é de fato sério. E se a pessoa fez a si mesma esta pergunta tão séria, “O que se pode fazer?”, a resposta invariável é: “Receio que posso fazer muito pouco para alterar a estrutura da sociedade, criar ordem, não só dentro, mas também exteriormente”. E geralmente a pessoa faz a pergunta “o que posso fazer?”, e invariavelmente a resposta é “muito pouco”. Aí a pessoa para. Mas o problema exige uma resposta muito mais profunda.
O que eu posso fazer por você agora? - Renata Quintella
(Krishnamurti – Bombay 1st Public Talk 19th February 1967)