“Distractions”  –  Tindersticks

 

 

Tindersticks | Discografia | DiscogsMuito embora tenha sido lançado no início do ano, apenas agora pude escutar mais este recente “tesouro” deste fenomenal grupo inglês de Nottingham (GB), criado em 1992 e liderado pelo vocalista Stuart Staples. “Mea culpa, mea maxima culpa”, que, graças a Deus, foi corrigida pela cortesia de um amigo de grupo, também aficionado dessa banda, com legiões de fãs na França e em Portugal (lógico!), cuja característica maior é a voz de Staples sempre imprimindo muita melancolia a temas de muita beleza e delicadeza musical. Impossível escutar uma música da banda e, a partir desse momento não a identificar instantaneamente, sempre que lançam um trabalho. Que, não foram poucos, diga-se de passagem. Foram 13 álbuns de estúdio, trilhas sonoras para diversos filmes e vários “lives”; “Distractions”, seu décimo-terceiro trabalho de estúdio, surpreendentemente sucede ao celebrado “No treasure but hope” de 2020 que celebrou a renovação do grupo – se é que se pode falar em renovação num grupo como esse de características tão marcantes e determinadas – e continua essa renovação, quase como uma reação ao confinamento a que fomos todos nós submetidos nesses últimos meses.

E a banda nos premia com um trabalho de altíssima qualidade musical. Nem um ano se passou desde que eles lançaram o excelente “No treasure, No hope” e foi uma imensa surpresa quando anunciaram o lançamento desse “Distractions”. A começar pela longa e minimalista “Man alone (Stop the fadin’)”, a música nos leva a um passeio pelas ruas de Londres à noite. Há certa melancolia na escuridão e no vazio predominante nas ruas. E a melancolia continua pela introspectiva “Imagine you” e inclue três covers – a de Dory Previn’ , “The Lady with the Braid”, a do ” Television Personalities’ “You’ll Have to Scream Louder” e a de  Neil Young’, “A Man Needs a Maid.” – o álbum, no entanto,  é febril e direto e deixa para o final suas melhores “distrações” : a depressiva “Tue-moi”  (“Mata-me”, cantada em francês, talvez para ampliar o sentimento de tristeza), um tributo aos momentos de terror vividos em Paris e aos que lá desencarnaram com o ataque terrorista de 2015,  quando Staples recita
Tue-moi, mon amour… Je t’attends ….  algo como Me mata meu amor…. Eu te espero. E por aí vai o lamento soturno do vocalista. Até ao final com a belíssima “The Bough Bends”, “Distractions” é um ótimo preâmbulo para conhecer uma das bandas de maior personalidade da atualidade. Pois, de melancolia o Tindersitcks conhece tudo. Sem dúvida, também um trabalho que ecoa os momentos soturnos que estamos vivendo, mas sempre de forma inovadora e oferecendo rasgos de profunda beleza ao que escutamos.

Escute   AQUI    o  álbum  “Distractions”   com  o   Tindersticks