Crítica | Cícero: "Cosmo" - Miojo Indie“Cosmo”  –  Cícero

 

 

O carioca Cícero Rosa Lins extraiu beleza da solidão antes de estarmos aqui trancados, sem muitos abraços ou outros afetos físicos. É o que ouvimos em Cosmo, seu quinto álbum, no qual retorna às raízes da criação solitária. O trabalho é fruto de uma temporada de dois anos em um país distante, Portugal, onde seu único referencial de casa era o mundo e a imensidão, já que as Três Marias e a Lua não apareciam no lugar de sempre.

Rolling Stone · Cícero expande o universo particular com Cosmo, o disco  mais solitário da carreiraA série documental Cosmos, apresentada pelos físicos Carl Sagan e Neil deGrasse Tyson em suas duas versões, estavam bem frescas na mente de Cícero. A ciência lhe trazia uma calma para ver um outro céu – talvez o Falso Céu que abre o álbum – em Portugal. Longe de sua terra e entregue nesse olhar, pôde se jogar poeticamente na pequeneza das coisas diante do todo. Aos 34 anos, considera ainda a idade como facilitadora para se perder em memórias, lembrando de amigos que acabam virando santos ao serem evocados sua música. Assim, faz seu recorte da imensidão, como ilustra a capa do disco, colocando um fragmento do cosmo em uma moldura. Uma mostra de como é bom se perder às vezes.

Com a criação madura, Cícero pôde contar com a ajuda de diversos músicos para a dimensão prática do trabalho, em uma experiência que ele descreve como de gentileza. Teve espaço para gente da Dinamarca, Portugal, Argentina e Brasil.

 

AUTOR

Publicado por

Rostand Tiago

 

 

 

 

 

 

 

 

Sevdaliza: Shabrang Album Review | Pitchfork“Shabrang”  –  Sevdaliza

 

 

On Shabrang, Sevdaliza lets us explore her subconscious - i-DSem dúvida um dos álbuns tops de 2020, este trabalho sensacional da artista irani-holandesa Sevdaliza, nome artístico de Sevda Alizadeh, nascida em Teerã (Irã) e que aos cinco anos de idade deixou seu país de origem com sua família como refugiados para morar na Holanda, país em que viveria seus próximos anos. Talvez pela origem persa, Sevdaliza representa uma minoria étnica marrom que ainda luta nos dias de hoje por visibilidade; talvez por isso, seu segundo trabalho tenha ganho maior repercussão no meio LGBTS, conhecido por apreciar e reconhecer a diversidade. O fato de ser imigrante fazia se sentir diferente dos demais e se defrontar com a solidão. Centrado no trip-hop e no darkwave etéreo o álbum engloba também arte-pop e R&B alternativo., o disco de Sevdaliza perpassa as temáticas da identidade e da relação com a pele e das diferentes texturas (vidro, pele, seda) explorando conflitos internos das diversas formas de identidade. Sensacional, este disco é sem dúvida um dos maiores destaques deste ano que finda.

 

 

 

Philadelphia | Shabason, Krgovich & Harris“Philadelphia”  –  Shabason, Krgovich & Harris

 

 

 

Este é indubitavelmente o melhor presente de Natal para os cinquentões e sessentões apreciadores da música adulta de qualidade com a harmonia vocal no estilo sessentista dos saudosos Crosby, Stills, Nash & Young ou America, e na linha introspectiva e serena de Nick Drake e Jim Croce, como se emulando um Bill Callahan saído de um retiro “yoggi”.

Em arranjos suaves quase jazzísticos para sax, piano e com vocais meditativos, o trio de canadenses formado  por Nicholas Krgovich , já com vários trabalhos solo nessa linha já lançados, por Joseph Shabason, um prolífico compositor conhecido por atuar no sax em trabalhos do War on Drugs e de Destroyer e pelo guitarrista e percussionista Chris Harris passeia com muita classe pela cover de Neil Young que dá nome ao disco e ao filme homônimo de cuja trilha sonora faz parte, pelo exotismo minimalista de “Osouji”, pela épica “I don’t see the moon” e pela maravilhosa e contemplativa balada, “Friday Afternoon” sempre com resultados espetaculares.

Sem dúvida um biscoito finíssimo e o melhor presente de Natal para os saudosos da melhor música, que ainda continua sendo feita. Espante-se!

 

 

 

 

Melody Gardot: Sunset in the Blue (Decca) - JazzTimes“Sunset in the Blue”  –  Melody  Gardot

 

 

Melody Gardot, la diva del jazz lanza Sunset In The BluePara quem busca um disco de muita qualidade mas em formato mais tradicional, certamente a pedida desse final de ano é o disco da americana Melody Gardot;  Influenciada pelos blues e jazz de Janis JoplinMiles DavisDuke Ellington e George Gershwin, e pela música latina, de Stan Getz e Caetano Veloso e conhecida como a “artista acidental”, por se ter dedicado à música como forma de terapia, depois de um grave acidente, que lhe deixou diversas sequelas, a artista, a par da sua carreira musical, tem em desenvolvimento um programa com universidades de medicina denominado Chateau Gardot, que procura através da musicoterapia desenvolver programas terapêuticos para tratar a dor. Este programa tem por base a sua própria experiência, na qual os tratamentos tradicionais não surtiam efeito.

Divide a paixão pela música, com o budismo e a comida macrobiótica.

“Sunset in the Blue”, seu mais recente lançamento, é uma celebração das raízes jazzísticas de Melody Gardot, reunindo o time ganhador de vários Grammyes por “My one and only Thrill” e contando com a habitual mistura de “standards”, músicas brasileiras e francesas e com direito a uma participação especial do português, António Zambujo, em “C’est Magnifique”.

 

 

 

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