Miles Dewey Davis III (1926 – 1991) foi um trompetista, compositor e bandleader de jazz  norte-americano.

Filho de um bem-sucedido cirurgião-dentista e uma professora de música, Miles Davis cresceu em uma família de classe média e foi apresentado ao trompete aos 13 anos. Ele rapidamente desenvolveu um talento para tocá-lo, com um amigo de seu pai, Elwood Buchanan. Buchanan o incentivou a tocar sem vibrato, o que era contrário ao estilo comum utilizado por trompetistas como Louis Armstrong, e que viria a ajudar a desenvolver o estilo próprio de Miles.

Davis tocou profissionalmente no ensino médio. Aos 17 anos, ele foi convidado por Dizzy Gillespie e Charlie Parker para substituir um membro da banda, que estava doente. Logo depois, em 1944, Davis deixou Illinois e foi para Nova York, onde estudou na Juilliard School, que era chamada de Institute of Musical Art (Instituto de Arte Musical) na época.

Ele começou a tocar em casas noturnas do Harlem com Charlie Parker, conhecendo, então, muitos músicos com os quais ele tocaria, formando a base para o bebop, um estilo rápido e improvisado de jazz, que definiu o jazz moderno.

Em 1945, Miles Davis abandonou a escola de música e se tornou um músico em tempo integral, como um membro do Charlie Parker Quintet. Nessa época, ele fez sua primeira gravação como líder de banda, com o Miles Davis Sextet. Entre 1945 e 1948, Davis e Parker gravaram muitas músicas. Vários singles seriam lançados em 1949 e 1950, apresentando arranjos por Gil EvansGerry Mulligan e John Lewis. A partir daí começou sua parceria com Gil Evans, com quem colaboraria pelos próximos vinte anos.

Em 1949, Davis formou uma banda com nove integrantes, com instrumentos incomuns como o chifre francês, trombone e tuba. Ele lançou uma série de singles que mais tarde foram considerados contribuições significantes para o jazz moderno, e que foram parte do álbum “Birth of the Cool”.

No começo de 1950, Davis se tornou viciado em heroína, vício que superou em 1954, quando tocou “Round Midnight” no Newport Jazz Festival, fechando um contrato com a Columbia Records. Ele também criaria uma banda permanente, com John Coltrane, Paul Chambers e Red Garland.

Davis gravou muitos álbuns com seu sexteto durante a década de 50, incluindo “Porgy and Bess” e “Kind of Blue”, considerado um dos melhores álbuns de jazz já lançados, tendo vendido mais de 2 milhões de cópias.

Davis continuou com o sucesso durante a década de 60, e sua banda mudou de estilo e membros constantemente nessa época. Os diversos membros de sua banda se tornaram alguns dos músicos mais influentes da era do jazz fusion, incluindo Wayne Shorter e Joe Zawinul (Weather Report), Chick Corea (Return to Forever), e John McLaughlin and Billy Cobham (Mahavishnu Orchestra).

O jazz fusion foi influenciado por artistas como Jimi Hendrix e Sly and the Family Stone, fundindo jazz e rock. O álbum “Bitches Brew”, gravado logo após o Woodstock Music Festival, em 1969, foi o princípio do movimento jazz fusion. Por isso, Davis foi capa da revista Rolling Stone, sendo o primeiro artista de jazz a ser reconhecido na publicação. Seus fãs tradicionais não aprovavam a mudança de estilos, mas esse era um exemplo da sua habilidade de experimentar e superar os limites do seu próprio estilo musical.

Em 1975, Davis novamente entrou em um ciclo vicioso, dessa vez, com álcool e cocaína, e isso o deixou estagnado na carreira por 5 anos. Em 1979, ele conheceu Cicely Tyson, uma atriz norte-americana, que o ajudou a se livrar do vício em cocaína. Eles se casaram em 1981.

De 1979 a 1981, Davis gravou o álbum “The Man with the Horn”, que não foi muito bem recebido pela crítica. Davis passou a década de 80 experimentando novos estilos, inclusive interpretando músicas de Michael Jackson e Cindy Lauper, no álbum “You’re Under Arrest”, de 1985.

Davis se reinventou em 1986, com o lançamento de “Tutu”, que incorporava sintetizadores, loops de bateria e samples. O álbum deu a Miles um novo Grammy. O lançamento de “Aura”, em 1991, rendeu a ele um novo Grammy.

Considerado um dos mais influentes músicos do século XX, Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1990. Ele participou de várias gravações do bebop e das primeiras gravações do cool jazz. Foi parte do desenvolvimento do jazz modal, e também do jazz fusion que se originou do trabalho dele com outros músicos no final da década de 60 e no começo da década de 70..

Como trompetista Davis tinha um som puro e claro, mas também uma incomum liberdade de articulação e altura. Ele ficou conhecido por ter um registro baixo e minimalista de tocar, mas também era capaz de conseguir alta complexidade e técnica com seu trompete.

Miles Davis pertenceu a uma classe tradicional de trompetistas de jazz, que começou com Buddy Bolden e desenvolveu-se com Joe “King” Oliver, Louis Armstrong, Roy Eldridge e Dizzy Gillespie.

Miles Davis recebeu uma homenagem por sua carreira no Grammy, em 1991, ano no qual ele tocou com Quincy Jones no Montreux Jazz Festival, resgatando músicas que ele não tocava fazia 20 anos.

Logo depois, em 28 de setembro, Davis faleceu de pneumonia e insuficiência respiratória, aos 65 anos. Seu último Grammy foi por conta de sua gravação com Quincy Jones, e foi entregue postumamente, em 1993. A homenagem foi somente mais uma prova da influência de Miles Davis no jazz.

Em 2006, Davis foi postumamente incluído no Rock and Roll Hall of Fame. Ele foi também incluído no St. Louis Walk of FameBig Band and Jazz Hall of Fame, e no Down Beat‘s Jazz Hall of Fame.

Kind of Blue tem sido citado como o álbum de Miles Davis mais vendido da sua carreira, bem como o álbum de jazz mais vendido da história. Em 7 setembro de 2008, o álbum foi certificado pela RIAA (Associação das Indústrias Fonográficas Americanas) com um álbum de platina quádruplo. Kind of Blue é também reconhecido por muitos fãs, críticos e ouvintes de jazz como o maior álbum de jazz de todos os tempos, frequentemente alcançando o topo listas de “melhores álbuns” de vários outros gêneros além do jazz. Em 2002, a gravação do álbum foi uma das 50 escolhidas naquele ano para o Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso Americano. E Em 2003, o álbum foi classificado em 12º lugar pela revista Rolling Stone em sua Lista dos 500 melhores álbuns de sempre.

 

 

 

Fonte:  History Channel Brasil  

 

Fonte alternativa :  Wikipedia  Miles Davis