Quando alguns anos atrás, numa tirada inspirada, um primo português cunhou a expressão, “A Nostalgia do Reles”, meu irmão mais velho, que, como muitos outros, adora zoar com a cara do mais novo,  imediatamente se aproveitou da “deixa” para me rotular como especialista na matéria, talvez por eu exibir certo desprendimento em relação a certos aspectos bastante cultivados por muitas pessoas. Tive que engolir calado!

A expressão veio-me à memória, recentemente, quando li que alguns esquerdistas do bem – sim, eles existem, espantem- se! – estão divulgando uma corrente nas redes sociais na qual citam alguns pontos pelos quais se declaram esquerdistas. Por se tratar de uma corrente que engloba, também, pessoas do bem e por se tratar de uma questão que galvaniza e polariza as opiniões no Brasil e no mundo, permito-me fazer alguns reparos e comentários sobre alguns pontos defendidos por essas pessoas. Por que os outros, aqueles que fizeram nítida opção pelas trevas e pelo Mal, esses só merecem – ou deveriam merecer – o silêncio e as atitudes defensivas compatíveis, dos demais.

Começo por dizer que, honestamente, não veria o menor motivo para alguém precisar justificar suas crenças publicamente, se a questão se resumisse a mera divergência de concepções, como foi até determinado momento da história, pois as crenças de cada um seriam apenas as crenças de cada um e a cada um pertenceriam e mereceriam inteiro respeito. E por aí ficaríamos. Contudo, os tempos são outros. E nós, “conservadores” somos “progressistas”: precisamos adaptar-nos às mudanças! Hahahahahahahaha….

Contudo, a partir de determinado ponto, as crenças de esquerda foram manobradas, deturpadas em sua essência teórica por forças oportunistas, totalitárias, agressoras e ditatoriais e foram ingênua e bovinamente encampadas pelos demais esquerdistas. Algo perfeitamente lógico e não espanta que isso tenha ocorrido e que sempre venha a ocorrer: afinal, o esquerdismo estatizante é e sempre será um imenso portal, aberto para o totalitarismo fascista, opressor e ditatorial. A sintonia existente entre ambos é um convite irrecusável.

E, quando isso acontece, irá sempre preponderar a Lei do Mais Forte fazendo valer seus interesses. E é por tal motivo que qualquer totalitarismo ditatorial só se estabelece à força, através do crime, do assassinato, da repressão e do genocídio dos demais. Simples assim!

Nesse quadro, a enumeração dessas crenças, portanto, mais parece uma justificativa, até compreensível, como desagravo público perante tanta bandidagem e canalhice praticada pelos expoentes da corrente que esses esquerdistas defendem. Canalhice que brada aos céus, aliás!

Mas, enfim, voltando aos enunciados da tal corrente do bem esquerdista, além de alguns pontos teóricos que provavelmente não despertariam qualquer celeuma e teriam o apoio quase unânime de brasileiros bem intencionados de qualquer coloração, como seria o caso dos citados nos itens 1,3, 6, 8, 9, 10, 12, 13 e 15, por exemplo, merecendo, portanto, poucos reparos e outros que mereceriam polêmicas e um aprofundamento mais explícito e profissionalizado, ou, quando muito, uma saudável e civilizada divergência de pontos de vista, outros pontos são citados nessa corrente de Fé esquerdista que evidenciam deliberada cegueira ou, quando muito uma clara divergência com a realidade que de fato está sendo praticada pelos esquerdistas. E é sobre esses que vamos nos deter mais detalhadamente.

Ora, ora, ora, vejam se é pra levar a sério algo assim! Nessa corrente, os esquerdistas afirmam, por exemplo, entre vários outros paradoxos que defendem a escola livre para crianças; como escola livre, se na prática alguns professores de orientação marxista estão deliberadamente catequizando ideologicamente as nossas crianças e essas pessoas fecham e sempre fecharam os olhos para isso? Que liberdade é essa? Desde quando educação escolar tem tal finalidade? E, mesmo que eventualmente a tivesse, Liberdade então seria apenas para a via que você defende? Como falar em Liberdade e ainda tripudiar dizendo-se “democratas” (essa é o fim da picada!), se nossas Universidades só apresentam Literatura de cunho Marxista e se todos os Concelhos Universitários são de filiação exclusivamente Marxista? Que hipocrisia é essa?

