Poucas vezes terá havido situação semelhante à deste nosso banquete de horrores no qual 90% dos comensais se declaram com nojo da comida que lhes tem sido servida, mas são obrigados a continuar a tragá-la, simplesmente porque não sabem pedir outro prato.

 

Resultado de imagem para a libertação está nos fatos

 

Na segunda-feira , 19/10/2015, O Globo publicou nova reportagem da série “Cofres Abertos”, sobre a realidade do Estado petista. O título era remuneração em ministério vai até R$ 152 mil. Eis alguns dados: Lula acrescentou 18,3 mil funcionários à folha da União em oito anos. Em apenas quatro, Dilma enfiou mais 16,3 mil. Agora são 618 mil, só na ativa; 103.313, têm “cargos de chefia”. Os títulos são qualquer coisa de fascinante. Há um que inclui 38 palavras: Chefe de Divisão de Avaliação e Controle de Programas, da Coordenação dos Programas de Geração de Empregos e Renda…” e vai por aí enfileirando outras 30, com o escárnio de referir um acinte desses à “Geração de emprego e renda”. O “teto” dos salários é o da presidente, de R$ 24,3 mil. Mas, a grande tribo só de caciques, constituída não pelos funcionários concursados ou de carreira, mas pelos “de confiança”, com estrela vermelha no peito, ganha R$ 77 mil, somadas as “gratificações”, que podem chegar a 37 diferentes. No fim do ano tem bônus “por desempenho”. A Petrobrás distribuiu mais de R$ 1 bilhão aos funcionários, em pleno “petrolão”, depois de negar dividendos a acionistas. A Eletronorte distribuiu R$ 2,2 bilhões em “participação nos lucros”, proporcionados pelo aumento médio de 29% nas contas de luz dos pobres do Brasil, entre os seus 3.400 funcionários. Houve um que embolsou R$ 152 mil. A folha de salários da União, sem as estatais, que são 142, passará este ano de R$100 bilhòes, 58% mais, fora a inflação, do que aquilo que o PT recebeu lá atrás. Essa boa gente emite 520 novos “regulamentos” (média) todo santo dia. Existem 49.500 e tantas “áreas administrativas” divididas em 53 mil e não sei quantos ”núcleos responsáveis por políticas públicas”! Qualquer decisão sobre água tem que passar pela aprovação de 134 órgãos diferentes. Uma sobre saúde pública pode envolver 1.385 “instâncias de decisão”. Na Educação podem ser 1.036. Na segurança pública, 2.375! E para trabalhar no inferno que isso cria? Quanto você acha que vale a venda de indulgências?

 

 

Resultado de imagem para a libertação está nos fatos

 

Essa conversa da CPMF como única alternativa para a salvação da pátria em face da “incompressiblidade” dos gastos públicos a favor dos pobres não duraria 10 segundos se fatos como esses fossem sistematicamente justapostos às declarações que 100 vezes por dia os jornais, do papel à telinha, põem no ar para afirmar o contrário. Se fossem editados e perseguidos pelas televisões com as mesmas, minúcia, competência técnica e paixão com que seus departamentos de jornalismo fazem de temas desimportantes,ou meramente deletérios, verdadeiras guerras santas, então, a Bastilha já teria caído.

 

Passados 10 meses de paralisia da Nação, diante da ferocidade do sítio aos dinheiros públicos e ao que ainda resta no bolso do brasileiro de segunda classe, com a tragédia pairando no ar depois do governo mutilar até à paraplegia todos os investimentos em saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, a série da Globo é, no entanto, o único esforço concentrado do jornalismo brasileiro na linha de apontar com fatos e números que dispensam as opiniões de “especialistas” , imediatamente contestáveis pelas opiniões de outros “especialistas” , para expor a criminosa mentira de que este país está sendo vítima. Nem por isso deixou de sofrer restrições, mesmo “dentro de casa”, pois, apesar da contundência dos fatos, da oportunidade da denúncia e da exclusividade daquilo que estava sendo apresentado, a primeira página do jornal daquele dia não trazia qualquer “chamado” para o seu próprio “furo” e nem as televisões da casa o repercutiram.

 

Resultado de imagem para a libertação está nos fatosO tipo de informação sem a disseminação da qual o Brasil jamais desatolará da condição medieval em que tem sido mantido tornou-se conhecido, portanto,apenas da ínfima parcela da ínfima minoria dos brasileiros alfabetizados que lê jornal e que tenha folheado O Globo inteiro daquele dia, até seus olhos esbarrarem nela por acaso, e que se deixaram levar pela curiosidade página abaixo. É por aí que se agarra insidiosamente ao chão essa cultivada perplexidade do brasileiro que, em plena “Era da Informação” traga sem nem sequer argumentar aquilo que já não admitia que lhe impingissem 200 anos atrás, mesmo que à custa de se fazer enforcar e esquartejar em praça pública.

 

Do palco à plateia, Brasília vive imersa no seu “infinito particular”. Enquanto o país real, com as veias aberta, segue amarrada ao poste, à espera que a Pátria Estupradora decida quem vai ou não participar da próxima rodada de abusos, os criminosos mandam prender a polícia e a plateia discute apaixonadamente quem deu em quem, entre os atores da farsa, a mais esperta rasteira do dia. Deter o estupro não entra nas cogitações de ninguém. A pauta da imprensa – e com ela, a do Brasil – foi terceirizada para as “fontes” que disputam o comando de um sistema de opressão cuja lógica se opõe diametralmente à do trabalho. Os fatos, substância da crítica que pode demolir os “factoides”, esses todos querem ocultados. Resultado de imagem para brasilia vive no seu universo particularPerdemos as referências do passado, terceirizamos a “busca da felicidade” no presente, somos avessos à fórmula asiática de sucesso quanto ao futuro. Condenamo-nos a reinventar a roda em matéria de construção de instituições democráticas, porque a que foi inventada pela melhor geração da Humanidade no seu mais “iluminado” momento e vem libertando povo após povo que dela se serve, está banida das nossas escolas e da pauta, terceirizada pela que nos quer para sempre amarrados a um rei e seus barões. Como o resto do mundo resolve os mesmo problemas que temos, não interessa absolutamente nada aos “olheiros” dos nossos jornais e TVs no exterior, que, de lá, só nos mostram o que há de pior….

 

A imprensa nacional está devendo muito mais à democracia brasileira do que tem cobrado aos outros nas suas cada vez mais segregadas páginas de opinião.

 

Artigo do Jornalista FERNÃO LARA MESQUITA para O Estado de São Paulo em 24/10/2015

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *