Indicado a 04 Oscars, este ano, inclusive o de Melhor Filme, O Beco do Pesadelo é um thriller psicológico americano no estilo neo-noir. Foi dirigido por Guillermo del Toro e escrito por del Toro e Kim Morgan. O filme é baseado no livro de 1946 de mesmo nome de William Lindsay Gresham e do filme O Beco das Almas Perdidas de 1947. 

 

 

O diretor, produtor, roteirista e autor mexicano de 57 anos de idade ficou merecidamente conhecido por ser um moderno criador de monstros no atual cinema. Os filmes das franquias Hellboy e Círculo de Fogo, além de alguns projetos mais prestigiados, como A Espinha do Diabo (2001), O Labirinto do Fauno (2006) e A Forma da Água (2017) não deixam mentir: Guillermo del Toro é um apaixonado por criaturas horrendamente bestiais!

Desde o irrepreensível O Labirinto do Fauno, que discorre sobre fatos durante o verão de 1944, cinco anos após a Guerra Civil Espanhola, ainda no início do período da ditadura franquista, onde tínhamos uma garotinha chamada Ofelia entrelaçando mundo real e mítico sobre um labirinto abandonado e protegido por uma misteriosa figura, não tivemos um trabalho de Guillermo del Toro que conseguisse abordar tão bem sobre quem são os verdadeiros monstros em nossas vidas.

Agora, ganhamos mais uma nova história sobre monstros desenvolvida por Guillermo del Toro, só que dessa vez teremos apenas uma única espécie frente às câmeras: o homem.

Em Crítica – O Beco do PesadeloO Beco do Pesadelo, que chega nas salas de cinema em todo o país, quando o carismático, mas azarado Stanton Carlisle (Bradley Cooper) se aproxima da clarividente Zeena (Toni Collette) e seu ex-marido mentalista Pete (David Strathairn) em um carnaval itinerante, cria um bilhete dourado para o sucesso. Usando desse conhecimento recém-adquirido pelo par de artistas circenses, começa a enganar membros da elite rica da sociedade novaiorquina nos anos 1940. Auxiliado pela ardilosa Molly (Rooney Mara), sempre leal ao seu lado, Stanton planeja enganar um perigoso magnata (Richard Jenkins) com a ajuda de uma misteriosa psiquiatra (Cate Blanchett), que pode ter sido sua melhor e mais formidável parceira em toda sua carreira como farsante dos palcos.

As cenas entre Bradley Cooper e Cate Blanchett)  (assombrosa!) em um estilizado consultório revelaram o ápice nesta obra do cineasta mexicano, que foi capaz de mensurar texto, performances e fotografia de modo distinto; o uso da iluminação quente e fria pela face do protagonista, executada pelo cinematógrafo Dan Laustsen, simbolizou lindamente aquele que foi o único momento onde Guillermo del Toro trabalhou mais com a dualidade do que pela exposição.

Pela primeira vez neste século, temos uma obra do ganhador do Oscar que não envolve qualquer aparição de criaturas ferozes ou espectros do sobrenatural. Deve-se dizer que isso acabou fazendo muita falta em O Beco do Pesadelo, que simplesmente converge toda a maldade existente na figura humana, sem qualquer traço de contraste iluminado aparente.

Fantástico e estilizado, com um elenco de luxo irrepreensível e dos sonhos, que conta ainda com Willem Dafoe, o Beco do Pesadelo é um filme que irá prender sua atenção do início ao fim.