Considerado o maior estrategista, comandante e gênio militar português de todos os tempos, com forças substancialmente inferiores às do inimigo, venceu todas as batalhas que travou. Seus dotes militares apoiavam-se em uma espiritualidade sincera e profunda, sendo o amor à Eucaristia e à Virgem Maria a trave-mestra da sua vida interior.

 “Caminhos  de  Avis”  –  Rodrigo Leão 

 

Nuno Álvares Pereira, também conhecido como o Santo Condestável, formalmente São Nuno de Santa Maria ou simplesmente Nun’Álvares ( 1360 – 1431), foi um nobre e general português do século XIV. Desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal defendeu a sua independência de Castela. Nuno Álvares Pereira foi também 2.º Condestável de Portugal, 38.º Mordomo-Mor do Reino, 7.º conde de Barcelos, 3.º conde de Ourém e 2.º conde de Arraiolos.

Considerado o maior estratega, comandante e génio militar português de todos os tempos, comandou forças em número substancialmente inferior ao inimigo e venceu todas as batalhas que travou. É o patrono da Infantaria portuguesa. A sua forma de comandar, caracterizou-se fundamentalmente pelo exemplo e pelas inúmeras virtudes militares, junto dos seus homens.

Luís de Camões, em sentido literal ou alegórico, explícito ou implícito, faz referência ao Condestável nada menos que 14 vezes em «Os Lusíadas».

Estátua Equestre de Nuno Álvares Pereira - Portal EquitaçãoUma escultura sua encontra-se no Arco da Rua Augusta, na Praça do Comércio, em Lisboa, outra no castelo de Ourém e ainda outra equestre, no exterior do Mosteiro da Batalha.

  1. Nuno Álvares Pereira mostra o seu gênio militar ao vencer a batalha de Aljubarrota. A batalha viria a ser decisiva no fim da instabilidade política de 1383-1385 e na consolidação da independência portuguesa.

Após a morte da sua mulher, tornou-se carmelita (entrou na Ordem em 1423, no Convento do Carmo, que mandara construir como cumprimento de um voto).Toma o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Aí permanece até à morte, ocorrida em 1 de Novembro de 1431 (dia de Todos-os-Santos), com 71 anos, rodeado pelo rei e os infantes.

Percorria as ruas de Lisboa e distribuía esmolas a quem precisava. No convento tinha um grande caldeirão usado pelos seus homens nas campanhas militares, onde se faziam refeições para os pobres. Estas ações levaram o povo a chamá-lo de Santo Condestável.

Durante o seu último ano de vida, o Rei D. João I fez-lhe uma visita no Carmo. D. João sempre considerou que fora Nuno Álvares Pereira o seu mais próximo amigo, que o colocara no trono e salvara a independência de Portugal.

O túmulo de Nuno Álvares Pereira foi destruído no Terramoto de 1755. O seu epitáfio era:

“Aqui jaz aquele famoso Nuno, o Condestável, fundador da Sereníssima Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo.”

Há uma história apócrifa, em que o embaixador castelhano teria ido ao Convento do Carmo encontrar-se com Nun’Álvares, e ter-lhe-á perguntado qual seria a sua posição se Castela novamente invadisse Portugal. Nuno terá levantado o seu hábito, e mostrado, por baixo deste, a sua cota de malha, indicando a sua disponibilidade para servir o seu país sempre que necessário e declarando que “se el-rei de Castela outra vez movesse guerra a Portugal, serviria ao mesmo tempo a religião que professava e a terra que lhe dera o ser”.

Do seu casamento com Leonor de Alvim, nasceram três filhos: dois rapazes que morreram jovens e uma filha que chegou à idade adulta e teve descendência: Beatriz Pereira de Alvim que se tornou mulher de D. Afonso, o 1.º Duque de Bragança, dando origem à Casa de Bragança que viria a reinar em Portugal três séculos mais tarde.

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV, pelo Decreto “Clementíssimus Deus”, e foi consagrado o dia 6 de Novembro ao, então, beato. Iniciado em 1921, em 1940 o processo de canonização foi interrompido por razões essencialmente políticas.

No Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 – ato formal no qual o Papa ordenou aos Cardeais para confirmarem os processos de canonização já concluídos – o Papa Bento XVI anunciou para 26 de Abril de 2009 a canonização do Beato Nuno de Santa Maria, juntamente com quatro outros novos santos. O processo referente a Nuno Álvares Pereira encontrava-se concluído desde a Primavera de 2008, noventa anos após sua beatificação.

Nuno Álvares Pereira foi canonizado como São Nuno de Santa Maria pelo papa Bento XVI em 26 de Abril de 2009.

Em 1385, com a ajuda de Nuno Álvares, D. João é aclamado rei, e o nomeia Condestável. Nessa qualidade, o ínclito guerreiro conquista a província do Minho em ações militares fulminantes. Depois é ferido em  Aljubarrota no dia 14 de agosto de 1385, depois de mostrar seu gênio militar ao vencer a memorável batalha. Nela, apesar da desigualdade de forças entre os dois exércitos, os portugueses com o auxílio de aliados ingleses, obtêm uma vitória esmagadora sobre a soberba cavalaria de Castela, graças ao gênio militar de Nuno Alvarez, que põe em prática as novas táticas de guerra que aprendera com os ingleses, além de ter escolhido o melhor local para o embate, e graças também à confiança ilimitada que os combatentes portugueses tinham ao seu comandante.

Nuno Álvares Pereira: o que ainda não sabeOs dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela Sagrada Eucaristia e pela Virgem Maria eram a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração à Mãe de Deus, jejuava em sua honra às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. Seu  estandarte insígnia trazia as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge.

Em 1401 é realizado o casamento de sua filha Beatriz com o bastardo régio, D. Afonso, Conde de Barcelos, legitimado pelo rei. Este, por sua vez, dá origem à Sereníssima Casa de Bragança, que se torna a casa mais rica e importante de Portugal,  reinando de 1641 a 1910, quando foi então proclamada a república no país. Foi também a dinastia reinante no Império do Brasil de 1822 a 1889, e daria nascimento à dos Orleans e Bragança, com o casamento da princesa imperial Da. Isabel com o Conde D’Eu. Assim, os descendentes destes, que são os legítimos pretendentes à coroa do Brasil, também descendem, por linha colateral, de São Nuno de Santa Maria.

Livre dos deveres familiares, a vida religiosa o atrai de novo, de modo que, em 15 de agosto de 1423, professa na Ordem do Carmo. Nuno Álvares traz em si, desde o princípio, a vocação do serviço de Deus, para além de quaisquer outros senhores. E no serviço de Deus se extingue no dia 1º. de abril de 1431, abraçado ao crucifixo, na pequena cela do Carmo, acompanhado até o fim pelo rei e pelos infantes, chorado por mil desamparados que protegeu. Há uma história apócrifa que diz que o embaixador castelhano teria ido ao Convento do Carmo encontrar-se com Nuno Álvares, e ter-lhe-ia perguntado qual seria sua posição se Castela novamente invadisse Portugal. Nuno teria levantado seu hábito, e mostrado, por baixo deste, a sua cota de malha, indicando a sua disponibilidade para servir o seu país sempre que necessário e declarando que “se el-rei de Castela outra vez movesse guerra a Portugal, serviria ao mesmo tempo a religião que professava e a terra que lhe dera o ser”.

 

Fonte:   IPCO   (Instituto Plínio Correia de Oliveira)