Partituras manuscritas de John Coltrane para a suite religiosa de A Love Supreme.

 

 

Esse disco, considerado sua magnum opus, é um ode à sua fé no amor e em Deus (não necessariamente o Deus cristão – na capa do disco Meditations ele diz “Eu acredito em todas as religiões”). Este interesse espiritual iria caracterizar muito a forma de tocar e compor de Coltrane a partir de então, como pode ser visto em álbuns como AscensionOm e Meditations. O quarto movimento de A Love Supreme , “Psalm”, é, de fato, um arranjo baseado em um poema feito para Deus por Coltrane e impresso no álbum. Coltrane toca quase exatamente cada nota para cada sílaba do poema, baseando suas frases nas palavras.

O álbum foi um sucesso comercial pelos standards de jazz, englobando a energia interna e externa do quarteto. Crescent, gravado poucos meses antes, mostrava a audácia e harmonia entre os músicos. O álbum foi composto na casa de Coltrane em Dix Hills.

O quarteto só tocou A Love Supreme uma vez ao vivo – em julho de 1965, em um show em Antibes na França. Já então a música de Coltrane havia evoluído, e a performance oferece um interessante contraste com a original.

A Love Supreme é um disco muito difícil de descrever em palavras. Após dias e dias trancado com seu saxofone, Coltrane declara sereno ter tudo pronto. Pela primeira vez tem tudo o que quer em sua mente. Se reúne com sua banda no estúdio Van Gelder em New Jersey, e em apenas dois dias gravam esse disco perfeito onde você sente toda a espiritualidade fluindo, sente o homem cortês que qualquer um sempre dizia que ele foi, sente também a influência da matemática em seu trabalho. Trane conseguiu “desenhar” suas músicas, formando o que conhecemos por “Círculo Coltrane”, estudiosos acreditam que ele empregou o mesmo princípio que motivou a teoria da relatividade quântica, de Einstein, em suas criações, mas ele mesmo não comentava muito o assunto, se atendo apenas a dizer “a música fala por si”, coisa que ele fazia também com os sentimentos, as dores pela luta negra, pela segregação, a delicadeza e conforto para com os que lutavam pela causa, que morreram pela causa, preferia que a música os expressasse e fazia isso com maestria.

Trane costumava deixar vários bilhetes de amor para Alice, sua mulher, companheira, com quem teve três filhos, uma grande pianista que mais tarde, também fez parte de sua banda.

Alice Coltrane merece render um texto só sobre ela, porque faz jus e muito. Mas A Love Supreme é o bilhete de amor que John Coltrane deixou pra nós, é toda sua gentileza e grandiosidade espiritual musicada. É o ouvir e não ser capaz de controlar suas emoções.

 

A Love Supreme, feche os olhos e escute com a alma.

 

 

 

Artigo colhido no site MusicNonStop

 

 

Artigo de :

Adriana Arakake

Adriana Ararake é DJ é especialista em Jazz, Soul e Blues