Quando o hoje parecer feio demais, Sinatre-se.

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=euL5pkANz28

 

É sério. Frank Sinatra não é um só um cantor espetacular – e as canções que tiveram a sorte de por ele serem gravadas não são apenas joias valiosíssimas da cultura ocidental, dignas de tombamento por um patrimônio histórico de ONUs, Unescos e afins.

 

Não são apenas isso, embora esse “apenas isso” já fosse muito. Faça a experiência – ouça “All of Me”, por exemplo. Duvido que, aos primeiros acordes e fraseados da canção, você não deixe essa realidade insana para trás, ao menos pelos mágicos minutos da música.

 

Ouvir Sinatra é como usar uma máquina de teletransporte, daquelas de “Jornada nas Estrelas”, e ser instantaneamente levado a um mundo onde tudo era mais bonito, cool e sutil. Um mundo sem lugar para feiura, tristeza e desarmonias vis.

 

Um mundo perdido e aparentemente irrecuperável – apenas aparentemente, porque, ora bolas, nós temos Sinatra. Sinatra é a chave que liga o motor desse T-Bird 1955, a palavra mágica que faz o tapete voar, o bilhete para o Concorde, o convite para o Madison Square Garden.

 

Ouvir Sinatra é comer pizza em Nova York, caminhando pelas ruas geladas em abril, é um crepúsculo dourado cheio de luzes de Natal na Disney, é um café na Colombo, é uma prosa poética de Pessoa, é o mar de Copacabana em junho, de manhã cedinho, ouvir milhões de pardais em coro despertando no subúrbio, é a moça de calça jeans e havaianas brancas, é o sorvete da L’Artisans Des Glaces com coca-cola, é um passeio no Rio nos anos 50.

 

Quando você simplesmente não estiver aguentando mais, conjugue Sinatra.

 

Ontem Frank Sinatra faria 104 anos.

Sinatre-se.

 

 

(Texto: Joseph Agamol foto: Sharland)

 

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