Ainda é madrugada e, numa daquelas entorpecidas cidades do Meio-Oeste americano, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa. Meses depois, o detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado. Mr. Mercedes narra uma guerra entre o bem e o mal, e o mergulho de Stephen King na mente obsessiva e psicótica desse assassino  – e também na do policial aposentado obcecado por prendê-lo – é tão arrepiante quanto inesquecível.

Com atuação mesmerizante do grande ator teatral irlandês, Brendan Gleeson –  de “Braveheart” e dos filmes de Harry  Potter – no papel do atormentado e aposentado policial e produção executiva do próprio Stephen King, o seriado da Starzplay, em três temporadas, nos leva a um fascinante e inteligentíssimo jogo de gato e rato entre o policial e a mente psicótica e deformada do assassino, enquanto traça retratos psicológicos extremamente bem elaborados ao mesmo tempo em que esboça o abismo que separa gerações antagônicas aqui representadas pela figura de meia-idade do policial e o jovem nerd do “esquisitão” assassino, cuja identidade mesmo sendo revelada desde o início, não prejudica a história. Antes pelo contrário, permite um aprofundamento psicológico que só torna o seriado um programa fabuloso de ser assistido.