“Respeito e admiro a contribuição de Paulo Freire para a educação”. Vocês podem respeitar e admirar quem quiserem. Mas, fica difícil justificar racionalmente isso, perante estatísticas comprovadas – e isso é mais do que visível num  estudo de campo rápido e superficial – que colocam a Educação brasileira nos últimos patamares de aferição mundial. Se duvida, é só ver na prática o fracasso desse modelo brasileiro e comparar com outros. A diferença é gritante e notória.

Por essas e outras características que só podem ser atribuídas ao fanatismo ideológico ou à obstinação orgulhosa é que as civilizações latinas em geral estão sempre pelo menos um degrau civilizacional abaixo das nórdicas e anglo-saxônicas, por exemplo: por que os latinos insistem no erro, quando os demais citados passam imediatamente a borracha naquilo que é comprovadamente ineficaz, pulam o capítulo e avançam no caminho.

“Sou contra a erotização de crianças e a favor de uma educação sexual”. Julgo que a maioria das pessoas informadas e sintonizadas com os avanços do século XXI também, mas infelizmente não é bem isso que muitos educadores e influenciadores esquerdistas nos têm mostrado, na prática. Pelo contrário. Só têm propagandeado exatamente a erotização precoce de crianças. Mais uma vez: que hipocrisia é essa?

Ah! Mas não é bem isso que nós acreditamos. Ah, tá, então nos mostrem como funciona a tal educação sexual que não implique na erotização de crianças, por que é só o que temos visto em nome de uma pretensa orientação sexual, que, de fato, seria algo louvável, se exercido com um mínimo de tirocínio. Mas, está longe de ser o que temos visto. Por isso, esse ideal progressista, revolucionário e supostamente bem intencionado que até agora redundou em desastre, vai funcionar exatamente como todos os exemplos de ideais Socialistas tenebrosos que vocês vêm apontando e defendem, como a Coreia do Norte, a Venezuela, a Nicarágua, a Experiência Socialista Indiana, etc., etc. e que vocês afirmam não ser aquilo que acreditam: todos esses exemplos resultaram num fracasso absoluto e são sinônimo de desgraça e miséria para as populações onde foram implantados.

“Sou pró-família (independente da constituição dessa família)”. Então tá. Nada contra, se fosse de fato isso. Pena que a maioria dos líderes esquerdistas venha pregando e tentado trabalhar exatamente com a finalidade de destruição das famílias e dos valores tradicionais – Pátria, Religião e Família. Aí não dá né? Afinal, o pró-família refere-se apenas a determinados conceitos de família? Quer dizer que vocês dizem combater a opressão das tais “maiorias”  – estou usando essa terminologia de “maiorias e minorias” apenas por deferência a vocês, que gostam de usá-las – tradicionais e conservadoras, instaurando uma opressão ainda mais abjeta e radical das tais “minorias” e beneficiando os poderosos “lobbies” de classes específicas?

Outro ponto que merece reparos seríssimos: “apologia à tortura é crime”, “Sou contra quem prega violência de qualquer tipo”. Como levar a sério algo assim, se quem afirma isso apoia organizações terroristas do tipo dos “black blocs”, do MST, etc? Como, se quem escreve algo assim, é conivente com juízes e togados que acobertam assassinos? Clap, clap, clap. Que bonitinho. Quer dizer que a simples apologia à tortura se feita por desafetos merece condenação explícita, mas o endeusamento de monstros genocidas do tipo Guevara, Mao e congêneres pode? Para nem citar o apoio aos ainda vivos. E apologia ao crime e até ao assassinato de desafetos, à bandidagem, ao tráfico, como a que é praticada por seus líderes, então essa pode e merece apoio? Tanto merece que quase todos vocês mantêm a intenção de votar e apoiar esses mesmos líderes. Que os líderes de vocês tenham tal comportamento, nós até entendemos. Afinal, eles têm uma cartilha que ensina exatamente esse tipo de procedimentos. Eles não têm qualquer compromisso com o Bem, o Correto e a Verdade. Mas, vocês que se dizem do bem, querem continuar a ser julgados do bem continuando a apoiar coisas assim? Que hipocrisia é essa? Mais uma vez.

