Contrariamente ao que se pode imaginar, a galeria de artistas ligados ao ramo musical mortos por overdose, ou com histórico pesado no consumo de drogas, é majoritariamente constituída por músicos ligados a gêneros musicais mais suaves, como é o caso desta californiana criada em Oakland, que junto com Joni Mitchell e com Carole King foi o principal expoente do denominado Folk/Rock de Laurel Canyon, e que com sua trágica morte aos 33 anos, por overdose de cocaína, veio engrossar a já longuissima fileira de vítimas do abuso de álcool e de drogas pesadas.

Judee começou a tocar piano aos 3 anos, mas muito cedo a morte precoce do pai e do irmão em incidentes separados iniciou o ciclo de tragédias que se fez constante em sua vida; na adolescência, o novo casamento da mãe com o artista gráfico Kenneth Muse (responsável pelos desenhos de Tom & Jerry) foi marcado pelo abuso de álcool, que, combinado ao temperamento rebelde e explosivo de Judee, levaram ao consumo de heroína, à prostituição e a uma vida de crimes para sustentar o vício. Dessa época ficou o característico toque “gospel” de piano oriundo dos reformatórios pelos quais passou, a métrica musical influenciada por Bach, e a temática de redenção e culpa que caracterizou quase todas as suas músicas.

Após vários anos de detenção e de reformatório, agora uma excelente pianista, organista e guitarrista, Judee decidiu iniciar uma carreira de compositora que deslanchou com o sucesso de sua primeira composição “Lady-O” vendida para The Turtles e possiblitou a ela o convite para abrir o tour americano de Graham Nash & David Crosby; foi Nash quem produziu seu primeiro single “Jesus was a cross maker”, que antecedeu seu primeiro álbum homônimo de 1971, pela Asylum de David Geffen,que teve aclamação unânime da crítica, mas pouco sucesso de público. Seu álbum de 1973 denominado “Heartfood” seguiu a trilha folk do primeiro, mas com arranjos mais luxuosos e melodias que expuseram a voz celestial e límpida de Judee e certamente mostram a artista no ápice de seu processo criativo. Infelizmente, o pouco sucesso de público repetiu-se, possivelmente causando o afastamento de cena de Judee e suas recaídas nas drogas químicas, agravadas também por grave acidente automobilístico, que acabaram por levá-la à morte por overdose em 1979.

Em 1974 ela gravou alguns demos para um terceiro álbum, que foi finalmente lançado em 2005, sob o título “Dreams Come True” e que apenas serviram para confirmar o extraordinário potencial artístico de Judee, tão precocemente ceifado pela droga. Discografia Básica Judee Sill (1971) Heartfood (1973) Dreams Come True (2005)

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