Somos estimulados desde a mais tenra idade a nos dividirmos.

Na infância, nossos pais instintivamente nos encorajam (ou nos obrigam) a abandonar certos comportamentos  — por mais satisfatórios que sejam.

Mais do que isso: somos incentivados e coagidos a renunciar não só a certas ações, mas também à vontade de realizá-las.

Com isso, se forma em nós desde muito cedo uma divisão radical entre quem a gente espontaneamente é e quem o mundo quer que a gente seja.

Quem tem a sorte de passar por essa separação de forma gradual e orgânica consegue adaptar sua espontaneidade aos limites impostos pelo mundo.

Nessas pessoas, a divisão se apresenta como uma mera DIFERENÇA entre uma parte 100% espontânea e outra adaptada.

Por outro lado, há aqueles que foram obrigados a abandonar seus impulsos espontâneos em prol das exigências do mundo de forma brusca e violenta.

Esses traumatizados passam a temer a própria espontaneidade, encarando-a como perigosa e destrutiva.

Diferentemente dos primeiros, eles não se esforçam para expressar seus impulsos adaptando-os às regras do jogo do mundo.

Para os traumatizados, a espontaneidade não deve ser sequer visitada. Eles tentam a todo custo mantê-la reprimida, tornando-se exclusivamente aquilo que o mundo quer que sejam.

A Psicanálise é um método psicoterapêutico voltado justamente para essas pessoas.

Quem não suporta mais viver uma existência vazia, mecânica, sem espontaneidade, será convidado, pela Psicanálise, a perder o medo de si mesmo.

 

Dr. Lucas Nápoli. Psicólogo e Psicanalista

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