O Bridge é um jogo de cartas jogado por dois pares de jogadores e com as 52 cartas de um baralho (sem os coringas).

 

A história desse fantástico jogo, que é conhecido como o Xadrez das Cartas, pode ser traçada numa evolução de vários jogos de cartas, alguns deles mencionados desde 1529, na Inglaterra. Esses jogos culminaram com o “whist”, que consolidou todos os anteriores e tornou-se popular pelos idos de 1742.

Mas é em 1857, em Londres, que é jogado o primeiro jogo duplicado de “whist”, sob a direção de Lord Cavendish. Contudo, foi na América – e onde mais? – que essa prática proliferou inicialmente e foi lá, por volta de 1892, que se introduziu o termo “Bridge Whist”

How to Play and Win at Bridge: Rules of the Game, Skills ...Desse período paleolítico do Bridge até aos dias de hoje houve uma atualização permanente e contínua das convenções numa linguagem cifrada “bridgística”, que visam facilitar o diálogo entre os parceiros e que aprimoraram ainda mais o chamado Leilão, uma das duas etapas do jogo propriamente dito – a outra é o carteado.

Meu pai foi um excelente jogador de Bridge, em Lisboa (Portugal) e, nos últimos anos, no Rio de Janeiro, chegando a ter recebido alguns prêmios, taças e medalhas em torneios de Bridge de grande expressividade em derredor do mundo.

Foi ele quem me apresentou ao mundo fascinante desse jogo de cartas, ao ter me ensinado os rudimentos do jogo, ainda nos finais da década de 1960. A mim e a alguns colegas portugueses, da época.

Alguns deles continuaram jogando Bridge regularmente ao longo de todos esses anos e tornaram-se Mestres internacionais reconhecidos nessa prática.

Quanto a mim, por haver sido deslocado para o Brasil, aonde o Bridge ainda é um jogo praticamente desconhecido – especialmente fora do eixo Rio-S. Paulo, onde se notabilizaram excelentes jogadores de Bridge, como Gabriel Chagas e os irmão Castelo Branco  – fui gradualmente perdendo o hábito de praticar regularmente esse ótimo lazer.

Uma lacuna bastante difícil de ser esquecida para quem herdou esse gosto pelo carteado – não por jogos de azar, entenda – e o Bridge preenchia como nenhum outro tal espaço, não apenas por ser um excelente entretenimento, mas por exigir boas doses de raciocínio e, por não apenas requerer táticas positivas de ataque e destruição, como é o caso, mas por ser um jogo que estimula a parceria, o diálogo e até por facilitar a empatia e as faculdades intuitivas e psicológicas de cada um. Tanto é assim que, algumas das amizades mais duradouras foram construídas em volta de uma mesa de Bridge. Tive parceiros e amigos com os quais pude ter vários momentos de confraternização e de momentos inesquecíveis que se arrastavam muitas horas para além dos momentos que eram passados durante os jogos, propriamente ditos – fossem eles em partidas livres ou em torneios. Principalmente quando tal parceria se estendia por períodos mais prolongados. Hoje é muito comum, na Europa, os jogadores regulares de Bridge programarem viagens para participar de torneios internacionais de Bridge, em destinos tão glamorosos como Monte Carlo, Marbella, Toscana, Provence ou nos Países Nórdicos, nos quais o turismo propriamente dito é ofuscado pelo prazer da participação nos jogos. Acredite se quiser.

Com o advento da internet, pude amenizar muito parcialmente tal lacuna e, durante muitos anos, despendi vários momentos em sites virtuais de Bridge, tendo como parceiros incontáveis e dignos cidadãos, vivos e reais, mas numa rotatividade estonteante que dificulta a parceria fixa e que interagiam entre si virtualmente, de acordo com as normas estipuladas pelas regras do jogo em si – de nacionalidades para nós um tanto exóticas e que atendiam por nomes curiosos – e provavelmente fictícios -, como “Arup Putatunda”, “Swarup Chowdury”, “Pintu Saha”, “Boltechote Bhalobashi”  e outros talvez menos pomposos, mas certamente bem menos indigestos na língua de Camões e de Machado de Assis. O que fazer? Nada! Relaxa e aproveita. Porque o diálogo e o entendimento nesse cadinho de culturas e nações estavam pra lá de complicados. Mas, era o que havia naquele momento!
E assim se passaram os anos…

Hoje, existem sites mais concorridos e onde podem ser achados parceiros geograficamente mais próximos, como é o caso do Bridge Base On Line. Mas, nada de fato substitui o prazer do jogo e da parceria presencial nesse jogo fascinante.

 

Paulo Monteiro