Não há registro na história da Música Popular do Século XX de um artista que tenha protagonizado mais “renascimentos” musicais do que este americano cego e corcunda, que cantava acompanhado por um discretíssimo acordeão, tão surpreendentemente sofisticado quanto a sua voz suave e sensual.

Resultado de imagem para joe mooneyEle iniciou sua carreira no início dos anos 30, junto com seu irmão Dan, como um dos Sunshine Boys, e trabalhou na renomada banda de Paul Whiteman e com os Modernaires, antes destes se incorporarem à banda de Glenn Miller. Mas foi só no pós-guerra, e graças ao apoio pessoal de Paul Whiteman, que Joe formou seu próprio quarteto, onde pôde explorar sua habilidade de arranjador e vocalista, para ser contratado pela Decca que gravou vários LP’s seus, de 78 rotações.

No auge da sua carreira, em fins da década de 40, chegou a ser reverenciado por Sinatra, Tony Bennett, Duke Ellington, Johnny Mercer e, em conseqüência, pela nata jazzística de intérpretes e raríssimos “aficionados” da época, que abrilhantavam a frequência do modesto nightclub “Dixon’s” na Rua 52 em NY; chegou a ser matéria de capa de renomadas revistas da época, como a Downbeat e até a ganhar um programa semanal de rádio da ABC, transmitido ao vivo do “Dixon’s”… não obstante, seu brilho equiparou-se sempre ao dos mais fulgurantes cometas: intenso mas fugaz.

Em 1950 tentou um recomeço em NY, desta vez contando em sua banda com o jovem guitarrista Bucky Pizzarelli (pai de John Pizzarelli), mas sem grande sucesso. Por diversas vezes, grandes gravadoras como a Decca (em meados da década de 50) e a Atlantic, logo após, tentaram ressuscitar-lhe a carreira, quer ampliando LP.s antigos, quer possibilitando-lhe a gravação de novos trabalhos (como o extraordinário “Lush Life” de 1957, onde ele substituiu o acordeão por um órgão)… tudo em vão.

Resultado de imagem para joe mooneyEm 1963 quem tentou foi Bill Finegan, com quem Joe havia gravado uma faixa avulsa (“Nina never knew”) 10 anos antes, que levou uma fita-demo do tímido Joe à Columbia, gravadora pela qual foram lançados 2 LP’s: “The Hapinness of Joe Mooney” (na verdade a própria fita demo) e “The Greatness Of Joe Mooney”, com material inédito. Apesar dos dois trabalhos serem excepcionais sob qualquer ponto de vista, mais uma vez os resultados foram pífios. A qualidade, o bom gosto e a classe mais uma vez rendiam-se à mediocridade e à apelação que tanto cativa as massas e Joe retirou-se para a aposentadoria na Flórida, onde nunca faltaram modestos clubinhos e extasiados ouvintes para escutá-lo, mas, cansado de ser continuamente redescoberto nunca mais voltou a NY, para desfrutar do amplo reconhecimento que seu talento de “outsider” sempre mereceu. Morreu em 1975 da mesma forma reservada que, como figura humana, sempre foi.

No início deste século, toda a discografia oficial de Joe Mooney foi lançada em CD e vários livros fundamentais lançados sobre jazz, inclusive dois livros do brasileiríssimo (e antenadissimo) jornalista Ruy Castro, citam e reverenciam Joe Mooney como um dos grandes ícones de sua era. Quem sabe, postumamente, ele venha a receber os créditos que em vida lhe foram negados, e seja final e definitivamente redescoberto por todos aqueles que amam Jazz, e também pelos que amam Bossa Nova, pois muito mais do que Chet Baker, o nosso Joe é hoje unanimemente reconhecido como uma das mais fortes inspirações de João Gilberto e o verdadeiro pai espiritual de João Donato. A pátria amada e seus diletos filhos têm, portanto, um débito insofismável para com Joe Mooney, que, do panteão onde reina absoluto junto a seus pares musicais de genialidade, deve estar murmurando modestamente: antes tarde do que nunca.

 

Discografia Básica : Do You Long For Oolong (1956) Lush Life (1957) The Happiness of Joe Mooney (1963) The Greatness Of Joe Mooney (1965)

 

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