“Bandido bom é bandido ressocializado”. Que lindinho. Será mesmo? Pode até ser que dê pra ficar bem na fita com uma dessas, mas, infelizmente pra todos nós, que vivemos em sociedade e gostaríamos que essa utopia fosse verdadeira, não é bem isso que a experiência dos Pedagogos e Assistentes Sociais tem mostrado na maioria dos casos. Sem dúvida essa visão não é mais deturpada do que a que prega que “bandido bom é bandido morto”, mas, mais uma vez: até quando vocês vão insistir nessa tática fracassada de tentar combater extremos apelando para o outro extremo?  “Cidadãos de bem armados reunidos, viram bandos de assassinos”. Não é bem isso o que mostram várias estatísticas confiáveis, mas certamente esse não é um tema que deva ser discutido senão num plenário muito mais técnico e responsável.  Talvez menos emoção, muito profissionalismo e conhecimento, e, sobretudo, bastante bom senso, em ambos os casos, possam ser a chave para os dois extremos.

“Políticas públicas que beneficiem as minorias” e “somos todos iguais”. Mas, que bonitinho. De novo! Se não evidenciasse um nítido paradoxo entre essas duas afirmações: uma contradiz a outra, para nem nos estendermos muito sobre o tema, que requereria uma defesa menos amadorística, para dizer o mínimo.

Se juntarmos a isso a afirmação de que “O feminismo protege a mulher e quem acha o contrário é no mínimo mal intencionado” teremos mais um exemplo da extensão desse paradoxo, implícito na frase.  Ora, “se todos somos iguais”, e isso me parece algo inquestionável, proteger qualquer injustiçado será sempre uma atitude louvável, mas, talvez a estratégia de enfatizar e acentuar ainda mais as diferenças, mesmo acobertadas sob o manto da proteção, e radicalizando atitudes como as “minorias” vêm praticando,  só exacerba ainda mais a rejeição e o preconceito existente para qualquer diferença. Não seria muito mais inteligente e eficaz lutar de fato pela justiça e pela igualdade sem enfatizar diferenças e reivindicar o respeito por toda e qualquer diferença, obviamente lembrando que, para ser respeitado é necessário também respeitar?

E, pior ainda, além disso, a prática de tal defesa e “proteção” vem conduzindo à inversão absoluta e da mesma forma desequilibrada. Longe de proteger, mais acentua a rejeição e a repulsa da grande maioria. Por que, graças ao incentivo e beneplácito das forças de bandeira esquerdista, o que todos temos assistido é a cruel deturpação e a inversão absoluta desses conceitos teóricos, que seriam, são e continuam sendo belíssimos, se de fato fossem conduzidos com bom senso e inteligência, e, certamente seriam defendidos por todos os seres humanos do bem, pois a bandeira dos oprimidos e dos injustiçados nunca foi exclusividade de qualquer ideologia.

