Já quase ninguém frequentava o templo de Afrodite (Vênus) para prestar culto à Divina Beleza. Mas, enquanto o santuário abandonado transformava-se pouco a pouco em ruínas, de toda a parte chegavam os peregrinos que iam admirar a extraordinária formosura de uma simples mortal: a princesa Psiquê (Alma).

Menosprezada pelos homens – que preferiam homenagear uma beldade humana – Afrodite encoleriza-se. E, para vingar-se, pede a seu filho, Eros (Amor) que use suas flechas encantadas e faça Psiquê apaixonar-se pela criatura mais desprezível do mundo.

Eros parte para cumprir a sua missão. Mas a beleza da mortal era tão grande que teve força para deslumbrar até um coração divino. Ao vê-la, foi como se Eros tivesse sido transpassado por uma de suas próprias flechas. Vítima do encantamento em que enredava deuses e mortais, o deus feriu-se de amor.

Apaixonado, nada disse à mãe; limitou-se a convencê-la de que finalmente estava livre da rival. Ao mesmo tempo que oculta seu sentimento, torna Psiquê inatingível aos amores terrenos. Embora todos os homens a admirem, nenhum por ela se apaixona. Contemplam extasiados sua beleza, que agora parece aureolada de distância e inalcançável, mas escolhem suas irmãs. Apesar de infinitamente menos belas, elas logo se casam com reis. Psiquê, amada por Eros sem que ela o saiba, a ninguém ama.

E, porque é uma beleza humana cobiçada por um deus, permanece só!