Invisible Cities“Invisible Cities”  –  A  Winged  Victory  for  the  Sullen

 

 

O duo de música ambiente, A Winged Victory for the Sullen, composto pelo renomado músico Dustin Halloran e por Adam Wiltzle, em atividade desde 2011, chega a seu quinto trabalho , esse esplêndido “score” para a adaptação teatral multimídia do romance homônimo de Italo Calvino, datado de 1972. Narrando a tensão existente entre os mundos diversos de Kublai Khaan, o líder de um vastíssimo império da antiguidade e o explorador viajante, Marco Polo e originalmente programado para ser um projeto móvel, teve tais pretensões barradas pelo surgimento da pandemia, sendo que sua última apresentação foi  em Brisbane, Australia.

Iniciando com a extraordinária, “So that the city can begin to exist” , o projeto percorre 45 minutos de tirar o fôlego, que incluem “The Celestial City”, a luminosa e ondulante “Every solstice & equinox” , a tensão de “Thiteenth Century Travelogue”, a sensibilidade conduzida por notas de piano de “Only strings and their support remain”, a ambiência formal semi-erudita de “There is one of which you never speak” e “The Divided City” e o coral de “Desires are already memories” para desembocar no Finale com “Total Perspective Vortex” que fecha as cortinas deste grandioso projeto.

Mais um acerto desse extraordinário projeto musical que eleva a música dita popular a um patamar raras vezes atingido.

 

 

 

 

In Quiet Moments“In Quiet Moments”    –    Lost Horizons

 

 

Lost Horizons é também o projeto de um duo de veteranos do cenário musical, Simon Raymonde , o baixista e tecladista inglês da lendária banda escocesa, Cocteau Twins , de 1983 a 1997 e o baterista e saxofonista, Richie Thomas, das bandas Dif Juz – uma banda de post-punk instrumental -, The Hope Blister e Butterfly Child que chegou a colaborar com o The Jesus & Mary Chain. Depois do início, em 2017 com o projeto “Ojalá” eles retornam com este “In Quiet Moments” no qual contam com o suporte de diversos vocalistas, em todas as faixas do disco, entre os quais John Grant, Marissa Nadler e o Porridge Radio para oferecer um trabalho surpreendente pela altíssima qualidade musical das faixas, bastante eivadas de melancolia. Destaques: “Grey Tower”, “Linger” ,  a maravilhosa “Every beat that passed” com vocais da descoberta sueca, Kavi Kwai,”Circle”,  a bela faixa título, o luxuoso coral de “Cordelia” e a jovialidade de “Heart of a Hummingbird” já quase encerrando o disco. Sem dúvida, um dos grandes lançamentos deste ano.

 

 

Metal Bird (feat. Military Genius)“Metal Bird”  –  Eve Adams

 

 

O terceiro álbum da cantora e compositora americana sediada em L.A.  traz-nos hinos que se alternam entre o sagrado e o profano , um lamento pelos tempos dourados que se foram e pelo tempo cinza que se está vivenciando.

A bela “You’re not Wrong” remete-nos ao Mercury Rev de Deserter’s Song, enquanto um órgão hipnótico na faixa título cria um clima de psych-folk que faz lembrar o Spiritualized; na arrepiante “Woman on your Mind” Eve Adams dá voz à persona feminina que não mais tolera o papel secundário destinado ao sexo feminino; “Blues look the same” é um lamento pela inocência perdida, levada por guitarras no estilo Mazzy Star e o fecho com a sonhadora “My only dream” dá o tom perfeito a um álbum noturno de uma intérprete indie que merece ser conhecida e prestigiada.

 

 

 

 

Theory of Ice“Theory of Ice”  –  Leanne Betasamosake Simpson

 

 

A estudiosa escritora, artista e música canadense da ascendência Michi Saagiig Nishnaabeg, Leanne Betasamosake Simpson, reconhecida como uma das mais renomadas vozes indígenas de sua geração, acaba de lançar este maravilhoso registro musical, denominado “Theory of Ice” no qual ela fala e canta sobre a urgência de prestar atenção e cuidar de um planeta em perigo. Seu disco é um registro dramático e profundamente eloquente e uma celebração da Terra e de um de seus mais preciosos recursos: a água.

Centrado numa extraordinária regravação do hino de Willie Dunn, de 1978, conhecido como o primeiro registro de uma canção dos indígenas norte-americanos conhecida internacionalmente, o trabalho de Leanne Betasamosake Simpson, contudo, não se resume a esta regravação. É um trabalho “folk” coeso que abre a interseção entre Política, História e Musicalidade, revelando um universo musical riquíssimo e de muita musicalidade e criatividade. Um dos lançamentos mais surpreendentes e espetaculares deste mês que se revelou extremamente pródigo em lançamentos.