E isso é o que de fato importa. Como tais princípios de fato estão sendo levados na prática. Esse é o verdadeiro cerne da questão. Boas intenções e ótimos ideais caem no vazio da mera retórica, e, quando muito, ficam apenas na vontade ou na tentativa inútil de tentar justificar o injustificável, quando na prática tais princípios são substituídos por valores criminosos e deturpados. E cabe aqui relembrar o aforismo: “de boas intenções está cheio o inferno”

Finalmente, deixei propositalmente para último os comentários sobre a afirmação: “não quero um líder que faz e ensina crianças a fazerem arma com as mãos”. Sem dúvida, um exemplo infeliz que não deveria ter sido dado por líder algum. Pode até acrescentar um líder indubitavelmente boquirroto à lista de imperfeições; já alguém pretender se indignar por que o Presidente possa ser homofóbico, como alguns tentam, só pode ser querer tirar sarro com a cara da população brasileira, ou se passar por desentendido! Como se espantar com algo assim? Provavelmente, talvez só os esquerdistas conheçam algum homem brasileiro que não seja homofóbico, em maior ou menor grau! Até parece! Não espalhem, mas dizem até à boca pequena que o maior grau de homofobia, na verdade, é encontrado justo no seio do meio LGBT. Quanto a acusarem o Presidente de autoritarismo, só pode evidenciar o quão mau caráter é quem fala algo assim; como acusar de autoritarismo quem atura cotidianamente todos os abusos e canalhices dos esquerdistas e de toda a bandidagem aliada e reage com a paciência e a fleuma que ele tem demonstrado? Então, vamos parar com tanta hipocrisia; mesmo dando o desconto de que a hipocrisia é a mais lustrosa das imperfeições da alma brasileira, tudo tem um limite.

Quer saber? Eu se fosse esquerdista, a essas alturas já estava roxo de vergonha, pois como dizem os “manezinhos” aqui da Ilha da Magia, “Bolsonaro faz coisa”.  E como tem feito!

Mas, tudo bem, ninguém é obrigado a gostar de quem não se gosta. Porém, se for então para nos atermos às características pessoais de cada um, teremos mais ou menos imperfeições de todos os seres humanos para todos os gostos e todos terão suas preferências pessoais de imperfeições para se espelharem, pois todos terão suas imperfeições pessoais a serem apontadas, como humanos que somos. Todos nós. Até mesmo um Presidente! Resta então perguntar se quem aponta está escolhendo o seu reflexo favorito. Lembre-se dessa: quando um dedo aponta para alguém, dois dedos na mesma mão apontam para o autor.

Por isso, sabendo disso, cabe-nos ter a honestidade intelectual e o mínimo de consciência cívica e política para julgar o dirigente de uma nação especificamente pelos seus atos em prol à nação. Afinal, não nos cabe tanto julgar o ser humano e sim o líder. E aí, não tem pra ninguém, pois, nesse sentido, é inegável que Jair Bolsonaro e sua equipe, pelo que já realizaram em pouco mais de ano e meio de governo – e enumerar tudo isso, desculpe, mas é redundância absoluta, ninguém merece ser submetido a tão exaustiva repetição – é não apenas o melhor Governo Civil que o Brasil já teve: é o único decente! E é para isso que nós – a maioria do povo brasileiro – o elegemos. E continuamos a apoiá-lo: por ser o único governo civil honesto e decente que tivemos em muitos anos.

De forma que, perante uma evidência tão clara e contundente de tais resultados positivos, a vocês esquerdistas que se dizem do bem, que não têm interesse pessoal ou pecuniário algum nisso, mesmo sem precisar entrar no mérito de julgar as escolhas malditas que sua ideologia lhes impõe, basta o simples fato de rejeitar os avanços já conseguidos inegavelmente pelo Governo Bolsonaro e de apoiar e desejar o retorno de líderes comprovadamente corruptos e coniventes com um sistema canalha e bandido como o que nos governou durante longos anos, para comprovar que quem está cultivando aquilo que em bom português se chama de nostalgia do reles são mesmo vocês, esquerdistas. Não eu! Aleluia! Enfim, não serei mais eu a pagar esse pato!  Vocês me livraram dessa pecha satírica familiar e a tomaram para vocês. Com inteira justiça!

 

Paulo Monteiro

 

p.s.: Este artigo é uma homenagem a meu primo Fernando Jorge M. Moz Teixeira e meu irmão, Fernando José A. Monteiro

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